Eleições 1998¶
Resumo
Fernando Henrique Cardoso foi reeleito no primeiro turno, com 53% dos votos válidos, graças a uma regra mudada no primeiro mandato dele. Em 1997, a Folha de S.Paulo revelou gravações em que dois deputados do Acre contavam ter recebido R$ 200 mil cada um para votar a favor da emenda da reeleição. Os dois renunciaram, a CPI foi barrada, o procurador-geral Geraldo Brindeiro não levou o caso ao STF e o Senado aprovou a emenda. Em 2007, o próprio FHC admitiu que "provavelmente" houve compra de votos, e em 2020 chamou a reeleição de "erro".
A campanha vendeu a estabilidade do real. Doze dias depois da segunda posse, o presidente do Banco Central pediu demissão e o governo deixou de segurar o dólar, que o Banco Central mantinha numa faixa de R$ 1,12 a R$ 1,22. Em março de 1999, o dólar chegou a R$ 2,16.
O resultado¶
- 04/10/1998 — reeleito no primeiro turno: FHC teve 35.936.382 votos (53,06% dos válidos), Lula 21.475.211 (31,71%) e Ciro Gomes 7.426.187 (10,97%) (Wikipedia).
A reeleição comprada¶
- 28/01/1997 — a emenda passa na Câmara: a Câmara aprovou em primeiro turno a emenda que permitia a reeleição de presidente, governadores e prefeitos, e que valia para o próprio FHC (Poder360, 08/09/2020).
- 13/05/1997 — "Deputado conta que votou pela reeleição por R$ 200 mil": com essa manchete, a Folha publicou a reportagem de Fernando Rodrigues. Em conversas gravadas pessoalmente, e não por grampo, os deputados Ronivon Santiago e João Maia, do PFL do Acre, contavam ter recebido R$ 200 mil em dinheiro cada um. As gravações foram periciadas. Os deputados citavam o ministro das Comunicações, Sérgio Motta, amigo e principal articulador político de FHC, e os governadores do Amazonas, Amazonino Mendes, e do Acre, Orleir Cameli, aliados do Planalto. Nenhum dos três foi investigado (Poder360, 08/09/2020).
- 21 e 22/05/1997 — a operação abafa: oito dias depois da reportagem, os dois deputados renunciaram ao mandato alegando "motivos de foro íntimo". "Nunca vi ganhar um boi para entrar e uma boiada para sair", ironizou o deputado Delfim Netto. No dia seguinte, dois ministros do PMDB, o partido que mais ajudou a barrar a CPI, tomaram posse: Eliseu Padilha, nos Transportes, e Iris Rezende, na Justiça (Poder360, 08/09/2020).
- 04/06/1997 — o "engavetador-geral": o Senado aprovou a emenda, que foi promulgada. O procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, recusou todos os pedidos para denunciar o caso ao STF e ficou conhecido como "engavetador-geral da República". A PF só ouviu o repórter em 2001, num inquérito que "não deu em absolutamente nada" (Poder360, 08/09/2020).
- 2007 e 2020 — FHC admite: num evento da Folha, em 2007, FHC disse: "Houve compra de votos? Provavelmente. Foi feita pelo governo federal? Não foi. Pelo PSDB: não foi. Por mim, muito menos". Para o Poder360, a negativa "não apaga o fato de que o caso esteja repleto de provas documentais, materiais". Em artigo no Estadão, em 06/09/2020, FHC escreveu: "Devo reconhecer que historicamente foi um erro" (Poder360, 08/09/2020).
Mais sobre a compra da reeleição¶
- Compra da reeleição: FHC desafiou, então aqui está o vídeo – blog Limpinho e Cheiroso, 08/05/2015: o vídeo sobre a compra de votos para a emenda da reeleição, segundo o blog · fora do ar em 13/09/2026, 404 · buscar cópia no Internet Archive
O real segurado até a eleição¶
- 13/01/1999 — a conta chega depois da posse: doze dias depois da segunda posse de FHC, o presidente do Banco Central, Gustavo Franco, o maior defensor do real fortemente valorizado, pediu demissão. A faixa em que o Banco Central mantinha o dólar, de R$ 1,12 a R$ 1,22, foi alargada e, em 15/01, abandonada. O dólar chegou a R$ 1,98 em 28/01 e a R$ 2,16 em 03/03/1999. Parte do dinheiro para sustentar o real valorizado veio da dívida externa, que saltou de US$ 120 bilhões em 1994 para US$ 250 bilhões em 2000 (Wikipedia).
- 29/01/1999 — a "sexta-feira negra": a própria Fundação FHC registra o "clima de pânico" daquele dia, quando boatos de um bloqueio das finanças provocaram corrida aos bancos e alta do dólar (Fundação FHC).
Ver também¶
- O roteiro da direita nas eleições: a reeleição comprada ao lado das outras vezes em que a máquina pública virou cabo eleitoral
- Comparação FHC x Lula e Dilma: os links do acervo sobre FHC
- Farsa do Mensalão do PT: o esquema de Marcos Valério, que nasceu em 1998 na campanha de reeleição do tucano Eduardo Azeredo
- Comparação FHC x Lula e Dilma: os números dos governos
- Eleições 1989, Eleições 1994, Eleições 2010 e Eleições 2014