STF¶
O STF tem hoje dez ministros. A vaga de Luís Roberto Barroso, que se aposentou em outubro de 2025, está aberta desde que o Senado rejeitou Jorge Messias, indicado por Lula, por 42 votos a 34, em 29/04/2026. Foi a primeira rejeição de um indicado ao STF em 132 anos (Agência Senado, 29/04/2026). Dos dez ministros, quatro foram indicados por Lula, dois por Dilma Rousseff, dois por Jair Bolsonaro, um por Fernando Henrique Cardoso e um por Michel Temer.
Ministros em exercício¶
Em ordem de antiguidade no tribunal. Entre parênteses, quem indicou e o ano da posse. A crise de setembro de 2026, ligada ao caso Banco Master, está na página Crise no STF (2026).
- Gilmar Mendes (FHC, 2002): decano; pediu a vista que segurou o afastamento do diretor da PF e recebeu Vorcaro no gabinete em 2024
- Cármen Lúcia (Lula, 2006): deu o voto que negou o habeas corpus de Lula em 2018, depois declarou Moro parcial e formou a maioria que condenou Bolsonaro
- Dias Toffoli (Lula, 2009): deu o voto que levou à soltura de Lula em 2019 e chamou a prisão dele de "armação"; deixou a relatoria do caso Master em 2026
- Luiz Fux (Dilma, 2011): o "In Fux we trust" da Lava Jato, que votou contra o habeas corpus de Lula e foi o único a absolver Bolsonaro na trama golpista
- Edson Fachin (Dilma, 2015): presidente do STF, anulou as condenações de Lula, disse "basta" aos ataques de Bolsonaro às urnas e conduz a crise do caso Master
- Alexandre de Moraes (Temer, 2017): relator da trama golpista que condenou Bolsonaro, alvo do plano Punhal Verde e Amarelo e das sanções do governo Trump
- Kassio Nunes Marques (Bolsonaro, 2020): presidente do TSE em 2026 e citado nas mensagens de Vorcaro
- André Mendonça (Bolsonaro, 2021): ex-ministro da Justiça de Bolsonaro, vice-presidente do TSE em 2026 e relator do caso Banco Master
- Cristiano Zanin (Lula, 2023): advogado de Lula que provou a parcialidade de Moro, presidiu a Turma que condenou Bolsonaro
- Flávio Dino (Lula, 2024): ministro da Justiça de Lula no 8 de janeiro, cobrou transparência nas emendas, relata o desvio de emendas do Dark Horse e reintegrou o diretor da PF
O STF e o golpe de 1964¶
- Senadora Ana Amélia, não se alegre: o STF apoiou o golpe de 1964 – Eduardo Guimarães, Brasil 247: o Supremo diante do golpe, segundo o colunista · fora do ar em 13/09/2026, 404 · buscar cópia no Internet Archive
- Mais sobre o período na página Ditadura Militar de 64.
Ex-ministros¶
Em ordem de chegada ao tribunal. Entre parênteses, quem indicou e os anos no STF.
- Celso de Mello (Sarney, 1989 a 2020): deu o voto que abriu caminho à absolvição de quadrilha no mensalão, divulgou o vídeo da reunião ministerial de Bolsonaro e alertou para o "ovo da serpente"
- Joaquim Barbosa (Lula, 2003 a 2014): relator do mensalão; em 2022, declarou voto em Lula contra Bolsonaro
- Ricardo Lewandowski (Lula, 2006 a 2023): absolveu Dirceu no mensalão, presidiu o impeachment de Dilma, deu à defesa de Lula as mensagens da Spoofing e depois foi ministro da Justiça de Lula
- Rosa Weber (Dilma, 2011 a 2023): votou contra o habeas corpus de Lula em 2018 e presidiu o STF no 8 de janeiro
- Teori Zavascki (Dilma, 2012 a 2017): relator da Lava Jato no STF, declarou ilegal a divulgação do grampo de Dilma e Lula por Moro
- Luís Roberto Barroso (Dilma, 2013 a 2025): relator no TSE que barrou a candidatura de Lula em 2018, disse "nós derrotamos o bolsonarismo"
O STF diante da Lava Jato¶
Do mensalão à Lava Jato, o STF ajudou a pôr o PT no banco dos réus. O primeiro freio em Sergio Moro veio de Teori Zavascki, em 2016. Depois da morte dele, o tribunal ainda deixou Lula ser preso antes de desfazer, a partir de 2019, o que a Lava Jato tinha feito.
2012 a 2014: Joaquim Barbosa, o relator do mensalão¶
- 2012 — o "domínio do fato": relator do mensalão, Joaquim Barbosa conduziu a condenação de José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares com base na teoria do domínio do fato. O criador da teoria, o jurista alemão Claus Roxin, disse que "a posição hierárquica não fundamenta, sob nenhuma circunstância, o domínio do fato" (Conjur, 11/11/2012). Depois, Roxin esclareceu que falava da teoria em geral e que não avaliou o caso (Conjur, 19/11/2012).
- 15/11/2013 — as prisões no feriado: já presidente do STF, Barbosa expediu os mandados de prisão de Dirceu, Genoino e Delúbio quando os dois primeiros ainda tinham recursos pendentes contra a condenação por quadrilha (Conjur, 15/11/2013).
- 27/02/2014 — a derrota no plenário: o STF absolveu Dirceu, Genoino e outros seis réus do crime de quadrilha, por 6 a 5, e caiu nesse ponto a condenação relatada por Barbosa (Agência Câmara, 27/02/2014).
- Depois do STF — o relator do mensalão vota em Lula: Barbosa se aposentou em julho de 2014. Em 2018 apoiou Fernando Haddad e, em 2022, gravou vídeos para a campanha de Lula, dizendo que Bolsonaro era um perigo para a democracia (Estado de Minas, 27/09/2022).
2014 a 2017: Moro sem freio, até Teori¶
- 22/03/2016 — o primeiro freio: seis dias depois de Moro divulgar o grampo de uma conversa entre Dilma e Lula, gravada quando ele próprio já tinha mandado suspender as interceptações, Teori Zavascki, relator da Lava Jato no STF, declarou a divulgação "ilegal e inconstitucional", anulou a quebra do sigilo e mandou as investigações sobre Lula para o STF (Conjur, 22/03/2016). No mesmo dia, um grupo ligado ao MBL protestou na frente do prédio de Teori com faixas de "Teori traidor" e "Deixa o Moro trabalhar" (Estado de Minas, 23/03/2016).
- 29/03/2016 — as desculpas de Moro: Moro admitiu que seu entendimento "possa ser considerado incorreto" e pediu "respeitosas escusas" ao STF (Agência Brasil, 29/03/2016).
- 22/04/2016 — "In Fux we trust": num chat da força-tarefa, Deltan Dallagnol contou a Moro que Luiz Fux prometera apoio, e Moro respondeu: "Excelente. In Fux we trust" (Migalhas, 12/06/2019).
- 19/01/2017 — a morte de Teori: Teori morreu na queda de um avião perto de Paraty (RJ) quando seus juízes auxiliares ouviam os 77 delatores da Odebrecht. As homologações pararam, e Cármen Lúcia homologou as delações em 30/01 (Conjur, 30/01/2017). A FAB apontou o mau tempo e a desorientação do piloto como causas, e a PF descartou sabotagem (Exame, 22/01/2018). As suspeitas sobre a queda estão em Mortes suspeitas.
2017 e 2018: sem Teori, até a prisão de Lula¶
- 12/07/2017 — "atos de ofício indeterminados": Moro condenou Lula no caso do tríplex sem apontar um ato concreto dele em troca do imóvel (sentença de Moro, 12/07/2017).
- 04/04/2018 — preso por um voto: o STF negou o habeas corpus de Lula por 6 a 5 (Agência Brasil, 05/04/2018), e Lula foi preso em 07/04 (Conjur, 08/11/2019).
- 08/07/2018 — Moro manda até de férias: o desembargador Rogério Favreto mandou soltar Lula num plantão do TRF-4. Moro, de férias, recusou-se a cumprir a ordem, e o tribunal manteve Lula preso (Conjur, 26/12/2018).
- 01/11/2018 — o juiz vira ministro: dias depois da eleição, Moro aceitou ser ministro da Justiça de Bolsonaro (Conjur, 01/11/2018).
2019 a 2021: o STF desfaz a Lava Jato¶
- 09/06/2019 — a Vaza Jato: o Intercept começou a publicar mensagens mostrando que Moro orientava os procuradores (Conjur, 28/12/2019).
- 08/11/2019 — Lula solto: um dia depois de o STF derrubar a prisão em segunda instância, Lula saiu da prisão, depois de 580 dias (Conjur, 08/11/2019).
- 08/03/2021 — as condenações anuladas: Edson Fachin declarou a vara de Curitiba incompetente para julgar Lula e anulou as condenações (Conjur, 08/03/2021).
- 23/03/2021 — Moro parcial: a Segunda Turma declarou, por 3 a 2, que Moro foi parcial ao condenar Lula (Agência Brasil, 23/03/2021). Em 23/06, o plenário confirmou por 7 a 4 (STF, 23/06/2021).
2026: a nova Lava Jato?¶
- 17/09/2026 — "pixuleco eleitoral": em meio ao caso Master, Gilmar Mendes comparou a atuação de André Mendonça à Lava Jato, chamou-o de "pixuleco eleitoral" e denunciou o uso político do caso na eleição (Brasil 247, 17/09/2026; CartaCapital, 17/09/2026). Mendonça, o ministro "terrivelmente evangélico" de Bolsonaro, é o relator do caso Master e o vice-presidente do TSE na eleição de 2026 (ver a página dele).
Os ataques do bolsonarismo ao STF¶
- 10/07/2018 — "um soldado e um cabo": numa palestra antes da eleição, o deputado Eduardo Bolsonaro disse que "para fechar o STF basta um cabo e um soldado" e que, se o tribunal impugnasse a candidatura do pai, "terá que pagar para ver o que acontece". Quando o vídeo veio à tona, Jair Bolsonaro reagiu: "Se alguém falou em fechar o STF precisa consultar um psiquiatra" (Estado de Minas, 21/10/2018).
- 20/04/2020 — "Eu sou, realmente, a Constituição": um dia depois de participar de um ato "em defesa de um golpe de estado", nas palavras do UOL, Bolsonaro chamou as críticas de "provocações baixas e rasteiras" e respondeu: "Eu sou, realmente, a Constituição" (UOL (YouTube), 20/04/2020).
- 13/06/2020 — fogos contra o prédio: integrantes do grupo "300 do Brasil", liderado por Sara Winter, lançaram fogos de artifício em direção à sede do STF. No vídeo, um homem xinga os ministros e grita: "Vocês vão cair, nós vamos derrubar vocês, seus comunistas!" (CartaCapital, 14/06/2020).
- Março de 2021 — os caças contra as vidraças: segundo o ex-ministro da Defesa Raul Jungmann, Bolsonaro perguntou a um comandante militar se os caças Gripen estavam operacionais e "determinou que sobrevoassem o STF acima da velocidade do som para estourar os vidros do prédio". Os comandantes das três Forças deixaram os cargos naquele mês (Metrópoles, 21/08/2021). Quando Barroso citou o relato, bolsonaristas o acusaram de mentir, confundindo-o com o voo que quebrou 65 vidraças do STF por acidente, em 2012, e o Aos Fatos desmentiu a acusação (Aos Fatos, 22/02/2022).
- 07/09/2021 — "Deixa de ser canalha": na Avenida Paulista, Bolsonaro disse que "qualquer decisão do senhor Alexandre de Moraes, esse presidente não mais cumprirá", mandou o ministro sair ("Sai, Alexandre de Moraes. Deixa de ser canalha") e avisou: "Dizer aos canalhas que nunca serei preso" (Poder360, 07/09/2021).
- 20 e 21/04/2022 — condenado e perdoado no dia seguinte: o STF condenou o deputado Daniel Silveira a 8 anos e 9 meses de prisão por ameaça ao Estado democrático de direito e coação no curso do processo. No dia seguinte, Bolsonaro lhe concedeu indulto, alegando que ele "somente fez uso de sua liberdade de expressão". Em 10/05/2023, o STF anulou o indulto por desvio de finalidade, e Gilmar Mendes o chamou de "peça vulgar de puro proselitismo político" (STF, 10/05/2023).
- 21 e 23/10/2022 — Jefferson: o ex-deputado Roberto Jefferson chamou Cármen Lúcia de "Bruxa de Blair" e "Cármen Lúcifer". Alvo de uma ordem de prisão de Moraes, recebeu a PF com tiros e granadas, e dois agentes ficaram feridos (Poder360, 23/10/2022; ver Eleições 2022).
- 09/11/2022 — o plano para matar Moraes: o plano Punhal Verde e Amarelo, que previa matar Lula, Alckmin e Moraes, foi impresso no Palácio do Planalto (Poder360, 24/07/2025; ver a trama golpista).
- 08/01/2023 — o STF depredado: bolsonaristas invadiram e depredaram o STF, o Planalto e o Congresso (ver 8 de janeiro).
- 31/01/2023 — "Morte ao Xandão": um homem de 58 anos, de Botucatu (SP), ateou fogo ao próprio corpo na Esplanada dos Ministérios em protesto contra o STF, gritando "Morte ao Xandão" (CNN Brasil, 02/02/2023). Morreu dois dias depois. Com ele havia papéis com fotos de homens que tentaram matar Hitler, como Johann Georg Elser e Claus von Stauffenberg (Metrópoles, 02/02/2023).
- 14/07/2023 — Moraes hostilizado em Roma: no aeroporto de Roma, Moraes foi chamado de "bandido", "comunista" e "comprado" por três brasileiros, e o empresário Roberto Mantovani Filho agrediu o filho do ministro. A PGR denunciou os três por calúnia e injúria, e Mantovani também por injúria real, a agressão física (Gazeta do Povo, 17/07/2024).
- 13/11/2024 — o homem-bomba: Francisco Wanderley Luiz, o "Tiü França", que tinha sido candidato a vereador pelo PL em Rio do Sul (SC) e anunciado nas redes que faria um atentado (CNN Brasil, 13/11/2024), explodiu o próprio carro no estacionamento de um anexo da Câmara, jogou explosivos em direção ao STF e morreu em frente à entrada do tribunal, perto da estátua "A Justiça". Em abril de 2025, a PF concluiu que ele agiu sozinho, motivado pelo "extremismo político" (Metrópoles, 29/04/2025).
- Setembro de 2026 — o alerta da Abin: depois da sessão do STF sobre Moraes, a Abin identificou grupos extremistas que discutiam ações contra o tribunal (ver Eleições 2026).