O roteiro da direita nas eleições¶
Resumo
Desde 1989, toda eleição em que o PT disputa a Presidência segue o mesmo roteiro, e quem ganha com ele é sempre o candidato da direita. Na última semana, aparece uma acusação que só desmorona depois do voto: o depoimento comprado de Miriam Cordeiro e as camisetas do PT nos sequestradores de Abilio Diniz, em 1989, as fotos do dinheiro do dossiê vazadas por um delegado, em 2006, o "Eles sabiam de tudo" da Veja, em 2014, e a delação de Palocci solta por Moro seis dias antes do primeiro turno de 2018, que a própria PF depois desmontou. Em 2026, a Veja voltou com um depoimento de Vorcaro contra Lula que a PF e a PGR disseram, no mesmo dia, que não existia. Quando a bomba não basta, a saída é tirar o adversário da urna: Lula foi preso e, contra o pedido da ONU, barrado em 2018, e em 2026 Flávio Bolsonaro pediu ao TSE a cassação de Lula.
A mentira vem em massa e paga, dos disparos bancados por empresários no WhatsApp, em 2018, à criptomoeda para quem posta a favor de Flávio, em 2026. Quem grita "censura" é quem pede para calar o outro lado: a pedido de Flávio, Nunes Marques, presidente do TSE e indicado por Bolsonaro, tirou do ar um canal pró-Lula com 3,3 milhões de seguidores, e o canal pró-Flávio nunca saiu do ar. Em 2022, a máquina pública virou cabo eleitoral, e a PRF parou ônibus de eleitores no Nordeste no dia do segundo turno. E quando perde, a direita não aceita o resultado: o roteiro é mais antigo que as eleições presidenciais, e em 1982, no Rio, a empresa que totalizava os votos tentou transformar votos de Brizola em brancos e nulos, segundo a FGV. A auditoria do PSDB em 2014 não achou fraude, e a campanha de Bolsonaro contra as urnas terminou no 8 de janeiro.
Eleição em andamento
O segundo turno de 2026 é em 25/10. Os itens de 2026 estão atualizados até 17/10/2026, e o detalhe de cada um está em Eleições 2026.
Os autores mudam: campanhas, jornais e emissoras, delegados, procuradores, juízes e plataformas. Cada item abaixo diz quem fez o quê, com a fonte, e aponta para a página da eleição em que o caso está contado por inteiro.
A bomba da última semana¶
A acusação chega quando já não dá tempo de desmenti-la antes do voto. Depois da eleição, ela desmorona, mas o voto já foi dado.
- Dezembro de 1989 — o depoimento comprado: na reta final, a campanha de Collor pôs no ar Miriam Cordeiro, mãe de uma filha de Lula, acusando-o de racismo e de ter proposto um aborto. Uma jornalista do programa de Collor deixou a campanha e revelou que o irmão do candidato tinha comprado o depoimento por 200 mil cruzados novos (FGV CPDOC, verbete Fernando Collor). Mais em Eleições 1989.
- 11/12/1989 — as camisetas do PT nos sequestradores: a seis dias do segundo turno, a polícia apresentou os sequestradores de Abilio Diniz com camisetas do PT e material da campanha de Lula. "Embora não se tenha comprovado a relação do crime com o PT", o próprio O Globo avaliou em 2024 que o material influenciou o resultado (Estadão, via Terra, 19/02/2024). Mais em Eleições 1989.
- 29/09/2006 — as fotos do dinheiro do dossiê: dois dias antes do primeiro turno, o delegado que prendeu os petistas com o dinheiro vazou as fotos que o comando da PF tinha proibido divulgar, e foi gravado combinando a versão de que o material tinha sido furtado: "O que vai parecer é que alguém roubou e vazou na imprensa" (Congresso em Foco, 12/10/2006). Em 2007, o TSE concluiu que nunca ficou demonstrado que o dinheiro fosse do PT. Mais em Eleições 2006.
- 23/10/2014 — "Eles sabiam de tudo": três dias antes do segundo turno, a Veja publicou que o doleiro Alberto Youssef tinha dito que Lula e Dilma sabiam da corrupção na Petrobras. Segundo o diretor da Conjur, o "depoimento" era um "adendo" a uma delação que ainda não existia, produzido por um delegado e por procuradores da Lava Jato, e a delação homologada em dezembro não tinha "qualquer anexo que falasse de Dilma ou Lula" (Conjur, 28/01/2022). O TSE deu a Dilma direito de resposta. Mais em Eleições 2014.
- 01/10/2018 — a delação de Palocci: seis dias antes do primeiro turno, Moro tirou o sigilo de parte da delação de Antonio Palocci, e até um procurador da Lava Jato estranhou: "Vejo nesse levantamento do sigilo tentativa de influenciar na eleição presidencial" (Conjur, 04/02/2021). Em 2020, a PF concluiu que o episódio narrado por Palocci "não aconteceu" (Conjur, 28/12/2020). Mais em Eleições 2018.
- 09/10/2026 — a Veja de novo, agora com Vorcaro: 16 dias antes do segundo turno, a Veja publicou que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, contou ter liberado R$ 30 milhões para o filme sobre Lula. No mesmo dia, a PF respondeu que Vorcaro "não prestou depoimento com o teor relatado na matéria, tampouco entregou à instituição anexos, documentos ou informações com o conteúdo ali descrito", e a PGR, que "não houve depoimento oral de Vorcaro" (Agência Brasil, 09/10/2026; Poder360, 09/10/2026). Uma semana depois, na entrevista à Globo, Flávio repetiu a história dizendo que a PF tinha confirmado o áudio, o que "não é verdade", segundo o Aos Fatos (Aos Fatos, 16/10/2026).
Tirar o adversário da urna¶
Quando a acusação não basta, o caminho é a Justiça: prender, barrar, cassar. O método de escolher o juiz, condenar sem prova e vazar na hora certa está em Lawfare.
- 31/08/2018 — Lula barrado: Lula tinha 39% das intenções de voto, contra 19% de Bolsonaro, no Datafolha de agosto, quando o TSE barrou a candidatura dele por 6 a 1, contra o pedido do Comitê de Direitos Humanos da ONU para que ele pudesse concorrer até o fim dos recursos (Poder360, 01/09/2018; ONU Brasil, 17/08/2018). Em 2021, o STF anulou as condenações e declarou Moro parcial. Mais em Eleições 2018.
- 01/11/2018 — o juiz vira ministro: quatro dias depois do segundo turno, Moro, que tinha condenado e prendido Lula, aceitou ser ministro da Justiça de Bolsonaro (Conjur, 01/11/2018). Segundo o vice eleito, Hamilton Mourão, o contato tinha sido feito "durante a campanha" (Gazeta do Povo, 01/11/2018). Mais em Eleições 2018.
- 20/07/2026 — as conversas de Lulinha na mão da campanha: segundo coluna de Thomas Traumann no O Globo, a campanha de Flávio já tinha conversas de Roberta Luchsinger com o filho de Lula dez dias antes de o STF abrir o primeiro inquérito, e escolhia quando soltá-las (Jamildo, 20/07/2026). Os três inquéritos contra Lulinha foram abertos entre 30/07 e 04/08, a dois meses da eleição (CNN), e o deputado que tinha pedido a prisão dele na CPMI do INSS virou o vice de Flávio (CNN, 05/08/2026). Mais em Caso Lulinha.
- 23/09/2026 — o pedido de inquérito contra Lula: Flávio, ele próprio investigado no caso do filme Dark Horse, pediu ao STF que investigasse Lula por um suposto presente de Vorcaro. A base é uma mensagem de um advogado a Vorcaro, não uma fala de Lula (CNN, 23/09/2026). Mais em Caso Banco Master.
- 14/10/2026 — o pedido de cassação de Lula: a 11 dias do segundo turno, Flávio pediu ao TSE a cassação da chapa de Lula e Alckmin e a inelegibilidade de 54 dirigentes de sindicatos, entidades estudantis e movimentos sociais. A prova central era a frase de um dirigente da associação dos professores da UFPR num evento (Revista Fórum, 15/10/2026). No dia seguinte, o corregedor-geral eleitoral, Villas Bôas Cueva, negou as medidas urgentes e registrou que 37 dos 54 dirigentes nem eram citados nos fatos narrados (Congresso em Foco, 16/10/2026). Mais em Eleições 2026.
Mentira em escala¶
A mentira não depende de um jornal: ela é distribuída em massa, e muitas vezes alguém paga a conta.
- Outubro de 2018 — os disparos no WhatsApp: empresários bancaram disparos em massa contra Haddad. Em 2021, o TSE concluiu que os disparos, impulsionados pelo "gabinete do ódio", visaram atacar adversários em benefício de Bolsonaro e Mourão, mas não cassou a chapa por não ver "com segurança" a gravidade dos fatos (Conjur, 28/10/2021). Mais em Eleições 2018.
- 24/09/2026 — 43 mentiras sobre o caso Master: o Aos Fatos contou ao menos 43 declarações enganosas de Flávio sobre Vorcaro. Uma virou slogan: "O Pix é do Bolsonaro, o Master é do Lula", e "nem a primeira parte da fala é verdadeira" (Aos Fatos, 24/09/2026). Mais em Eleições 2026.
- 06/10/2026 — criptomoeda para quem posta a favor de Flávio: um site lançou o token B22 e passou a distribuí-lo a quem divulgasse o projeto, que declara apoio ao 22. Num dos vídeos, crianças de Uganda com camisetas do token cantam pedindo voto no 22. Para um advogado eleitoral, é "a mesma lógica e estrutura do que Marçal fazia" com os concursos de cortes de 2024. O projeto diz não ter vínculo oficial com a campanha (Revista Fórum, 08/10/2026).
- 16/10/2026 — R$ 600 mil para a empresa que vendia manipulação: a campanha de Flávio declarou ter pago R$ 600 mil à Elytron, e o PL, outros R$ 131,9 mil. Nos Estados Unidos, segundo documentos obtidos pelo Intercept, a empresa oferecia criar contas falsas, espalhar boatos e desinformação e produzir deepfakes. O Intercept não achou prova de que o sistema tenha sido usado no Brasil, e a campanha diz ter contratado segurança da informação (Intercept, 16/10/2026; GGN, 16/10/2026).
O medo como arma¶
Quando faltam argumentos, a campanha vende o medo: de perder a poupança, do caos, do aborto.
- 1989 — a poupança: contra Lula, circulava que um governo petista confiscaria a poupança da classe média (O Tempo, 30/08/2026). Quem confiscou foi Collor, um dia depois da posse, em 16/03/1990 (Times Brasil/CNBC, 16/03/2026). Mais em Eleições 1989.
- 08/06/2002 — "Serra ou o caos": o megainvestidor George Soros disse que o "Brasil está condenado a eleger José Serra ou a mergulhar no caos" (Poder360, 15/07/2021), e na propaganda de Serra a atriz Regina Duarte disse ter medo do que aconteceria se Lula ganhasse. O caos não veio: o governo Lula quitou em 2005 a dívida que o governo FHC tinha contraído com o FMI, e em 2009 o Brasil emprestou dinheiro ao FMI pela primeira vez (CNN Brasil, 25/04/2022). Mais em Eleições 2002.
- 14/09/2010 — "matar as criancinhas": Monica Serra, mulher do candidato do PSDB, disse a um eleitor evangélico que Dilma era "a favor de matar as criancinhas" (Estadão, via Viomundo, 16/10/2010). Um mês depois, ex-alunas contaram à Folha que a própria Monica relatava em aula ter feito um aborto no exílio. Mais em Eleições 2010.
Pedir censura e gritar "censura"¶
A direita acusa o STF e o TSE de censura, mas é ela que pede para calar o adversário. Em 2026, quem atendeu foram os dois indicados de Bolsonaro que comandam o TSE.
- 28/09/2018 — Lula proibido de falar: a nove dias do primeiro turno, a pedido do partido Novo, para quem "a liberdade de imprensa deve ser ponderada em face da liberdade do voto", Luiz Fux mandou que Lula, preso, "se abstenha de realizar entrevista ou declaração", e proibiu até a divulgação de uma entrevista já feita (Money Times, 29/09/2018; CUT, 01/10/2018). Mais em Eleições 2018.
- 25/09/2026 — o post que não citava Flávio: a pedido de Flávio, André Mendonça, vice-presidente do TSE, mandou apagar um post do humorista Antonio Tabet que não citava ninguém pelo nome (Poder360, 25/09/2026). Dois dias depois, Flávio Dino cassou a ordem. Mais em Nossa Senhora Aparecida na campanha de 2026.
- 11/10/2026 — 3,3 milhões de seguidores fora do ar: a pedido da campanha de Flávio, Nunes Marques, presidente do TSE, tirou do ar até o fim da eleição o canal "Exército do Lula", de André Janones no WhatsApp (CartaCapital, 11/10/2026). Segundo a ação que o deputado Rui Falcão (PT-SP) levou ao STF, a área técnica do TSE não tinha localizado, entre 2 e 11 de outubro, "novas publicações que reproduzam os conteúdos examinados nos autos", e o pedido chegou à Presidência 41 minutos depois de o corregedor reservar para análise outro pedido sobre o mesmo caso. Horas depois, o corregedor, Villas Bôas Cueva, devolveu o canal: "A utilização de vias processuais distintas não pode converter-se em mecanismo de escolha sucessiva do órgão julgador" (Revista Fórum, 14/10/2026).
- 13 e 14/10/2026 — dois pesos para os canais: Nunes Marques derrubou a decisão do corregedor e exigiu que o "Exército do Lula" fosse registrado como canal da campanha. Registrado, o canal ficou fora do ar à espera de um prazo de 48 horas, enquanto o "Tropa do Flávio", canal de Nikolas Ferreira registrado pela campanha de Flávio na mesma tarde, não sofreu restrição igual (ICL Notícias, 16/10/2026; SBT News, 15/10/2026). O canal pró-Lula só voltou no dia 14, depois que a campanha de Lula pediu a suspensão do canal de Flávio pelo mesmo critério. Nunes Marques tinha escrito que "a ausência de registro do canal, por si só, já justificaria sua suspensão", e a campanha de Flávio registrou depois 13 endereços, alguns criados no mesmo dia, sem que nenhum saísse do ar (O Tempo, 16/10/2026).
- 14/10/2026 — calar sindicatos e estudantes: no mesmo pedido de cassação de Lula, Flávio quis proibir sindicatos, a UNE e o MST de usar sedes, sites e redes a favor de Lula. O corregedor negou: eventual descumprimento das regras "deverá ser examinado a partir de condutas concretas e devidamente individualizadas" (Congresso em Foco, 16/10/2026).
A imprensa e as plataformas escolhem o lado¶
- 14 e 15/12/1989 — o debate "produzido": Boni, então diretor-geral da Globo, admitiu em 2011 que a emissora cuidou da "parte formal" do debate de Collor, com pastas vazias de "supostas denúncias contra o Lula" (Pragmatismo Político, 29/11/2011). No dia seguinte, o Jornal Nacional levou ao ar uma edição feita para "mostrar que Collor foi superior" (Gazeta do Povo, 15/11/2009) e, para responder "quem venceu o debate?", uma pesquisa com 490 telespectadores que deu a Collor o melhor desempenho, por 44,5% a 32% (Jornal Nacional, 15/12/1989, a partir de 7:02). A pesquisa era do Vox Populi, instituto fundado pelo filho do cunhado de Collor, e não do Ibope, que a Globo usava até então (Jovem Pan, 20/08/2026). Um estudo de economistas da USP e do Insper estimou que a cobertura tirou de Lula entre 1,9 e 8,6 pontos percentuais dos votos (FEA-USP, 2019). Mais em Eleições 1989.
- 01/09/1994 — "o que é bom a gente fatura": num vazamento captado por antenas parabólicas, o ministro da Fazenda, Rubens Ricupero, disse a um jornalista da Globo: "Eu não tenho escrúpulos; o que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde" (Wikipedia). O ministro caiu, e nada foi investigado. Mais em Eleições 1994.
- 05/04/2009 — a ficha falsa de Dilma: a Folha publicou uma suposta ficha de Dilma no Dops e depois admitiu que a recebeu por e-mail, que ela estava num site de extrema direita e que não existia no arquivo do Dops (Observatório da Imprensa, 25/04/2009). Mais em Eleições 2010.
- 21/10/2010 — os sete minutos da bolinha: depois de Serra ser alvo de uma bolinha de papel num tumulto e de uma tomografia que nada acusou, o Jornal Nacional dedicou sete minutos e um perito à tese de que um rolo de fita adesiva o tinha atingido (ANJ, 22/10/2018). Mais em Eleições 2010.
- 13/11/2014 — os delegados em campanha: delegados da Lava Jato usaram perfis no Facebook, durante a campanha, para elogiar Aécio e atacar Lula e Dilma. "Alguém segura essa anta, por favor", escreveu sobre Lula o coordenador da operação (Estadão, via Viomundo, 13/11/2014). Mais em Eleições 2014.
- 01/11/2022 — a reportagem guardada para depois da eleição: a Globo só exibiu dois dias depois do segundo turno a reportagem do Profissão Repórter que flagrou beneficiários do Auxílio Brasil ouvindo que teriam de votar no 22 (Jornal Já, 06/11/2022). Mais em Eleições 2022.
- 09/10/2026 — a Meta trava Lula e recomenda Flávio: segundo a Folha, mensagens internas da Meta mostram que a campanha de Lula ficou quase 24 horas sem poder impulsionar posts no Instagram, que o perfil de Lula sumia até na busca pelo nome exato e que o de Flávio aparecia nas sugestões de busca, o que as regras do TSE proíbem. Um funcionário escreveu que a conta de Lula estava "limitada" em comparação com a de Flávio (ICL Notícias, 16/10/2026). Outros casos estão em Big techs na eleição de 2026.
- 16/10/2026 — almoço na Globo antes da sabatina: horas antes de ser entrevistado no Jornal Nacional, Flávio almoçou com a cúpula da TV Globo, na sede da emissora, acompanhado do coordenador da campanha, o senador Rogério Marinho. Foi "o segundo almoço de Flávio Bolsonaro com a direção da TV Globo", e "Lula não participou de almoço com os executivos" da emissora (Brasil 247, 16/10/2026). Mais em Rede Globo.
A máquina pública como cabo eleitoral¶
- 13/05/1997 — a reeleição comprada: a Folha revelou gravações em que dois deputados contavam ter recebido R$ 200 mil cada um para votar a favor da emenda que permitiu a reeleição de FHC (Poder360, 08/09/2020). A CPI foi barrada, e o procurador-geral virou o "engavetador-geral da República". Mais em Eleições 1998.
- 14/07/2022 — a PEC Kamikaze: um "estado de emergência" liberou R$ 200 a mais no Auxílio Brasil só de 1º de agosto a 31 de dezembro de 2022 (Emenda Constitucional 123/2022). Em 2024, o STF derrubou a emenda por violar "a igualdade de oportunidades entre os candidatos", com os votos contrários de Mendonça e Nunes Marques (STF, 01/08/2024). Mais em Eleições 2022.
- 07/09/2022 — o Bicentenário virou comício: minutos depois do desfile oficial, Bolsonaro fez campanha num trio elétrico no mesmo local, e o TSE o declarou inelegível por abuso de poder político e econômico (Conjur, 31/10/2023). Mais em Eleições 2022.
- 30/10/2022 — a PRF contra o eleitor do Nordeste: no dia do segundo turno, contra a proibição do TSE, a PRF parou 324 ônibus no Nordeste, onde Lula liderava, contra 152 no Centro-Oeste (CartaCapital, 16/08/2024). O diretor da PRF, que tinha pedido voto em Bolsonaro, foi condenado pelo STF a 24 anos e 6 meses. Mais em Eleições 2022.
Pressão e violência¶
- Outubro de 2022 — o voto de cabresto no trabalho: o Ministério Público do Trabalho recebeu 3.206 denúncias de assédio eleitoral, de patrões que pressionavam empregados a votar em Bolsonaro (Radioagência Nacional, 16/12/2022). Em 2018 tinham sido 212. Mais em Eleições 2022.
- 23 e 29/10/2022 — tiros e arma na rua: na última semana, o ex-deputado Roberto Jefferson, aliado de Bolsonaro, recebeu a PF com mais de 60 tiros e granadas, e a deputada Carla Zambelli (PL-SP) perseguiu um jornalista com uma arma em São Paulo (Poder360, 23/10/2022; STF, 25/08/2025). Mais em Eleições 2022.
- 18/09/2026 — o alerta da Abin: um relatório da Abin classificou como alto o risco de ameaças à segurança da eleição, depois da formação de grupos extremistas no WhatsApp e no Telegram que debatiam ações contra o STF (UOL, 21/09/2026). Mais em Eleições 2026.
Não aceitar a derrota¶
Quando o voto não sai como querem, a direita mexe na contagem, ataca o árbitro e tenta um terceiro turno.
- Novembro de 1982 — o caso Proconsult: no Rio, a empresa contratada pela Justiça Eleitoral para totalizar os votos fez o que a FGV registra como "uma tentativa de fraude eleitoral", que "consistiria na transformação dos votos de Brizola em brancos e nulos". A Rádio Jornal do Brasil descobriu a manobra a tempo (FGV CPDOC, verbete PDT), e Brizola venceu Moreira Franco, o candidato oficial, por cerca de 180 mil votos (Memorial da Democracia). A PF não viu intenção no "erro" de programação, e ninguém foi punido (Revista Faces da História, UNESP, 2020). Mais em Rede Globo.
- 04/11/2014 — a auditoria que não achou nada: derrotado, o PSDB pediu ao TSE uma auditoria das urnas. Um ano depois, o relatório do próprio partido, que custou perto de R$ 1 milhão, não apontou nenhuma fraude (Conjur, 06/11/2015; CartaCapital, 12/07/2021). Mais em Eleições 2014.
- 2017 — "para encher o saco": numa conversa gravada, Aécio contou por que o PSDB pediu ao TSE a cassação de Dilma e Temer: "vamos entrar com um negócio aí para encher o saco deles também" (IstoÉ, 01/06/2017). Em 2016, Dilma já tinha caído num impeachment aberto por Eduardo Cunha no dia em que o PT negou votos para salvá-lo (Conjur, 02/12/2015). Mais em Golpes contra governos eleitos.
- 18/07/2022 — os embaixadores: Bolsonaro reuniu embaixadores no Palácio da Alvorada para atacar as urnas, e o TSE o tornou inelegível até 2030 por isso (Agência Brasil, 30/06/2023). Os militares dele fiscalizaram a eleição e não acharam fraude. Mais em A mentira da fraude nas urnas.
- 23/11/2022 — o PL multado por má-fé: o partido de Bolsonaro pediu para anular votos só do segundo turno, em que ele perdeu, e foi multado em R$ 22,9 milhões por litigância de má-fé (Migalhas, 24/11/2022). Mais em A mentira da fraude nas urnas.
- 08/01/2023 — do silêncio ao golpe: Bolsonaro ficou 44 horas calado depois da derrota, não reconheceu a vitória de Lula e viajou para os Estados Unidos antes da posse. Uma semana depois da posse veio o ataque aos Três Poderes, e em 2025 o STF condenou Bolsonaro a 27 anos e 3 meses pela trama golpista (Agência Brasil, 11/09/2025). Mais em 8 de janeiro e em Eleições 2022.
- 21/07/2026 — a Smartmatic: antes da eleição, Flávio já repetia, "sem apresentar provas", que as urnas brasileiras seriam da Smartmatic, e o TSE desmentiu: a empresa nunca forneceu urnas nem programas ao Brasil (Agência Brasil, 22/07/2026). Mais em Flávio Bolsonaro.
Ver também¶
- Eleições 2026: o segundo turno contra Flávio, dia a dia, com o detalhe de cada item de 2026.
- Lawfare: o método de usar a Justiça para destruir o adversário, passo a passo.
- Mídia e Rede Globo: quem manda na imprensa e como ela manipula.
- A mentira da fraude nas urnas e 8 de janeiro: da campanha contra as urnas ao ataque aos Três Poderes.
- Golpes contra governos eleitos: de Vargas a Dilma, quando o roteiro termina em golpe.
- As eleições, uma a uma: 1989, 1994, 1998, 2002, 2006, 2010, 2014, 2018, 2022 e 2026.