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Rede Globo

Resumo

A TV Globo nasceu nos anos 1960 com dinheiro do grupo americano Time-Life, num acordo que o próprio Boni, ex-diretor da emissora, chamou de operação "totalmente ilegal". Em telegrama ao Departamento de Estado, o embaixador americano Lincoln Gordon relatou conversas com Roberto Marinho na época do golpe de 1964. Para a revista The Economist, a hegemonia da Globo não tem comparação no mundo, e um documentário da Al Jazeera foi gravado no Rio, e não em Brasília, porque ali estaria "o verdadeiro poder no Brasil".

Em 1989, a Globo cuidou da imagem de Collor no último debate e o Jornal Nacional editou o confronto a favor dele, como Boni admitiu em 2011, e mostrou uma pesquisa feita pelo instituto fundado pelo filho do cunhado de Collor, em vez da do Ibope (Eleições 1989). Um estudo da USP e do Insper estimou que essa cobertura tirou de Lula entre 1,9 e 8,6 pontos percentuais dos votos. Contra Lula, o jornal O Globo publicou reportagens que os próprios citados desmentiram (Lula). Em 2026, a Globo demitiu o diretor que comandava seus jornais, revistas e rádios pelas mensagens com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e Flávio Bolsonaro almoçou com a cúpula da emissora horas antes da entrevista ao Jornal Nacional, o que Lula não fez. Nem toda acusação contra a Globo, porém, procede: é falso que ela fique com 90% do dinheiro do Criança Esperança, e a equipe "presa com pó branco" em Mato Grosso levava gesso para uma reportagem.

A origem: Time-Life e a ditadura

O poder da Globo

A manipulação

A eleição de 1982 e o caso Proconsult

Em 1982, Leonel Brizola, o político que os militares e os civis do golpe de 1964 mais temiam, venceu a eleição para governador do Rio apesar do que a FGV registra como "uma tentativa de fraude eleitoral pela empresa Proconsult, encarregada de processar os votos". A fraude "consistiria na transformação dos votos de Brizola em brancos e nulos", e a Rádio Jornal do Brasil a descobriu a tempo (FGV CPDOC, verbete PDT). Segundo o Memorial da Democracia, três dias depois da eleição os dados do TRE e da TV Globo davam a liderança a Moreira Franco, do PDS, enquanto a apuração paralela da Rádio JB, feita nas zonas eleitorais, projetava Brizola com 180 mil votos de vantagem (Memorial da Democracia). Brizola acusou a Globo de forma indireta, e o senador Saturnino Braga, do PDT, de forma explícita, no Senado. A participação da emissora nunca foi provada, e a PF concluiu que não houve intenção da Proconsult no "erro" de programação; ninguém foi punido (Revista Faces da História, UNESP, 2020).

  • 18/11/1982 — "Só a fraude ameaça nossa vitória": Brizola chamou a imprensa estrangeira para denunciar as manobras na apuração oficial (Memorial da Democracia). No mesmo dia, deu entrevista na Globo ao diretor de jornalismo da emissora, Armando Nogueira, e, sem citar o nome dela, a culpou pela apuração errada (Revista Faces da História, UNESP, 2020).
  • 27/11/1982 — o JB denuncia a Proconsult: segundo o Memorial, a empresa contratada pelo TRE "estava transferindo votos brancos e nulos para o candidato oficial". A Justiça Eleitoral suspendeu o trabalho dela, recomeçou a contagem e confirmou a vitória de Brizola. A imprensa descobriu que ao menos um sócio da empresa tinha ligações com o SNI, o serviço de espionagem da ditadura (Memorial da Democracia).
  • O "diferencial delta": era o recurso pelo qual os programas da Proconsult subtrairiam uma porcentagem dos votos dados a Brizola, que seriam anulados ou transferidos a Moreira Franco. Foi identificado por Cesar Maia, então representante do PDT na apuração. Brizola terminou com 1.709.180 votos, 34,2% (Observatório da Imprensa, 06/07/2004).
  • 2004 — a versão da Globo: o diretor de jornalismo da emissora, Ali Kamel, escreveu que a Globo nunca contratou a Proconsult. Admitiu que o sistema de totalização da emissora "revelou-se de pouca valia" para a TV, que só tinha "informação fresca uma vez ao dia", e explicou: "os canais se entupiram" (Observatório da Imprensa, 29/06/2004).

Os protestos de junho de 2013

A Globo, Vorcaro e Flávio em 2026

  • 15/10/2026 — o diretor demitido pelas mensagens com Vorcaro: a Globo demitiu Frederic Kachar, havia 29 anos na empresa e responsável pelo O Globo, pelo Extra, pelo Valor, pelas revistas da Editora Globo e pela CBN, depois que vieram a público as mensagens dele com Vorcaro, de 2023 a 2025. Vorcaro pediu destaque nas revistas para a marca de suplementos da namorada e reclamou de colunas críticas ao Master. Segundo a nota da emissora, as mensagens revelam "uma relação inadequada do executivo com um anunciante" (Brasil de Fato, 15/10/2026). Numa delas, de 31/05/2024, Vorcaro disse que estava errada uma notícia do G1 sobre a entrada do Master no ramo de supermercados, e Kachar ofereceu: "Quer que eu peça pra corrigir?". "Deve!", respondeu o banqueiro, e 23 minutos depois o G1 mudou a reportagem (Agência Pública, 15/10/2026).
  • 16/10/2026 — o almoço antes da sabatina: horas antes de ser entrevistado no Jornal Nacional, Flávio Bolsonaro almoçou com a cúpula da TV Globo, na sede da emissora, acompanhado do coordenador da campanha, Rogério Marinho. Foi "o segundo almoço de Flávio Bolsonaro com a direção da TV Globo", e "Lula não participou de almoço com os executivos" da emissora (Brasil 247, 16/10/2026).

O resto do segundo turno está em Eleições 2026.

Os tucanos e a Globo

A sonegação da Copa de 2002

O que não é verdade

Nem toda acusação contra a Globo procede, e repetir boato só ajuda a emissora.

Ver também