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Eleições 2014

Resumo

Dilma Rousseff foi reeleita com 54,5 milhões de votos, 3,5 milhões a mais que Aécio Neves, numa campanha em que a Veja e delegados da Lava Jato jogaram do outro lado. Três dias antes do segundo turno, a Veja estampou que Lula e Dilma "sabiam de tudo" sobre a corrupção na Petrobras, com base num "adendo" do doleiro Alberto Youssef que, segundo a Conjur, foi fabricado para viabilizar a reportagem. O TSE deu a Dilma direito de resposta. Delegados da Lava Jato fizeram campanha para Aécio no Facebook, e o coordenador da operação chamou Lula de "anta".

Aécio não aceitou a derrota. O PSDB pagou uma auditoria das urnas que não achou nenhuma fraude e pediu no TSE a cassação da chapa Dilma-Temer, ação que Aécio depois admitiu, numa conversa gravada, ter proposto para "encher o saco". Gilmar Mendes abriu o voto que fez a ação andar em 2015. Eduardo Cunha abriu o impeachment de Dilma no dia em que soube que os deputados do PT no Conselho de Ética não iam salvá-lo. Em 2017, com Temer já na Presidência, Gilmar deu o quarto voto para absolver a chapa. Em 2021, quando Bolsonaro prometeu provar fraude em 2014, o próprio Aécio disse que não houve.

O resultado

  • 26/10/2014 — Dilma reeleita: Dilma teve 54.501.118 votos (51,64% dos válidos), contra 51.041.155 (48,36%) de Aécio, uma diferença de 3.459.963 votos (Gazeta do Povo, 27/10/2014).

A imprensa e a Lava Jato na campanha

  • 23/10/2014 — "Eles sabiam de tudo": três dias antes do segundo turno, a Veja publicou que Youssef tinha dito à PF e ao MPF que Lula e Dilma "tinham conhecimento das tenebrosas transações" na Petrobras. Segundo o diretor da Conjur, Márcio Chaer, o "depoimento" era um "adendo" a uma delação que ainda não existia, produzido pelo delegado Márcio Anselmo e por procuradores da Lava Jato "sob a direção de Sergio Moro", e Teori Zavascki homologou a delação em dezembro "sem qualquer anexo que falasse de Dilma ou Lula" (Conjur, 28/01/2022).
  • 25/10/2014 — direito de resposta: na véspera da votação, o ministro Admar Gonzaga, do TSE, garantiu à coligação de Dilma e ao PT direito de resposta contra a Abril pela "matéria supostamente difamatória" da Veja (TSE, 25/10/2014).
  • 13/11/2014 — os delegados em campanha: o Estadão revelou que delegados da Lava Jato usaram perfis fechados no Facebook, durante a campanha, para elogiar Aécio e atacar Lula e Dilma. "Esse é o cara!!!!", escreveu Igor Romário de Paula sobre Aécio. O coordenador da operação, Márcio Anselmo, escreveu "Alguém segura essa anta, por favor" sobre Lula. Os delegados compartilharam a propaganda tucana baseada na delação de Youssef, que estava sob segredo de Justiça (Estadão, via Viomundo, 13/11/2014).

O terceiro turno

  • 04/11/2014 — o pedido de auditoria: o TSE aceitou o pedido do PSDB para auditar as urnas (Conjur, 06/11/2015). Ao pedir, o partido disse ter "absoluta confiança" na segurança da eleição e que queria tranquilizar eleitores que duvidavam da apuração nas redes sociais (Agência Brasil, 05/11/2015).
  • 05/11/2015 — nenhuma fraude: um ano depois, o relatório do próprio PSDB não achou irregularidade. "Não foi encontrada nenhuma evidência em tal sentido", disse o presidente do TSE, Dias Toffoli (Conjur, 06/11/2015). A auditoria custou perto de R$ 1 milhão. O relatório reclamou que o sistema não permitia auditoria externa independente, mas não apontou nenhuma fraude (CartaCapital, 12/07/2021).
  • 06/10/2015 — Gilmar põe a ação para andar: a relatora, Maria Thereza de Assis Moura, tinha negado seguimento à ação da coligação de Aécio para cassar Dilma e Temer por abuso de poder. Gilmar Mendes abriu a divergência, e o TSE decidiu por 5 votos prosseguir com o processo (TSE, 06/10/2015).
  • 02/12/2015 — a vingança de Cunha: o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, abriu o processo de impeachment de Dilma no dia em que soube que os deputados do PT no Conselho de Ética não iam votar para salvá-lo da cassação. "A decisão é reflexo direto do processo de cassação de Cunha", registrou a Conjur (Conjur, 02/12/2015). Cunha foi cassado em 12/09/2016, por 450 votos a 10 (Agência Brasil, 13/09/2016). O impeachment está em Golpes contra governos eleitos.
  • 2017 — "para encher o saco": numa conversa gravada por Joesley Batista, da JBS, Aécio contou por que o PSDB entrou com a ação no TSE: "Lembra depois da eleição? Os filhas da p… sacanearam tanto a gente, vamos entrar com um negócio aí para encher o saco deles também". Disse ainda que Temer, depois do impeachment, pediu que o PSDB retirasse a ação. Em 01/06/2017, a defesa de Dilma levou a frase ao TSE (IstoÉ, 01/06/2017).
  • 09/06/2017 — com Temer no Planalto, a chapa é absolvida: por 4 votos a 3, o TSE rejeitou a cassação. Gilmar Mendes, então presidente do tribunal, deu o quarto voto e disse: "Não imaginava cassar Dilma Rousseff no TSE" (TSE, 09/06/2017). O julgamento manteve Michel Temer na Presidência (Conjur, 25/12/2017).
  • 20/07/2021 — nem Aécio acredita em fraude: quando Bolsonaro prometeu provar "na semana que vem" uma fraude na eleição de 2014, Aécio disse à CNN que não havia nenhum indício de fraude (CNN, 20/07/2021). A prova nunca veio (ver A mentira da fraude nas urnas).

A crise como arma

A seca em São Paulo

O custo da campanha

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