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Eleições 2018

Resumo

Lula liderava as pesquisas com o dobro das intenções de voto de Bolsonaro quando foi preso e barrado pelo TSE, contra o pedido do Comitê de Direitos Humanos da ONU. Com Lula fora, Bolsonaro venceu Fernando Haddad no segundo turno. Sergio Moro, o juiz que condenou Lula, divulgou a delação de Antonio Palocci seis dias antes do primeiro turno, o que até procuradores viram como tentativa de influenciar a eleição, e foi sondado durante a campanha para ser ministro de Bolsonaro. Empresários bancaram disparos em massa contra o PT no WhatsApp. O TSE deu os disparos como comprovados, mas não cassou a chapa.

A facada em Juiz de Fora tirou Bolsonaro dos debates, mas não da TV: três dias antes do primeiro turno, enquanto os outros candidatos debatiam na Globo, ele dava uma entrevista exclusiva à Record, de Edir Macedo. A PF concluiu três vezes que Adélio Bispo agiu sozinho, mas a versão oficial deixa perguntas. Adélio treinou no clube de tiro que tem Carlos e Eduardo Bolsonaro como membros dois dias antes de Carlos passar por lá. Segundo Gustavo Bebianno, a única viagem de Carlos com a campanha foi a de Juiz de Fora, e ele atrapalhou a segurança a ponto de o pai descer do carro sem colete. Bolsonaro prometeu recorrer da sentença que considerou Adélio inimputável e não recorreu, e Adélio não pode mais ser condenado.

O resultado

  • 28/10/2018 — Bolsonaro eleito: Bolsonaro teve 57.796.986 votos (55,13% dos válidos), contra 47.038.963 (44,87%) de Fernando Haddad (Agência Brasil, 29/10/2018).

A força do PT

Quem apoiou Bolsonaro

Lula fora da eleição

  • 17/08/2018 — a ONU pede Lula na eleição: o Comitê de Direitos Humanos da ONU pediu que o Brasil garantisse a Lula, preso, o exercício dos direitos políticos como candidato, e que não o impedisse de concorrer até o julgamento completo dos recursos, "em procedimentos judiciais justos" (ONU Brasil, 17/08/2018).
  • Agosto de 2018 — Lula na frente: o Datafolha de 20 e 21 de agosto dava 39% para Lula e 19% para Bolsonaro (Gazeta do Povo, 08/2018).
  • 31/08/2018 — o TSE contra a ONU: o TSE barrou a candidatura de Lula por 6 a 1, com base na Lei da Ficha Limpa. Só Edson Fachin votou a favor, com base na recomendação da ONU (Poder360, 01/09/2018).
  • 28/09/2018 — Lula calado: a nove dias do primeiro turno, Luiz Fux proibiu Lula de dar entrevista, inclusive a publicação de uma entrevista já feita (CUT, 01/10/2018). A condenação e a prisão de Lula estão em Farsa da Lava Jato.

A decisão da ONU

Moro na campanha

  • 01/10/2018 — a delação de Palocci: seis dias antes do primeiro turno, Moro tirou o sigilo de parte da delação de Antonio Palocci. Em mensagens apreendidas pela PF na Operação Spoofing, até procuradores estranharam. "Vejo nesse levantamento do sigilo tentativa de influenciar na eleição presidencial", escreveu João Carlos de Carvalho Rocha (Conjur, 04/02/2021). Pelas mensagens da Vaza Jato, o próprio Moro tinha dúvidas sobre as provas: segundo o procurador Paulo Roberto Galvão, "Russo comentou que embora seja difícil provar ele é o único que quebrou a omerta petista". Januário Paludo disse que o relato de Palocci "parece que está no Google" (Poder360, 29/07/2019).
  • Outubro de 2018 — sondado durante a campanha: o vice eleito, Hamilton Mourão, contou que Moro foi procurado para o ministério de Bolsonaro ainda na campanha: "Isso já faz tempo, durante a campanha foi feito um contato". Quem fez o contato foi Paulo Guedes (Gazeta do Povo, 01/11/2018).
  • 01/11/2018 — Moro ministro: quatro dias depois do segundo turno, Moro aceitou ser ministro da Justiça de Bolsonaro e deixou 22 anos de magistratura (Conjur, 01/11/2018).

A delação de Palocci

Os disparos no WhatsApp

  • Outubro de 2018 — empresários contra Haddad: reportagens da Folha de S.Paulo mostraram disparos em massa no WhatsApp, financiados por empresários, para prejudicar a candidatura de Haddad. Em 28/10/2021, o TSE concluiu que os disparos, impulsionados pelo "gabinete do ódio", visaram atacar adversários em benefício de Bolsonaro e Mourão. Mesmo assim, não cassou a chapa, por não ver "com segurança" a gravidade dos fatos (Conjur, 28/10/2021). A comissão do Congresso que investigou o caso está em CPMI das Fake News (2020).

Steve Bannon

A CPMI das Fake News (2020)

Em 2020, a CPMI das Fake News investigou os disparos em massa e a rede de desinformação bolsonarista.

A PF, o Ministério Público e a campanha

A facada e os debates

  • 06/09/2018 — a facada: Adélio Bispo de Oliveira esfaqueou Bolsonaro num ato de campanha em Juiz de Fora (MG). A PF concluiu que ele agiu sozinho em 28/09/2018 e repetiu a conclusão num segundo inquérito, encerrado em maio de 2020 (Poder360, 06/09/2026).
  • 04/10/2018 — sem debate, com Record: três dias antes do primeiro turno, Bolsonaro faltou ao debate da Globo, alegando orientação médica para não falar mais de dez minutos. No mesmo horário, deu uma entrevista exclusiva de mais de 25 minutos à Record, do bispo Edir Macedo, que tinha declarado apoio a ele (Brasil de Fato, 05/10/2018).

A facada: o que não fecha na versão oficial

A PF concluiu três vezes, em 2018, 2020 e 2024, que Adélio agiu sozinho. Os fatos abaixo, todos documentados, levantam perguntas que essa versão não encerra.

  • 05/07/2018 — o clube de tiro dos filhos: Adélio treinou no Clube .38, em São José (SC), que tem Carlos e Eduardo Bolsonaro como membros, e Carlos treinou lá dois dias depois, em 07/07. Ao defender Carlos do que chamou de "teoria de conspiração", o site Pleno.News confirmou as datas (Pleno.News, 14/05/2019).
  • 16/07/2019 — Bolsonaro não recorre: a Justiça considerou Adélio inimputável e o absolveu, com internação por tempo indeterminado. Bolsonaro, que atuava como assistente da acusação, disse em junho que estava "tomando as providências jurídicas do que posso fazer para recorrer", mas não recorreu, e o Ministério Público também não. A sentença transitou em julgado, e Adélio não pode mais ser condenado (Estadão, via Terra, 16/07/2019).
  • 02/03/2020 — Bebianno: Carlos atrapalhou a segurança: no Roda Viva, Gustavo Bebianno, ex-ministro de Bolsonaro, disse: "A única viagem que o Carlos fez conosco foi essa de Juiz de Fora". Segundo ele, Carlos "cismou" de acompanhar o pai e foi no carro com um drone, e nem Bebianno nem os dois seguranças escalados puderam entrar. "Atrapalhou o esquema de segurança, o que resultou no não uso do colete [à prova de balas] e naquela tragédia da facada" (UOL, 02/03/2020).
  • 11/06/2024 — o advogado e o crime organizado: na terceira investigação, reaberta em 2021 por pressão de Bolsonaro, a PF de novo concluiu que Adélio agiu sozinho, mas descobriu que um dos advogados que o defenderam tinha ligação com o crime organizado (Itatiaia, 11/06/2024). A PF não viu relação entre esse vínculo e o atentado, nem indício de que o crime organizado tenha pagado a defesa (Poder360, 06/09/2026).

Ver também