Eleições 2006¶
Resumo
Um ano depois do escândalo do mensalão, Lula foi reeleito com 58,3 milhões de votos, o recorde que só ele mesmo superaria, em 2022. Geraldo Alckmin teve 2,4 milhões de votos a menos no segundo turno do que no primeiro. Dezesseis anos depois, o adversário de 2006 foi o vice na chapa de Lula.
Na reta final do primeiro turno estourou o caso do dossiê: dois petistas foram presos num hotel de São Paulo com R$ 1,7 milhão para comprar documentos sobre o envolvimento de tucanos na máfia das ambulâncias. Dois dias antes da votação, o delegado da PF que fez a prisão vazou as fotos do dinheiro para a imprensa, contra a proibição do comando da PF, e foi gravado combinando a versão de que o material tinha sido furtado da sala dele. A Justiça arquivou o inquérito sobre o vazamento. Em 2007, o TSE rejeitou a ação da coligação de Alckmin contra Lula: nunca ficou demonstrado que o dinheiro fosse do PT. Em 2015, a Justiça Federal rejeitou a denúncia contra os acusados de comprar o dossiê.
O resultado¶
- 01/10/2006 — o primeiro turno: Lula teve 44,66 milhões de votos (48,61% dos válidos), Alckmin 39,97 milhões (41,64%), Heloísa Helena 6,85% e Cristovam Buarque 2,64% (Agência Câmara, 10/2006).
- 29/10/2006 — Lula reeleito: Lula teve 58.295.042 votos (60,83% dos válidos), contra 37.543.178 (39,17%) de Alckmin (Wikipedia), que perdeu cerca de 2,4 milhões de votos do primeiro para o segundo turno. A votação de Lula em 2006 foi o recorde até 2022, quando ele próprio o superou (Poder360, 31/10/2022).
- 30/10/2022 — o adversário virou vice: Lula venceu a eleição de 2022 com Geraldo Alckmin como vice (TSE, 30/10/2022).
O caso do dossiê¶
- 15/09/2006 — a prisão no hotel: os petistas Valdebran Padilha e Gedimar Passos foram presos num hotel em São Paulo com R$ 1,168 milhão e US$ 248 mil. O dinheiro era para comprar um dossiê vendido pelos donos da Planam, a empresa acusada de chefiar a máfia das ambulâncias, que prometia revelar o envolvimento de tucanos nas fraudes da saúde e prejudicar José Serra, candidato ao governo de São Paulo, e Alckmin. A PF não conseguiu apontar a origem de parte do dinheiro, em notas velhas e sem sequência (Terra, 19/06/2012).
- 29/09/2006 — o vazamento das fotos: dois dias antes do primeiro turno, o delegado Edmilson Bruno, que fez a prisão, vazou para a imprensa um CD com as fotos do dinheiro, que o comando da PF e o Ministério da Justiça tinham proibido divulgar (JCNET/Folhapress, 28/10/2006). Numa gravação revelada pelo Correio Braziliense, ele combinava com jornalistas a versão de que o material tinha sido furtado: "Vou chegar agora para o superintendente e dizer: 'Doutor, me furtaram'. O que vai parecer é que alguém roubou e vazou na imprensa" (Congresso em Foco, 12/10/2006).
- Outubro de 2006 — o vazamento sem punição: antes do segundo turno, a Justiça arquivou, a pedido do MPF, o inquérito que apurava a violação de sigilo pelo delegado. Para o MPF, as fotos "somente revelam que o dinheiro existe", o que não seria fato sigiloso (JCNET/Folhapress, 28/10/2006).
- Abril de 2007 — nenhuma prova contra Lula e o PT: o TSE rejeitou a ação da coligação de Alckmin, que queria investigar Lula, o ex-ministro Márcio Thomaz Bastos, o presidente do PT, Ricardo Berzoini, e os dois presos. O relator, Cesar Asfor Rocha, escreveu que em nenhum momento ficou demonstrado que "as quantias de dinheiro arrecadadas de Valdebran Carlos Padilha e Gedimar Pereira Passos pertenciam ao PT ou foram-lhes repassada pelo partido". A tese do "caixa dois do PT" resultava, segundo ele, de "elaboração abstrata, descalçada de qualquer elemento material". Em 14/09/2010, a Segunda Turma do STF manteve a decisão por unanimidade (STF, 14/09/2010).
- 2012 — os réus: seis anos depois, a Justiça Federal de Mato Grosso aceitou a denúncia contra nove pessoas pela tentativa de comprar o dossiê, entre elas petistas da campanha de 2006 e donos de uma casa de câmbio. Lula não está entre os denunciados (Terra, 19/06/2012).
- Março de 2015 — a denúncia rejeitada: o processo passou de Mato Grosso para o Rio de Janeiro e depois para São Paulo, onde a juíza Fabiana Alves Rodrigues, da 10ª Vara Federal Criminal, rejeitou a denúncia. Segundo a Conjur, para ela a compra de um dossiê sobre rivais políticos "não é conduta que pode ser tipificada na esfera penal", e a denúncia não descrevia como o dinheiro foi obtido. A juíza anulou as decisões anteriores, inclusive a perda dos bens (Conjur, 19/03/2015).
Ver também¶
- O roteiro da direita nas eleições: as fotos do dossiê ao lado das outras bombas da última semana
- Farsa do Mensalão do PT: o escândalo de 2005, um ano antes da reeleição
- Eleições 2002, Eleições 1998, Eleições 2010 e Eleições 2022