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Crise no STF (2026)

Resumo

A crise começou em 01/09/2026, quando André Mendonça, relator do caso Master e indicado de Bolsonaro, abriu o sigilo de um relatório da PF sobre as mensagens de Daniel Vorcaro com Alexandre de Moraes, a seis dias do 7 de Setembro e em plena campanha. A apuração foi aberta sem pedido da PF nem da PGR, e o próprio procurador-geral pediu que fosse anulada. O relatório não concluiu que Moraes tenha cometido crime.

Mendonça sabia desde maio que o material citava também Dias Toffoli, e o celular de Vorcaro trazia mensagens sobre os filhos de Nunes Marques e de Fux. Nada disso ele abriu. No mesmo período, negou buscas pedidas pela PF contra Cláudio Castro, do PL, e Ciro Nogueira, do PP, e afastou o diretor-geral da PF, cujos relatórios de inteligência apontavam direcionamento na conduta dele. Dino, Zanin e Gilmar reagiram, e o pedido de investigação contra Mendonça está parado desde 17/09. Na campanha, candidatos bolsonaristas pagaram anúncios pedindo oração por Mendonça, apresentado como o contraponto a Moraes e a Lula, e o ato de 7 de Setembro na Paulista pediu "Fora Moraes" com um boneco inflável dele atrás do palco.

Caso em andamento

Atualizada até 29/09/2026. As acusações aparecem atribuídas a quem as fez, e nenhuma delas foi julgada. Onde falta documento, a página mostra a cronologia dos fatos, com data e fonte.

Os dois pesos de Mendonça

Contra Moraes, Mendonça agiu sem pedido de ninguém e em 72 horas. Com outros investigados do caso Master, negou o que a PF e a PGR pediam ou deixou o assunto parado. Nunes Marques é um dos dois indicados de Bolsonaro no STF, e Fux foi o único a votar pela absolvição de Bolsonaro na trama golpista que Moraes relatou. É o padrão que o relatório de inteligência da PF descreveu como "standards probatórios distintos conforme o espectro político" (defesa de Moraes, via Poder360, 15/09/2026).

Quem O que a PF ou a PGR pediram O que Mendonça fez
Alexandre de Moraes Segundo Moraes e a PGR, nenhum pedido de investigação partiu da PF ou do Ministério Público. Depois, a PGR pediu a anulação (Migalhas, 01/09/2026) Mandou apurar de ofício, deu 72 horas à PF, abriu o relatório a seis dias do 7 de Setembro e levou o caso ao Plenário (ver acronologia)
Cláudio Castro (PL), investigado pelos investimentos do RioPrevidência no Master Em julho, uma segunda busca, com parecer favorável do procurador-geral, Paulo Gonet Negou, escrevendo que operações não podem ser "instrumentos de varredura ampla, investigação prospectiva ou devassa na vida pessoal". O processo continuou em sigilo quando mais de 50 processos do caso Master foram abertos (Jornal de Brasília, 25/09/2026)
Ciro Nogueira (PP-PI), apontado pela PF como suposto "destinatário central" das vantagens ligadas ao Master Em maio, busca também no gabinete dele no Senado Autorizou só as buscas nas residências, negou a do gabinete (Imirante, 07/05/2026; Metrópoles) e depois impôs sigilo à decisão (Metrópoles)
Nunes Marques e o caso Alcídia Em fevereiro, a PF escreveu que as informações sobre o caso "demandam aprofundamento analítico" A frente não recebeu dele ordem de aprofundamento equivalente. Mendonça diz que o relatório de fevereiro não lhe foi remetido formalmente (ICL Notícias, 22/09/2026)
Os outros ministros citados no celular de Vorcaro Zanin, Gilmar e Moraes pediram a cópia dos dados Mendonça negou. Os advogados de Vorcaro tinham a cópia integral, e ele também; os ministros que iam julgar o caso, não (Poder360, 11/09/2026)
ACM Neto (União Brasil), candidato ao governo da Bahia Não há pedido conhecido Segundo a PF, disse numa reunião em 13/08 que ACM Neto "aparentaria estar exercendo atividade de representação de interesses dentro dos limites do permitido" (defesa de Moraes, via Poder360, 15/09/2026). Mendonça responde que quebrou os sigilos de ACM Neto como os de Lulinha. Mas as quebras de ACM Neto ficaram em sigilo, e as de Lulinha viraram "fato público e notório" em plena campanha (resposta de Mendonça, 21/09/2026)

O que Moraes afirma e o que os documentos mostram

Moraes afirma O que os documentos mostram
A investigação foi aberta porMendonça "de ofício, sem pedido da PF, sem manifestação da PGR" (defesa de Moraes, via Poder360, 15/09/2026) Em 01/09, Gonet pediu a anulação e a extinção da Pet 16.662 por "dupla nulidade": o relator não podia mandar investigar um ministro sem pedido do Ministério Público, e o caso era do Plenário. Para ele, "é inegável que houve imersão em elementos dos autos para buscar indicativos de envolvimento do Ministro Alexandre de Moraes em ilícitos" (Migalhas, 01/09/2026; Brasil 247, 01/09/2026)
A investigação "não apontou um ato de ofício" dele para favorecer o Master ou Vorcaro O relatório da PF "não conclui que Moraes tenha cometido crime ou atuado para beneficiar Vorcaro" (Congresso em Foco, 01/09/2026). Moraes nunca foi relator dos processos do Master (Agência Brasil, 12/02/2026)
Mendonça sabia desde maio que o nome dele estava no material A decisão de Mendonça de 18/05, na Pet 15.625, cita os arquivos "Moraes.pdf" e "Toffoli e esposa.pdf" (defesa de Moraes). Gonet também registrou que o nome de Moraes já constava de informes policiais anteriores e que Mendonça sabia que a apuração alcançaria autoridades com foro (Migalhas, 01/09/2026)
O material nasceu de um vazamento criminoso A delegada do caso disse em depoimento que um perito da PF montou os arquivos e sugeriu que ela falasse com a jornalista Malu Gaspar, do Globo. Ele foi afastado das investigações e, em 19/05, virou alvo de busca (DCM, 15/09/2026; Revista Fórum, 19/05/2026)
A apuração foi direcionada só a ele Os relatórios de inteligência da PF tratam do "recorte adotado e o que dele ficou de fora" e de "standards probatórios distintos conforme o espectro político" (relatórios da PF, via Poder360, 04/09/2026; defesa de Moraes)
Mendonça vazou o material à imprensa "na semana antecedente ao 7/9" Não há prova pública de quem vazou. A coincidência de datas está nacronologia

O que dizem Dino, Zanin e Gilmar

  • 11/09/2026 — Zanin: ao cobrar que todos os ministros tivessem acesso ao material do relator, disse: "Essa sempre foi a regra em todos os julgamentos colegiados, inclusive no Supremo Tribunal Federal". Lembrou que os advogados de Vorcaro tinham a cópia integral, e os ministros não, e pediu uma cópia para cada gabinete, como tinha sido feito com Mendonça (Poder360, 11/09/2026). Em 13/09, deu prazo à PF para entregar a cópia, e em 14/09 a recebeu (Revista Fórum, 13/09/2026; CNN Brasil, 14/09/2026).
  • 09/09/2026 — Dino: mandou reintegrar os diretores da PF afastados por Mendonça, apontando "atropelos processuais" e dizendo que o Novo "não possui legitimidade para requerer medidas cautelares em investigações criminais" (Agência Brasil, 09/09/2026).
  • 15/09/2026 — Dino: chamou de "esta sessão desastrada" a que julgou só o caso de Moraes e perguntou: "As mensagens do ministro Fux, as mensagens do ministro Kassio, as mensagens relativas ao ministro André, nós vamos parar aonde?" (O Tempo, 15/09/2026). No mesmo dia, pediu a Fachin que apure as ligações entre o Instituto Iter, de Mendonça, o Master e a Prefeitura de São Paulo (O Tempo, 15/09/2026).
  • 08/09/2026 — Gilmar: pediu vista no afastamento do diretor-geral da PF. Apontou que o caso "foi incluído em pauta no próprio dia do julgamento, menos de uma hora antes do início da sessão virtual", a pedido de um partido, e citou o precedente do STF contra "decisões jurisdicionais tendentes a promover o desequilíbrio da disputa político-eleitoral" (Migalhas, 08/09/2026).
  • 17/09/2026 — Gilmar: comparou a atuação de Mendonça à Lava Jato e o chamou de "pixuleco eleitoral" (Brasil 247, 17/09/2026; CartaCapital, 17/09/2026).

O que dizem Mendonça, Nunes Marques e Fux, e o que os fatos mostram

Quem O que diz O que os fatos mostram
Mendonça Os relatórios de inteligência da PF são "apócrifos", "desprovidos de qualquer valor probatório" e um "dossiê" feito para intimidá-lo (resposta de Mendonça, 21/09/2026) Na mesma resposta, ele próprio escreve que os relatórios foram "apresentados pelo Diretor-Geral da Polícia Federal". E levouMoraes ao Plenário com um relatório feito em 72 horas, que, segundo o ICL, a PF registrou não ser exaustivo e seguir o recorte do relator (ICL Notícias, 22/09/2026)
Mendonça Liberar a íntegra do celular aos colegas comprometeria as investigações, e por isso "se manifestou contra a liberação dos dados" (Jornal de Brasília, 17/09/2026) Os advogados de Vorcaro já tinham a cópia integral, e ele também. Só os ministros que iam julgar o caso não tinham (Poder360, 11/09/2026)
Mendonça ACM Neto eLulinha receberam as mesmas decisões dele (resposta de Mendonça, 21/09/2026) Na medida, é verdade: os dois tiveram os sigilos quebrados. Mas, pelo texto dele, as quebras de Lulinha viraram "fato público e notório", e as de ACM Neto ficaram em sigilo até ele revelá-las em 21/09
Mendonça O relatório de fevereiro sobre o caso Alcídia não lhe foi remetido formalmente (ICL Notícias, 22/09/2026) Em julho, ele mandou entregar ao gabinete dele todos os dados brutos apreendidos nocaso Master, segundo a linha do tempo apresentada por Daniela Lima no UOL (UOL, 03/09/2026). A frente de Nunes Marques continuou parada
Nunes Marques Nunca trocou mensagem com Vorcaro (O Tempo, 15/09/2026), e o caso Alcídia não era uma ação do Master (ICL Notícias, 22/09/2026) Ninguém mostrou mensagem dele com Vorcaro. O que existe são as mensagens sobre o filho: depois do voto dele no caso Alcídia, o diretor jurídico do Master escreveu "Ganhamos alcidia" e mandou o contato de Kevin Marques com a frase "Dominado aqui". Para o banco, o caso podia servir de "paradigma para nossos casos" (ICL Notícias, 22/09/2026). A empresa que pagou Kevin recebeu do Master e da JBS R$ 18 milhões, em transações que o Coaf classificou como "incompatíveis com a capacidade financeira" dela (Estado de Minas, 19/03/2026)
Fux "Pode ter alguém falando de mim, comigo não. Nunca vi esse cidadão na minha vida" (O Tempo, 15/09/2026) Os diálogos não mostram encontro dele com Vorcaro. Mostram o filho, Rodrigo Fux, recebendo o banqueiro com "Tapete vermelho irmão", orientando-o a procurar a secretária do pai no STF e articulando a ida de Fux a um evento em Londres (Revista Fórum, 15/09/2026; Jornal GGN, 15/09/2026)

A crise e a eleição

Não há documento que prove que a crise foi planejada para a campanha, mas a cronologia mostra as coincidências:

  • 20/07/2026: segundo coluna do O Globo, a campanha de Flávio Bolsonaro já tinha conversas do caso Lulinha dez dias antes da abertura do primeiro inquérito (Jamildo, 20/07/2026).
  • 30/07 a 04/08/2026: três inquéritos contra Lulinha, filho de Lula, abertos em seis dias, dois deles por Mendonça, a dois meses da eleição (CNN; ver Caso Lulinha).
  • 01/09/2026: o relatório sobre Moraes veio a público seis dias antes do 7 de Setembro (STF, despacho de 01/09/2026). Moraes acusa Mendonça de agir com "motivação político-eleitoral" (defesa de Moraes).
  • 01 a 04/09/2026 — as orações contra Moraes: os pedidos de oração por Mendonça começaram no dia em que ele abriu o relatório sobre Moraes. No mesmo dia, num show em Blumenau, o cantor Luciano, da dupla Zezé di Camargo e Luciano, pediu "uma oração para este homem". Os pedidos e abaixo-assinados que vieram depois mobilizaram lideranças políticas e religiosas que apoiam Flávio Bolsonaro. Nos posts, Mendonça aparece "como um contraponto ao ministro Alexandre de Moraes e ao governo Lula", e algumas publicações apresentam a disputa como uma escolha entre dois lados: "de um, Lula e Moraes; de outro, Mendonça e o combate à corrupção". Na Biblioteca de Anúncios da Meta, a Agência Pública achou mais de 20 posts impulsionados com pedidos de oração por ele, e "a maioria foi paga pelas campanhas de candidatos bolsonaristas". O senador Magno Malta (PL-ES) disse que Mendonça não deve recuar diante de pressões e convocou um "clamor de oração" por ele. Silas Malafaia publicou vídeos em defesa de Mendonça e com duras críticas a Moraes, e prometeu para o ato da Paulista a sua fala "mais dura" contra ele (Agência Pública, 04/09/2026).
  • 04/09/2026 — o vídeo aos religiosos: um dia depois do pedido de investigação de Moraes, Mendonça, vice-presidente do TSE, mandou a líderes religiosos um vídeo de 31 segundos: "Meus irmãos e minhas irmãs, minha palavra se dirige a vocês, essencialmente para agradecer tantas mensagens de oração e de carinho. Estejam certos de que suas preces a Deus têm sido fundamentais para me sustentar e sustentar a minha família". O vídeo não cita Moraes nem o caso e respondia a uma campanha de orações da igreja dele. Mas na mesma noite saiu do círculo religioso, compartilhado por Damares Alves (Republicanos-DF), por Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, por Nikolas Ferreira (PL-MG) e por Bia Kicis (PL-DF), candidata ao Senado (O Tempo, 04/09/2026). Faltavam três dias para o ato convocado por Flávio Bolsonaro na Avenida Paulista, com as palavras de ordem "Fora Lula" e "Fora Moraes" (DCM, 04/09/2026).
  • 05/09/2026 — "ungido do Senhor": no dia seguinte ao vídeo, Michelle Bolsonaro chamou Mendonça de "escolhido" e de "UNGIDO DO SENHOR": "Você foi chamado para este tempo" (Congresso em Foco, 06/09/2026).
  • 07/09/2026 — o boneco de Mendonça e o "Fora Moraes": no ato da Paulista, Moraes foi "de longe o mais citado". As revelações sobre ele serviram de combustível para cobranças de afastamento ou impeachment e "para uma campanha pela formação de uma maioria de direita no Senado", a Casa que julga o impeachment de ministros do STF. Flávio disse: "Esse consórcio de Lula com Moraes vai acabar". Malafaia acusou Moraes de agir contra Mendonça depois que ele abriu o relatório, e Nikolas disse a Moraes: "Teu lugar é na cadeia". Cartazes em defesa de Mendonça apareceram por toda a manifestação, e o nome dele foi aclamado (Brasil de Fato, 07/09/2026). Atrás do palco ficou um boneco inflável de Mendonça, e o cartaz de um manifestante pregava "desobediência civil" caso o "sistema Vorcaro-Moraes-STF retirasse André Mendonça da relatoria do caso Master e INSS" (Agência Pública, 07/09/2026). No mesmo ato, Flávio comparou a condenação do pai por tentativa de golpe de Estado a uma "segunda facada", e cartazes pediam que Trump acompanhasse a eleição e defendiam a intervenção dele no pleito (Brasil de Fato, 07/09/2026).
  • 08/09/2026: a 26 dias do primeiro turno, Mendonça afastou o diretor-geral da PF, e Gilmar lembrou o precedente do STF contra decisões que desequilibram a disputa eleitoral (Migalhas, 08/09/2026).
  • 15/09/2026: Nunes Marques, presidente do TSE, declarou-se impedido, dizendo que o processo pode ter efeitos político-eleitorais (O Tempo, 15/09/2026).
  • 17/09/2026: Gilmar chamou Mendonça de "pixuleco eleitoral" (Brasil 247, 17/09/2026).
  • 04/10/2026: no primeiro turno, Mendonça, alvo de um pedido de investigação no STF, é o vice-presidente do TSE que conduz a eleição (ver a página de André Mendonça).

Cronologia

Onde a fonte é um documento do processo, o link leva ao portal do STF (abas Andamentos e Decisões) ou à cópia publicada pelo Poder360. Outros fatos do caso estão na página Caso Banco Master.

  • 14/03/2025: Mendonça recebeu Daniel Vorcaro por duas horas no Instituto Iter, em São Paulo (A Pública, 09/2026). Quando o encontro veio a público, Mendonça admitiu ter recebido o banqueiro "uma única vez", "por iniciativa do próprio empresário", para tratar de um processo sobre precatórios de interesse do Master (STP 976). Disse ainda que sua atuação foi "contrária à posição defendida pelo empresário" (Agência Brasil, 02/09/2026).
  • Fevereiro a agosto de 2026 — a guerra com a PF antes de Vorcaro: segundo a linha do tempo apresentada por Daniela Lima no UOL, a crise entre Mendonça e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, começou meses antes das acusações de Vorcaro e, segundo aliados do próprio ministro, nasce da ideia de que Andrei é amigo de Alexandre de Moraes (UOL, 03/09/2026):

  • em fevereiro, num despacho sigiloso, Mendonça restringiu o acesso da cúpula da PF às informações do caso Master, que ficaram só com os delegados do inquérito;

  • em julho, passou a fazer reuniões presenciais com os delegados dos casos Master e INSS, mandou entregar ao gabinete dele todos os dados brutos apreendidos no caso Master e proibiu o diretor-geral de remover qualquer servidor envolvido nas investigações;
  • em 23/07, Andrei mandou um ofício à AGU dizendo que as prerrogativas da PF estavam sendo violadas e pedindo uma ação na Justiça, que a AGU não apresentou;
  • em agosto, todos os superintendentes da PF divulgaram uma nota em defesa de Andrei.
  • 09/02/2026 — a trilha de Nunes Marques, apontada pela PF: um relatório de 196 páginas, assinado por quatro delegados a partir do celular de Vorcaro, destacou o processo da Destilaria Alcídia no STF, que podia afetar uma carteira de mais de R$ 10 bilhões em precatórios de interesse do Master, e registrou que essas informações "demandam aprofundamento analítico". Três dias depois, Mendonça assumiu a relatoria, e essa frente não recebeu dele ordem de aprofundamento equivalente. Mendonça afirmou depois que o relatório de fevereiro não lhe foi remetido formalmente (ICL Notícias, 22/09/2026).

  • nesse processo, Nunes Marques formou a maioria de 3 a 2 que rejeitou o recurso da União. Depois do resultado, o diretor jurídico do Master escreveu a Vorcaro "Ganhamos alcidia" e, minutos depois, mandou o contato de Kevin Marques, filho do ministro, com a frase "Dominado aqui". A PF não estabeleceu o significado da expressão (ICL Notícias, 22/09/2026; ver a página de Nunes Marques).

  • 12/02/2026: Dias Toffoli deixou a relatoria do caso Banco Master. A PF tinha encontrado menções a ele no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, e um fundo ligado ao banco tinha comprado participação num resort de familiares do ministro. Mendonça passou a ser o relator (Agência Brasil, 12/02/2026; Meio, 13/02/2026).
  • 07/05/2026 — Ciro Nogueira: Mendonça autorizou buscas nas casas do senador, que a PF aponta como suposto "destinatário central" das vantagens ligadas ao Master, mas negou a busca no gabinete dele no Senado (Imirante, 07/05/2026; Metrópoles). Depois, impôs sigilo à decisão (Metrópoles).
  • 18 e 19/05/2026 — o perito do "Moraes.pdf": Mendonça autorizou a busca da PF contra o perito João Cláudio Nabas, afastado da corporação sob suspeita de vazar à imprensa dados sigilosos do caso Master (Revista Fórum, 19/05/2026). Para Moraes, desde essa decisão Mendonça tinha "conhecimento formal" de que o nome dele aparecia no material apreendido e "não tomou nenhuma providência" para levar o caso ao plenário, o que só fez em setembro (defesa de Moraes, via Poder360, 15/09/2026). Moraes não era o único ministro citado: a mesma decisão de 18/05 lista entre os fatos investigados a criação dos arquivos "Moraes.pdf" e "Toffoli e esposa.pdf". Desde então, Mendonça tinha conhecimento formal de que o material citava também Toffoli, cujas menções no celular de Vorcaro já o tinham tirado da relatoria em fevereiro (ver 12/02/2026 acima). Segundo o relatório de inteligência da PF, transcrito na defesa de Moraes, Mendonça lidava ainda com "ilicitudes aparentes" ligadas a Nunes Marques, com "discurso de defesa" (defesa de Moraes, via Poder360, 15/09/2026).
  • 26/05 e 15/07/2026 — Cláudio Castro: a PF fez uma primeira busca na cobertura de Castro, na Barra da Tijuca, em 26/05. Em 15/07, Mendonça negou a segunda busca, pedida pela PF com parecer favorável de Gonet, escrevendo que operações não podem ser "instrumentos de varredura ampla, investigação prospectiva ou devassa na vida pessoal" (Jornal de Brasília, 25/09/2026; Metrópoles, 12/09/2026). As relações de Mendonça com Castro estão na página de André Mendonça.
  • 30 e 31/07/2026: a pedido da PF, autorizou dois inquéritos contra Lulinha, filho de Lula, por suspeita de tráfico de influência no Ministério da Saúde e na Dataprev (CNN, 2026). Em 20/08, a PGR pediu que os casos fossem para a 1ª instância (Caso Lulinha).
  • 13/08/2026 — ACM Neto: segundo o relatório de inteligência da PF, numa reunião Mendonça disse que ACM Neto, candidato ao governo da Bahia, "aparentaria estar exercendo atividade de representação de interesses dentro dos limites do permitido". Para a PF, o caso dele "guarda similaridade relevante" com o de Lulinha (defesa de Moraes, via Poder360, 15/09/2026). Mendonça responde que quebrou os sigilos de ACM Neto como os de Lulinha, mas as quebras de ACM Neto ficaram em sigilo, e as de Lulinha viraram "fato público e notório" (resposta de Mendonça, 21/09/2026).
  • 24/08/2026: no processo principal do caso Master (Pet 15.556), Mendonça deu 72 horas à PF para informar o andamento da "identificação dos integrantes da suposta rede de influência e monitoramento gerenciada por DANIEL BUENO VORCARO" (A Pública, 09/2026). A ordem pedia a identificação das pessoas citadas em mensagens específicas, "aí incluídas eventuais detentoras de foro por prerrogativa de função, inclusive aquelas eventualmente sujeitas à incidência do art. 5º, I, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal", e "a íntegra de todas as mensagens e interações existentes que envolvam as mesmas pessoas" (ordem transcrita no relatório da PF, p. 3-4). Esse artigo do Regimento trata do presidente e do vice-presidente da República, dos presidentes do Senado e da Câmara, dos ministros do STF e do procurador-geral da República. Relatórios de inteligência da PF, que Mendonça considera ilícitos, afirmam que em reuniões anteriores ele "indagou expressamente" sobre Moraes (Poder360, 04/09/2026).
  • 27/08/2026: a PF entregou um relatório de 218 páginas com dados do celular de Vorcaro. Dessas, 181 tratam de um contato registrado como "Alexandre de Moraes BRASILIA" (A Pública, 09/2026). O relatório também traz pesquisas sobre o procurador-geral Paulo Gonet e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. A própria PF avisa que, "em razão do reduzido lapso temporal de 72 horas", a análise "não possui caráter exaustivo" (relatório da PF, p. 217).
  • 28/08/2026: em depoimento à PF, Vorcaro não disse para quem enviou a mensagem de 30/10/2025 que o relatório atribui a Moraes: "É importante reforçar com Andrei e Paulo para não deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem que aí vai tudo para saco". O delegado Albert Paulo Sérvio de Moura perguntou quem eram "Andrei" e "Paulo" e para quem o texto foi enviado, sem dizer que o destinatário seria Moraes. Vorcaro respondeu: "Não quero fazer inferência aqui sem ter certeza. Posso depois responder oportunamente quando tiver certeza". Confirmou apenas que o "G" das mensagens é, provavelmente, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Para a PF, "Paulo" seria o procurador-geral Paulo Gonet, e "Andrei", o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Os vídeos do depoimento foram divulgados em 13/09 (Revista Oeste, 13/09/2026). Moraes nega desde março ter recebido as mensagens e afirma que elas foram para "outros contatos que constam na agenda de Vorcaro" (Agência Brasil, 06/03/2026).
  • 28/08/2026 — o relatório sobre Moraes vai para um processo à parte: no dia seguinte ao da entrega do relatório feito em 72 horas, que a própria PF avisou ser limitado pelo prazo, Mendonça o tirou do processo principal do caso Master e abriu um processo só para ele, a Pet 16.662. Alegou que o documento identificava "pessoa que atrai a incidência do art. 5º, I, do RISTF", cujo caso cabe ao Plenário (STF, despacho de 12/09/2026).
  • 01/09/2026 — só Moraes vem a público: Mendonça abriu o sigilo apenas do relatório sobre Moraes e mandou o caso ao Plenário, escrevendo que "o caminho inevitável dos presentes autos leva ao Plenário deste Supremo Tribunal Federal" (STF, despacho de 01/09/2026). O relatório descreve supostos contatos entre Vorcaro e Moraes e o contrato do banco com o escritório de Viviane Barci de Moraes, mas "não conclui que Moraes tenha cometido crime ou atuado para beneficiar Vorcaro" (Congresso em Foco, 01/09/2026). Moraes não era o único ministro no material, e Mendonça sabia disso havia meses:

  • Desde maio: a decisão de Mendonça de 18/05, na Pet 15.625, já citava os dois arquivos montados por um perito da PF a partir do celular de Vorcaro, "Moraes.pdf" e "Toffoli e esposa.pdf". Mais de três meses antes de abrir o caso de Moraes, ele sabia que o material envolvia ao menos dois ministros (defesa de Moraes, via Poder360, 15/09/2026).

  • No celular: o mesmo celular, cuja cópia Mendonça negou aos colegas, tinha mensagens sobre os filhos de Fux e de Kassio Nunes Marques, que só vieram a público em 15/09, por vazamento à imprensa (ver os itens de 14 e 15/09 abaixo e Os dois pesos de Mendonça). Na sessão de 15/09, Dino citou também "as mensagens relativas ao ministro André": o material que Mendonça segurou mencionava inclusive ele próprio (O Tempo, 15/09/2026).
  • O recorte: segundo a defesa de Moraes, o relatório de inteligência da PF sobre "o recorte adotado e o que dele ficou de fora" mostra que os outros ministros citados nos documentos apreendidos foram deixados de lado por Mendonça, que direcionou a apuração "única e exclusivamente" a Moraes (defesa de Moraes, via Poder360, 15/09/2026).
  • A data: o sigilo caiu seis dias antes do 7 de Setembro, e as mais de 30 quebras de sigilo bancário e fiscal do caso Master continuaram fechadas (Bahia Notícias, 14/09/2026). Moraes acusa o próprio Mendonça de ter vazado o material à imprensa "na semana antecedente ao 7/9" (defesa de Moraes, via Poder360, 15/09/2026).
  • 03/09/2026: Moraes enviou ao presidente do STF, Edson Fachin, um pedido de investigação contra Mendonça por supostas irregularidades na relatoria das operações Sem Desconto (INSS) e Compliance Zero (Master) (Agência Brasil, 03/09/2026). Segundo o Brasil de Fato, Moraes apontou "fortes indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade, crime de responsabilidade e favorecimento político" (Brasil de Fato, 04/09/2026). Na mesma decisão, no inquérito das fake news, Moraes retirou o sigilo de seis relatórios de inteligência da PF produzidos entre 3 e 31 de agosto (STF, decisão de 08/09/2026, item 5).
  • 03/09/2026: parlamentares do PSOL pediram ao TCM-SP, ao TCE-SP e ao Ministério Público de São Paulo que investiguem os contratos do Instituto Iter, do qual Mendonça era sócio. Segundo A Pública, foram ao menos 52 contratos sem licitação, somando R$ 8,2 milhões em dois anos, com órgãos como o Tribunal de Justiça do Amazonas e os governos de São Paulo e do Rio de Janeiro. Mendonça deixou a sociedade do instituto (A Pública, 11/09/2026).
  • 04/09/2026 — o vídeo aos religiosos: Mendonça mandou a líderes religiosos um vídeo agradecendo as orações, e Damares Alves, Sóstenes Cavalcante, Nikolas Ferreira e Bia Kicis o espalharam três dias antes do ato bolsonarista de 7 de Setembro (O Tempo, 04/09/2026). Os detalhes estão em A crise e a eleição.
  • 05/09/2026 — o padrinho do encontro com Vorcaro na mira da PF: Dino autorizou uma operação da PF contra o deputado Cezinha de Madureira (PL-SP), por suspeita de tráfico de influência em tribunais superiores. Cezinha pediu votos para Mendonça no Senado em 2021 e articulou o encontro dele com Vorcaro em 2025 (ver Instituto Iter e a relação com Vorcaro) (Revista Fórum, 14/09/2026).
  • 06/09/2026 — pressa seletiva: dez dias depois de receber o relatório sobre Moraes, Mendonça já o tinha liberado para julgamento pelo Plenário (STF, despacho de 12/09/2026). As mais de 30 quebras de sigilo bancário e fiscal do caso Master, pedidas pela PF em março, continuavam fechadas no gabinete dele (Bahia Notícias, 14/09/2026).
  • 07/09/2026 — Mendonça na Paulista: no ato de Flávio Bolsonaro contra Lula e Moraes, um boneco inflável de Mendonça ficou atrás do palco (Agência Pública, 07/09/2026). Ver A crise e a eleição.
  • 08/09/2026, por volta das 8h30: Mendonça afastou do cargo o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada (STF, decisão de 08/09/2026; Gazeta do Povo, 08/09/2026):

  • O pedido veio do partido Novo, que em 02/09 pediu o afastamento de Andrei e em 03/09 pediu a prisão preventiva dele, com base em mensagens do celular de Vorcaro que citam "Andrei".

  • Mendonça escreveu que foi "submetido a monitoramento sistemático por parte da inteligência da polícia federal" e que se trata de "monitoramento ilícito de Ministro da Suprema Corte do país". Segundo a decisão, um dos relatórios trazia análises sobre a relação entre Mendonça e o advogado-geral da União, Jorge Messias, e concluía que o tema "autoriza monitoramento e coleta dirigida".
  • Além do afastamento, mandou a Corregedoria da PF abrir apurações penais e disciplinares e suspendeu a produção de relatórios de inteligência sobre atos de juízes, da advocacia pública e da polícia judiciária.

No mesmo dia, a AGU pediu a Fachin a suspensão do afastamento, argumentando que a decisão "afronta as prerrogativas da Presidência da República para nomear e demitir livremente o diretor-geral da PF" (Poder360, 08/09/2026). - 08/09/2026, a partir das 10h: a Segunda Turma analisou o afastamento numa sessão virtual extraordinária, aberta das 10h às 23h59 do mesmo dia. Até as 10h05, Gilmar Mendes já tinha pedido vista, o que suspende o julgamento (Migalhas, 08/09/2026). Mesmo assim, Luiz Fux e Nunes Marques anteciparam o voto e acompanharam Mendonça menos de dez minutos após a abertura, formando maioria de 3 dos 5 integrantes da Turma (Metrópoles, 08/09/2026; Gazeta do Povo, 08/09/2026). Dias Toffoli não votou. Segundo o Metrópoles, declarou-se impedido. Com a vista, o julgamento parou, mas o afastamento continuou valendo (Metrópoles, 08/09/2026). A certidão oficial registra os votos de Mendonça, Fux e Nunes Marques e o pedido de vista de Gilmar (STF, certidão de julgamento). Gilmar apresentou três razões (STF, pedido de vista de 08/09/2026):

  • o caso "foi incluído em pauta no próprio dia do julgamento, menos de uma hora antes do início da sessão virtual";
  • o afastamento foi determinado a partir de pedido de partido político, "em aparente contrariedade ao art. 282, § 2º, do Código de Processo Penal", e o caso seria do Plenário, não da Segunda Turma;
  • um precedente do STF (ADPF 1.017) declara inconstitucionais "decisões jurisdicionais tendentes a promover o desequilíbrio da disputa político-eleitoral".
  • 08/09/2026: no mesmo dia, Mendonça aliviou as medidas contra seis investigados da Operação Sem Desconto, sobre a fraude no INSS (Band, 08/09/2026; Perfil, 09/09/2026):

  • O ex-procurador-geral do INSS Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, preso desde novembro de 2025, e o contador da Conafer Samuel Chrisostomo do Bomfim Junior trocaram a prisão preventiva por tornozeleira eletrônica.

  • Thaisa Hoffmann Jonasso, mulher de Virgílio, teve a prisão domiciliar revogada.
  • José Carlos Oliveira, ex-ministro do Trabalho e Previdência de Bolsonaro, Pedro Alves Corrêa Neto e Gilmar Stelo deixaram de usar tornozeleira, mas continuam proibidos de ter contato com outros investigados e de viajar.

Na decisão, Mendonça escreveu que "os riscos remanescentes podem ser adequadamente enfrentados por medidas menos sacrificantes". - 09/09/2026: Mendonça revogou a prisão preventiva de Romeu Carvalho Antunes, filho de Antônio Camilo Antunes, o "Careca do INSS". Os investigadores tratam Romeu como "possível sucessor do pai na estrutura investigada". Ele passou a usar tornozeleira e ficou proibido de ter contato com outros investigados. O pai continua preso (InfoMoney, 09/09/2026). Somando as decisões de 08 e 09/09, foram 7 investigados beneficiados: 3 saíram da prisão preventiva, 1 deixou a prisão domiciliar e 3 deixaram de usar tornozeleira. - 09/09/2026: o PT pediu ao STF o fim do sigilo em 9 processos do caso Master relatados por Mendonça e em 4 relatados por Dino, entre eles os que tratam dos repasses de Vorcaro ao filme "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro. O partido aponta uma "publicidade em mosaico", em que documentos isolados chegam ao debate público sem o contexto completo, enquanto informações sobre Flávio Bolsonaro seguem em sigilo. No mesmo dia, Lula defendeu a "abertura de todos os sigilos relacionados ao Banco Master" (Poder360, 10/09/2026). - 09/09/2026: o ministro Flávio Dino mandou reintegrar os dois diretores da PF, apontando "atropelos processuais" e dizendo que o Novo "não possui legitimidade para requerer medidas cautelares em investigações criminais" (Agência Brasil, 09/09/2026). No mesmo dia, Fachin suspendeu a decisão de Mendonça e a de Dino e convocou sessão extraordinária do Plenário para 15/09. Disse: "É grave o quadro em que decisões de Ministros passam a ser desafiadas horizontalmente" (Congresso em Foco, 09/09/2026). A decisão de Fachin (Pet 16.704) também determinou "a suspensão de todo e qualquer procedimento que verse sobre potencial investigação em face de integrantes deste Supremo Tribunal Federal" (STF, despacho de 12/09/2026). - 11/09/2026: a pedido da PGR, Mendonça retirou o sigilo de 18 processos, entre eles casos que envolvem os senadores Jaques Wagner (PT-BA) e Ciro Nogueira (PP-PI), Cláudio Castro e o financiamento do filme "Dark Horse" (CNN Brasil, 11/09/2026). No mesmo dia, negou pela segunda vez enviar aos demais ministros a cópia dos dados do celular de Vorcaro, pedida por Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes antes da sessão de 15/09. Argumentou que a cópia guardada em seu gabinete, entregue lacrada pela PF em 08/03/2026, é "contraprova a ser utilizada apenas em caso de necessidade em decorrência da perda ou do extravio do material original, o qual encontra-se em poder da Polícia Federal", e que "todo o material utilizado para o julgamento da próxima 3ª feira encontra-se disponível, na íntegra" (Poder360, 11/09/2026). - 12/09/2026 — o caso de Moraes sai das mãos de Mendonça: por ordem de Fachin, Mendonça teve de mandar a Pet 16.662 à Presidência do STF (STF, despacho de 12/09/2026). Fachin assumiu a relatoria desse processo e suspendeu na Presidência os inquéritos do Master e do INSS, "sem retirar a relatoria do ministro André Mendonça" (Poder360, 12/09/2026). - 14/09/2026: a PF liberou a cópia dos dados do celular de Vorcaro a Zanin, Gilmar Mendes e Moraes. Zanin e Gilmar pediram direto à PF, por ofício, depois das negativas de Mendonça (CNN Brasil, 14/09/2026). Na véspera, a PF tinha informado ao STF que podia enviar a cópia aos gabinetes de todos os ministros (Poder360, 14/09/2026). - 14/09/2026: a pedido de Moraes, Mendonça retirou o sigilo da Pet 15.645, que guarda um relatório do Coaf sobre pagamentos de Vorcaro enviado à PF em fevereiro. O relatório cita pagamentos a pelo menos 303 pessoas físicas e 520 empresas (Migalhas, 14/09/2026; CartaCapital, 14/09/2026). O Coaf reteve parte das informações pela "possível presença, entre as informações financeiras, de pessoas submetidas a foro por prerrogativa de função". Num ofício de 10/03/2026, assinado pelo delegado Daniel Penido de Britto, a PF pediu a Mendonça que autorizasse o "imediato compartilhamento integral de todas as comunicações omitidas". Disse que, sem esses dados, não é possível compreender "a totalidade da cadeia de repasses" nem identificar "os reais beneficiários dos recursos investigados" (ICL Notícias, 14/09/2026). Quando os autos foram liberados, seis meses depois, não havia registro de decisão de Mendonça sobre o pedido (CNN Brasil, 14/09/2026). No mesmo dia, a PGR disse que não sabia da petição quando ela foi aberta (Poder360, 14/09/2026) e pediu que o gabinete de Mendonça "certifique" se "não houve, de fato, nenhuma decisão" (CartaCapital, 14/09/2026). - 14/09/2026: a Folha revelou que Mendonça mantém em sigilo as quebras de sigilo bancário e fiscal de mais de 30 pessoas e empresas do caso Master, material mais completo que o relatório do Coaf pedido por Moraes. Oito dias depois do pedido de março sobre os dados retidos pelo Coaf, a PF pediu a quebra de sigilo dos mesmos alvos. Mendonça autorizou e considerou o primeiro pedido prejudicado. Entre os alvos estão a Super Empreendimentos, suspeita de servir de canal para pagamentos de Vorcaro a uma milícia privada e a agentes públicos, e a Moriah Asset, fundo ligado a Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro de Vorcaro. O gabinete diz que o processo segue em sigilo porque a PF ainda não juntou o relatório de análise das movimentações (Jornal do Comércio, com Folhapress, 14/09/2026; Bahia Notícias, 14/09/2026). - 14/09/2026: a PF faz a operação contra Cezinha. Diz que, até agora, "não há elementos que indiquem a participação de integrantes do Poder Judiciário nos fatos apurados" (Brasil de Fato, 14/09/2026). Cezinha diz que o celular dele foi furtado três dias antes, em 11/09, na Avenida Paulista, e que "em apenas 15 minutos" os criminosos acessaram suas contas e trocaram as senhas do WhatsApp e do aparelho (Metrópoles, 14/09/2026). O furto teria acontecido seis dias depois de Dino autorizar a operação. O deputado divulgou o boletim de ocorrência depois que a imprensa noticiou que não havia registro (Metrópoles, 14/09/2026). - 14/09/2026 — a defesa de Moraes: num ofício de 44 páginas a Fachin, em 121 tópicos, Moraes disse que a investigação contra ele foi aberta por Mendonça "de ofício, sem pedido da PF, sem manifestação da PGR" e que ela "não apontou um ato de ofício" dele para favorecer o Master ou Vorcaro. Sobre o escritório da mulher, escreveu: "jamais atuei em qualquer caso envolvendo o escritório Barci de Moraes" (defesa de Moraes, via Poder360, 15/09/2026) - 14/09/2026 — a seletividade apontada pela PF: na defesa, Moraes transcreveu trechos do relatório de inteligência da PF sobre a conduta de Mendonça. São avaliações da unidade de inteligência, e não decisões (defesa de Moraes, via Poder360, 15/09/2026):

  • Toffoli e Nunes Marques: segundo a PF, Mendonça "adota posturas muito diferentes diante de ilicitudes aparentes" ligadas aos dois, "apresentando discurso de defesa", em comparação com o tratamento dado a Moraes.
  • Os alvos: a PF avalia que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, "constitui provável alvo estratégico", por controlar a pauta de pedidos de impeachment de ministros do STF.
  • 15/09/2026, antes da sessão: vazaram novos diálogos do celular de Vorcaro envolvendo pessoas próximas a três ministros (Diário do Nordeste, 15/09/2026; Jornal da Band, 15/09/2026):

  • Mensagens publicadas pelo UOL citam pagamentos de R$ 500 mil por mês a Kevin Marques, filho de Kassio Nunes Marques, pela empresa Consult Inteligência Tributária. Em outubro de 2024, o então diretor jurídico do Master, Luiz Rennó, envia a Vorcaro uma planilha com o nome de Kevin e escreve "Dominado aqui". Em julho de 2025, pergunta: "Esse aí — R$ 500 mil por mês — se mantém?". A Consult recebeu R$ 6,6 milhões do Master entre agosto de 2024 e julho de 2025, e os envolvidos confirmam que o advogado recebeu R$ 281,6 mil da Consult (Jornal Opção, 15/09/2026; Jornal GGN, 15/09/2026).

  • Em dezembro de 2024, uma agente de viagens pergunta a Vorcaro se cobra do ministro ou "joga" a conta para ele, numa viagem de 10 dias para 5 pessoas, de 8 a 18 de janeiro. Vorcaro responde: "Sim. Atende. Tudo." As mensagens não identificam quem viajou (Jornal GGN, 15/09/2026).
  • Em 28/02/2025, uma mulher identificada como Rayanna avisa a Vorcaro que "as meninas estão prontas" e pede um endereço. Semanas depois, cobra o banqueiro: "A minha amiga lá aquele dia! Deu certo, né? Ela disse que ficou com Kassio! Ela tá me cobrando aqui". Vorcaro pede "dados e valor", e ela indica "10, né?". As mensagens não esclarecem a natureza do encontro nem a que se referia o valor (Revista Fórum, 15/09/2026; Metrópoles, 15/09/2026).
  • Os contatos entre Vorcaro e Rodrigo Fux, filho de Luiz Fux, vão de maio de 2024 a agosto de 2025. Em novembro de 2024, Vorcaro escreve: "Quero te chamar para me ajudar num caso". Em dezembro, Rodrigo responde "Tapete vermelho irmão" ao marcar um encontro no escritório dele no Rio. Em fevereiro de 2025, Vorcaro oferece convites para um camarote no Carnaval do Rio, e em março Rodrigo orienta que ele procure a secretária do pai no STF. Os diálogos também mostram articulação para levar o ministro Luiz Fux a um evento em Londres (Revista Fórum, 15/09/2026; Jornal GGN, 15/09/2026).
  • 15/09/2026: Nunes Marques declarou-se impedido de julgar o caso. Disse que preside o TSE, que o processo pode ter efeitos político-eleitorais e que nunca trocou mensagem com Vorcaro (O Tempo, 15/09/2026). Uma semana antes, em 08/09, ele não viu impedimento para antecipar o voto na Segunda Turma a favor do afastamento do diretor-geral da PF, na mesma crise. Dias Toffoli declarou-se suspeito. Com uma vaga aberta no tribunal, sobraram 8 ministros para votar, contando Moraes, e um empate de 4 a 4 ficou possível. O regimento dá ao presidente o voto de desempate quando falta ministro por impedimento ou suspeição, mas Fachin já vota como relator (CNN Brasil, 15/09/2026).
  • 15/09/2026: na sessão, Moraes afirmou que Mendonça decidiu em 18/05/2026, na Pet 15.625, apreender e preservar um arquivo chamado "morais.pdf", descrito por ele como um dossiê ilegal feito por um perito em conluio com uma jornalista, e que só em 24/08, de ofício, abriu a investigação contra ele. Mendonça respondeu que são "versões e interpretações". Gilmar Mendes e Mendonça também trocaram acusações. A sessão terminou sem decisão, com placar provisório de 4 votos a 3 para julgar separados os casos de Moraes e de Mendonça, e Flávio Dino pediu vista, que pode durar até 90 dias (O Tempo, 15/09/2026; TVT News, 15/09/2026).
  • 15/09/2026 — "Quem é o vazador-geral da República?": na mesma sessão, Gilmar Mendes disse a Fachin que "até as pedras sabem que há um inequívoco viés político-eleitoral na forma como o tema foi conduzido", comparou o caso a um "boneco eleitoral" e perguntou: "Quem é o vazador-geral da República? Interessante que nos nossos gabinetes não vaza nada". Mendonça chamou a postura do colega de "leviana" e respondeu que "todos os vazamentos têm determinação de instalação de inquérito" (JuriNews, 15/09/2026; Brasil 247, 15/09/2026).
  • 15/09/2026: antes de pedir vista, Dino disse a Fachin que ele tinha marcado "esta sessão desastrada" e perguntou: "As mensagens do ministro Fux, as mensagens do ministro Kassio, as mensagens relativas ao ministro André, nós vamos parar aonde?". Fux interrompeu: "Pode ter alguém falando de mim, comigo não. Nunca vi esse cidadão na minha vida". Dino respondeu a Fux: "Vossa excelência terá que esclarecer isso em um momento próprio. Infelizmente, há menção ao nome de vossa excelência" (O Tempo, 15/09/2026).
  • 17/09/2026 — dois pesos: o caso de Moraes foi a julgamento em 15/09, mas a sessão sobre o pedido de investigação contra Mendonça, marcada para 23/09, foi adiada por Fachin sem nova data (Correio Braziliense, 17/09/2026). O adiamento veio da questão de ordem de Gilmar Mendes, sugerida por Dino, que não mira só Moraes: propõe juntar os dois casos, tirar a relatoria da Presidência e identificar todos os ministros de qualquer tribunal citados como possíveis beneficiários de pagamentos ilícitos de Vorcaro, diretamente ou por parentes (Conjur, 15/09/2026).
  • 22/09/2026 — o contra-ataque: as acusações contra Mendonça se baseiam em relatórios de inteligência da própria PF (Poder360, 04/09/2026). A resposta dele foi pedir a Fachin o arquivamento e a investigação de quem o acusou, Moraes, por abuso de autoridade e denunciação caluniosa (O Tempo, 22/09/2026).
  • 25/09/2026 — o Novo perde o ataque a Gonet: o Conselho Superior do MPF manteve, por 9 votos a 0, o procurador-geral Paulo Gonet à frente do caso Master e rejeitou, por 5 a 4, abrir uma investigação sobre ele. O pedido era do Novo, o mesmo partido que pediu a prisão do diretor-geral da PF. Gonet foi citado em mensagens do celular de Vorcaro e aparece numa foto com o banqueiro num evento do Master em Londres, em 2024, publicada pelo O Globo. Disse que a interação entre os dois foi "brevíssima e banal" (Jornal Cruzeiro do Sul, com Estadão Conteúdo, 25/09/2026).

O que não consta contra Moraes

  • O relatório da PF de 218 páginas sobre o celular de Vorcaro "não conclui que Moraes tenha cometido crime ou atuado para beneficiar Vorcaro" (Congresso em Foco, 01/09/2026).
  • Moraes nunca foi relator dos processos do Banco Master: a relatoria era de Dias Toffoli até 12/02/2026, quando passou a Mendonça (Agência Brasil, 12/02/2026).
  • A PF apontou que dois servidores do Banco Central receberam propina para orientar Vorcaro em reuniões com a instituição (G1, 11/09/2026) e que um ex-diretor do BC ajudou Vorcaro a ampliar sua aposta no Master com aquisições (Valor, 11/09/2026) — um canal de informações do banqueiro dentro do BC que não passa por Moraes.

Próximos passos

  • Sem data — o caso de Mendonça parado: o pedido de investigação contra Mendonça, que seria julgado em 23/09, está sem data desde 17/09 (Correio Braziliense, 17/09/2026). A questão de ordem que manda identificar todos os ministros citados como beneficiários de Vorcaro volta quando Dino devolver a vista, em até 90 dias contados de 15/09 (Brasil de Fato, 15/09/2026).
  • Sem data — os sigilos de Mendonça: Mendonça abriu o relatório sobre Moraes, mas as mais de 30 quebras de sigilo bancário e fiscal do caso Master continuam fechadas no gabinete dele (Bahia Notícias, 14/09/2026). Os pedidos do PT pelo fim dos sigilos, inclusive dos que tratam do dinheiro de Vorcaro para o filme sobre Bolsonaro, seguem sem decisão (Poder360, 10/09/2026).
  • Sem data — o diretor da PF: a Segunda Turma retoma, quando Gilmar Mendes devolver a vista, o julgamento do afastamento do diretor-geral da PF, que Mendonça decretou a pedido do Novo com base em mensagens de Vorcaro que citam "Andrei" (ver 08/09/2026).
  • 04/10/2026 — o juiz da eleição: no primeiro turno, Mendonça, alvo de um pedido de investigação no STF, é o vice-presidente do TSE que conduz a eleição (ver Vice-presidente do TSE nas eleições de 2026).

Documentos do caso

Não é opinião, é o documento: as íntegras abaixo permitem conferir na fonte o que cada lado diz.

Ver também


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