Números oficiais do governo Bolsonaro (2019–2022) e do terceiro governo Lula (a partir de 2023, até o último dado disponível), em economia, trabalho, contas públicas, impostos, investimentos, bolsa de valores, empresas, indústria, agro e petróleo, infraestrutura, pobreza, desenvolvimento humano, saúde, educação, ciência, cultura, turismo, moradia, previdência, obras, segurança, combate à corrupção, povos indígenas e meio ambiente.
Legenda: ✅ melhor no Lula 3 · ⚠️ pior no Lula 3 · ➖ parecido ou misto · 🏆 recorde da série histórica no Lula 3 (como os ícones são definidos)
Resumo: ✅ 65 melhores · ⚠️ 9 piores · ➖ 8 parecidos ou mistos, em 82 indicadores. 🏆 21 recordes históricos no Lula 3.
Os 21 recordes do Lula 3
Cada um supera todos os anos anteriores da série, inclusive os quatro de Bolsonaro. As fontes estão nas linhas das tabelas.
Trabalho e renda: a menor taxa de desemprego da série (5,1%), recorde de empregados com carteira (39,4 milhões) e de pessoas trabalhando (103 milhões), a menor subutilização (12,9%), a maior renda média do trabalho e a maior renda por pessoa nas famílias.
Bolsa, comércio exterior e empresas: 32 recordes de fechamento da Bolsa em 2025, o maior saldo da balança comercial (2023) e o recorde de empresas abertas (4,25 milhões em 2024).
Agro e petróleo e energia: a maior safra de grãos (352,5 milhões de toneladas), a maior produção de petróleo (3,77 milhões de barris por dia) e a maior expansão da geração de energia (10,9 GW em 2024).
Pobreza e desenvolvimento humano: a menor extrema pobreza (3,5%), a menor desigualdade de renda (Gini de 0,504 em 2024), o maior IDHM, pela primeira vez na faixa "muito alto", e a menor perda do IDHM pela desigualdade.
Saúde e educação: a maior expectativa de vida desde 1940 (76,6 anos), o recorde de atendidos no Farmácia Popular (24,7 milhões) e a maior oferta de bolsas do Prouni.
Ciência e turismo: o maior FNDCT da história (R$ 12,7 bilhões) e o recorde de turistas estrangeiros (9 milhões).
Os impostos criados e aumentados e a carga tributária ano a ano estão em Os impostos do Lula 3.
No ranking do FMI pelo PIB em dólares, o Brasil foi a 7ª economia do mundo de 2010 a 2014. Caiu para a 9ª em 2018 e 2019 e para a 12ª em 2020 e 2021, no governo Bolsonaro. Desde 2023, oscila entre a 10ª e a 11ª posição, conforme o câmbio. Na projeção de outubro de 2026, o FMI põe o Brasil em 10º lugar em 2026 e em 8º de 2027 a 2031: em 2027, serão 2,80 trilhões de dólares, à frente da Itália, com 2,77 trilhões, e da Rússia, com 2,68 trilhões. Pela paridade de poder de compra, que desconta a diferença de preços entre os países, o Brasil já é a 8ª economia do mundo desde 2025 (FMI, World Economic Outlook de outubro de 2026: PIB em dólares; PIB pela paridade de poder de compra).
subiu de 6,5% para 13,75% (dez/2018 a dez/2022), com mínima de 2% em 2020. Bolsonaro entregou a Selic mais alta em seis anos — o principal fator que empurrou a dívida no governo seguinte
subiu de 13,75% para 15% (dez/2022 a dez/2025), decidida pelo Banco Central autônomo com presidente indicado por Bolsonaro até dez/2024
⚠️ Saldo entre aberturas e fechamentos (média ao ano) (nota)
2,27 milhões (2019–2022)
1,76 milhão (2023–2024); o salto dos fechamentos veio de cancelamentos de MEIs inadimplentes e de quem trocou o negócio por emprego formal — no mesmo período, a carteira assinada bateu recorde
✅ Bolsa Família: benefício mínimo permanente (nota)
R$ 400 por família. Os R$ 600 valeram só de agosto a dezembro de 2022 — os cinco meses antes da eleição — e o Orçamento de 2023 enviado pelo próprio governo previa média de R$ 405, revelando que os R$ 600 eram promessa eleitoral sem cobertura
R$ 600, mais R$ 150 por criança de até 6 anos. O mínimo passa a R$ 691 em out/2026
1, a do Norte do Tocantins (2019), de projeto do governo Dilma. Outras 5, criadas por leis de 2018, no governo Temer, começaram a funcionar em 2019
3 (set/2026): a da Fronteira Norte, no Amapá, e as de Ciência e Inovação de Minas Gerais e do Rio de Janeiro, antigos Cefets. Outras 2, a Indígena e a do Esporte, foram propostas ao Congresso em nov/2025
✅ Leis de fomento à cultura (Paulo Gustavo e Aldir Blanc 2) (nota)
vetou as duas; derrubados os vetos, uma medida provisória tirou a obrigação de pagar, e o Orçamento de 2023 reservou só 8% dos R$ 3,86 bilhões da Lei Paulo Gustavo
R$ 3,8 bilhões da Lei Paulo Gustavo em 2023 e a Política Nacional Aldir Blanc, com R$ 3 bilhões por ano até 2027
Pacote Anticrime (Lei 13.964/2019): o tempo máximo de prisão subiu de 30 para 40 anos, e a progressão de regime passou a exigir até 70% da pena
Lei 15.245/2025: obstruir ações contra o crime organizado dá 4 a 12 anos, cumpridos em presídio federal de segurança máxima. Lei Antifacção (Lei 15.358/2026), enviada pelo governo: o domínio social estruturado dá 20 a 40 anos, sem anistia, indulto, fiança ou livramento condicional, e a progressão pode exigir 85% da pena
✅ Leis anticorrupção criadas pelos governos do PT (nota)
nenhuma lei equivalente no período
Legado do PT: CGU (2003), Portal da Transparência (2005), Ficha Limpa (2010), Lei de Acesso à Informação (2011), Lei Anticorrupção — que pune a empresa corruptora (2013) e Lei das Organizações Criminosas — que regulou a delação premiada (2013). No Lula 3, restauração de todos os órgãos e plano de integridade 2025–2027
criou as emendas de relator (RP9) em 2020: parlamentares do Centrão distribuíam bilhões do Orçamento sem que o autor das indicações ficasse público — R$ 16,5 bilhões em 2022, concentrados nas mãos de Arthur Lira
STF declarou o mecanismo inconstitucional em dezembro de 2022; o governo Lula não recriou o instrumento e Flávio Dino passou a exigir transparência e rastreabilidade crescentes nas emendas restantes
As emendas parlamentares bateram recorde no Lula 3: R$ 127 bilhões empenhados nos três primeiros anos, contra cerca de R$ 82 bilhões nos três primeiros de Bolsonaro, segundo os dados do governo levantados pelo G1 (Gazeta do Povo, 02/01/2026). O presidente não escolhe esse valor: a Constituição obriga o governo a pagar as emendas, e quase todas as regras que deram ao Congresso essa fatia do Orçamento são de antes da volta de Lula.
17/03/2015 — emendas individuais obrigatórias: no primeiro ano de Eduardo Cunha na presidência da Câmara, o Congresso promulgou a EC 86, que tornou obrigatória a execução das emendas individuais (EC 86/2015).
26/06/2019 — as de bancada também: no primeiro ano de Bolsonaro, a EC 100 tornou obrigatórias as emendas de bancada estadual (EC 100/2019).
12/12/2019 — as emendas Pix: a EC 105 autorizou deputados e senadores a mandar dinheiro federal direto a estados e municípios (EC 105/2019).
2020 a 2022 — o orçamento secreto: as emendas de relator, sem autor público, até o STF derrubá-las em dezembro de 2022 (ver a linha da tabela e a nota).
21/12/2022 — o preço da PEC da Transição: no acordo que garantiu o Bolsa Família de R$ 600, o Congresso elevou as emendas individuais obrigatórias para 2% da receita corrente líquida, metade delas para a saúde (EC 126/2022).
Outubro de 2024 — Dino trava o que não tem dono:Flávio Dino manteve suspensas as emendas de comissão e o resto do orçamento secreto até o Congresso e o governo cumprirem as regras de transparência. Na audiência, o governo informou que 56% das emendas não tinham sido identificadas (STF, 10/2024).
25/11/2024 — as regras: o Congresso aprovou e Lula sancionou a Lei Complementar 210, que regula a proposição e a execução das emendas (LC 210/2024).
A dívida bruta é medida em proporção do PIB. Ela sobe com os juros e com a emissão de títulos para cobrir gastos, e cai quando o governo resgata títulos e quando o PIB cresce em reais, o que inclui a inflação. Todo ano, o Banco Central calcula quanto cada fator pesou, em pontos percentuais do PIB:
Ano
Juros
Crescimento do PIB em reais
Emissões e resgates de títulos
Câmbio e outros
Variação da dívida
2019
+5,6
−3,9
−2,7
+0,2
−0,8
2020
+4,7
—
+9,1
+1,2
+15,0
2021
+5,8
−12,3
−2,1
+0,3
−8,3
2022
+7,5
−7,5
−4,5
−0,3
−4,8
2023
+7,5
−5,2
+0,6
−0,2
+2,7
2024
+7,5
−5,4
−0,9
+1,0
+2,2
2025
+8,9
−5,7
−0,3
−0,5
+2,4
Fonte: notas de estatísticas fiscais do Banco Central de 2019, 2020, 2021, 2022, 2023, 2024 e 2025. Em 2020, o Banco Central não separou o efeito do PIB, que está em "câmbio e outros". Os níveis da dívida foram revistos depois, quando o IBGE revisou o PIB, por isso não batem exatamente com a tabela de contas públicas.
O que empurra a dívida são os juros. No Lula 3, as emissões e os resgates de títulos pesaram pouco, de −0,9 a +0,6 ponto por ano. A dívida subiu porque os juros acrescentaram de 7,5 a 8,9 pontos por ano, mais do que o crescimento do PIB conseguiu compensar. Sem os juros, ela teria caído nos três anos. A Selic, que define boa parte desse custo, é decidida pelo Banco Central, autônomo desde 2021 (ver a nota sobre dívida e Selic).
A inflação que ajudou Bolsonaro. Em 2021, com inflação de 10%, o PIB em reais cresceu tanto que tirou 12,3 pontos da dívida. No Lula 3, com inflação menor, esse efeito ficou entre 5,2 e 5,7 pontos por ano. Em 2022, a queda também teve ajuda da devolução de dinheiro do BNDES ao Tesouro, que aparece nos resgates (Agência Brasil, 27/10/2022).
A conta que ficou para depois. As emendas constitucionais 113 e 114, de 2021, limitaram o pagamento de precatórios, as dívidas da União reconhecidas pela Justiça. Em dezembro de 2023, depois que o STF derrubou esse limite, o governo pagou 92,4 bilhões de reais: 60,1 bilhões em precatórios que tinham ficado sem pagar em 2022 e 2023 e 32,2 bilhões antecipados de 2024 (Agência Senado, 27/12/2023).
Dívida e investimento. O aumento da dívida não veio do investimento. Em 2025, o governo federal gastou 371,7 bilhões de reais com juros e 70,8 bilhões com investimentos, segundo o Inesc (Correio Braziliense, 14/04/2026). O investimento cresceu no Lula 3 (ver estatais, rodovias e saneamento nas tabelas acima), mas continua pequeno perto dos juros.
Comparação com outros países. O problema do Brasil não é o tamanho da dívida, mas o preço dela (ver A dívida dos outros países).
Os países ricos devem mais que o Brasil e pagam menos juros. Entre os 19 países do G20, o Brasil é o que mais gasta com juros e um dos que menos investem.
País
Dívida bruta (% do PIB)
Juros pagos, menos os recebidos (% do PIB)
Investimento (% do PIB)
Japão
236,7
0,4
26,2
Itália
135,3
3,7
22,4
Estados Unidos
120,8
3,7
21,7
França
113,1
1,8
23,7
Canadá
110,8
0,2
23,3
Reino Unido
101,2
2,0
17,7
China
88,3
1,0
40,4
Brasil
87,3
6,3
16,9
Argentina
85,3
1,6
14,4
Índia
81,3
5,1
33,4
África do Sul
76,4
5,3
13,9
Alemanha
63,9
0,9
21,0
México
58,4
5,9
24,2
Coreia do Sul
52,5
−0,1
30,4
Austrália
49,8
1,1
24,7
Indonésia
40,2
2,2
31,4
Arábia Saudita
29,9
0,1
30,0
Turquia
26,0
2,1
25,5
Rússia
20,3
0,7
27,1
Fonte: FMI, World Economic Outlook de abril de 2025, dados de 2024. A dívida é a bruta do governo geral. Os juros são a diferença entre o resultado primário e o resultado total do governo, ou seja, o que ele paga de juros menos o que recebe; o valor negativo da Coreia do Sul quer dizer que o governo recebe mais juros do que paga. O investimento é o total do país, público e privado (dívida; resultados e investimento).
Quem deve mais paga menos. O Japão deve 236,7% do PIB e gasta 0,4% com juros. Os Estados Unidos devem 120,8% e gastam 3,7%. O Brasil deve 87,3% e gasta 6,3%, mais que qualquer outro país do G20. Fora do grupo, a Espanha devia 102% do PIB. Pelo critério do Conselho de Estabilidade Financeira (FSB), que mede de outro jeito, a dívida brasileira é de 88% do PIB, a 8ª maior do G20, e os juros custaram 8,8% do PIB em 2024, também o maior gasto do grupo (Poder360, 04/07/2026).
Quem cresce investe. O Relatório do Crescimento, de 2008, foi feito por uma comissão presidida pelo Nobel de Economia Michael Spence, com o também Nobel Robert Solow entre os membros, e publicado pelo Banco Mundial. Ele estudou as 13 economias que, desde 1950, cresceram 7% ao ano ou mais por 25 anos ou mais, e concluiu: "No country has sustained rapid growth without also keeping up impressive rates of public investment--in infrastructure, education, and health. Far from crowding out private investment, this spending crowds it in". Nenhum país sustentou crescimento rápido sem manter taxas impressionantes de investimento público, em infraestrutura, educação e saúde, e esse gasto, em vez de afastar o investimento privado, o atrai (📄 Relatório do Crescimento, p. 5). Para isso, o investimento total, público e privado, precisa ser de "25 percent of GDP or above", 25% do PIB ou mais (📄 p. 34).
O Brasil já fez isso. O Brasil é uma das 13 economias do relatório: cresceu 7% ao ano ou mais de 1950 a 1980 (📄 p. 19 e 20). Em 2024, investiu 16,9% do PIB, longe dos 25%, e no G20 só a África do Sul e a Argentina investiram menos. Em 2025, o governo federal gastou R$ 371,7 bilhões com juros e R$ 70,8 bilhões com investimentos (ver acima).
Quem diz que o Lula 3 "quebrou as contas" esquece a regra fiscal de cada governo. Bolsonaro governou sob o teto de gastos, criado por Temer em 2016, e gastou acima dele nos quatro anos, inclusive mudando a Constituição. Lula trocou o teto pelo arcabouço fiscal e cumpriu a meta em 2024 e 2025.
2019 a 2022 — R$ 794,9 bilhões acima do teto: segundo levantamento do economista Bráulio Borges, do FGV Ibre, para a BBC, foram R$ 53,6 bilhões em 2019, R$ 507,9 bilhões em 2020, com o Orçamento de Guerra da pandemia, R$ 117,2 bilhões em 2021 e R$ 116,2 bilhões em 2022, puxados pelos benefícios criados antes da eleição. Sem contar 2020, foram R$ 287 bilhões (Money Times, 17/11/2022).
21/10/2021 — a debandada de Guedes: o secretário especial do Tesouro e Orçamento, Bruno Funchal, o secretário do Tesouro Nacional, Jeferson Bittencourt, e dois secretários adjuntos pediram demissão. A mudança na regra fiscal negociada na Câmara abriria R$ 83 bilhões no Orçamento de 2022: R$ 39 bilhões com a mudança no cálculo do teto e R$ 44 bilhões com o parcelamento dos precatórios (Poder360, 21/10/2021).
08 e 16/12/2021 — a PEC dos Precatórios: as emendas constitucionais 113 e 114 mudaram o cálculo do teto e limitaram o pagamento de precatórios, as dívidas da União reconhecidas pela Justiça (EC 113/2021; EC 114/2021). A conta ficou para o governo seguinte (ver Por que a dívida subiu).
Julho de 2022 — a PEC Kamikaze: um "estado de emergência" liberou gastos fora do teto no ano da eleição, entre eles R$ 200 a mais no Auxílio Brasil só de agosto a dezembro (ver Eleições 2022).
30/08/2023 — a regra nova: Lula sancionou o arcabouço fiscal, que substituiu o teto. A despesa só pode crescer, acima da inflação, 70% do que crescer a receita, ou 50% se a meta do ano anterior não for cumprida, e sempre entre 0,6% e 2,5% ao ano. A meta de resultado primário vale com um intervalo de tolerância (Lei Complementar 200/2023).
30/01/2025 — a meta de 2024 cumprida: a meta era déficit zero, com tolerância de 0,25% do PIB. Pela conta do arcabouço, o governo central teve déficit de R$ 11 bilhões, 0,09% do PIB. A conta deixou de fora a reconstrução do Rio Grande do Sul depois das enchentes. Com ela, o déficit foi de R$ 44 bilhões, 0,36% do PIB (Poder360, 30/01/2025).
29/01/2026 — a meta de 2025 cumprida: pela conta do arcabouço, o déficit foi de R$ 13 bilhões, 0,1% do PIB. Ficaram de fora R$ 48,7 bilhões, e R$ 41,1 bilhões deles eram precatórios acima do limite criado pela PEC dos Precatórios de Bolsonaro, que o STF permitiu pagar fora da meta. Outros R$ 2,8 bilhões foram o ressarcimento dos aposentados lesados pelos descontos do INSS. Com tudo, o déficit foi de R$ 61,7 bilhões, 0,48% do PIB (📄 apresentação do Tesouro, p. 7 · 📄 cópia no site; Reuters, via Diário do Comércio, 30/01/2026).
Risco-país (EMBI+) – Ipeadata): caiu de 276 pontos (dez/2018) para 256 (dez/2022) e 195 (dez/2023). A série pública termina em julho de 2024, com 228 pontos, então não há dado do fim de 2024 e de 2025.
Emissões de gases caem em 2024 – Agência Brasil: segundo o SEEG, as emissões brutas caíram 16,7% em 2024, para 2,145 bilhões de toneladas de CO2 equivalente, a segunda maior queda da série iniciada em 1990. O SEEG revê a série inteira a cada edição, e o relatório completo não estava acessível, então não há comparação com 2018 e 2022 no mesmo critério.
Caged: troca da coleta pelo eSocial em 2020 – Ipea: o eSocial capta contratos temporários que o Caged antigo não registrava. O governo Bolsonaro tem 2019 num método e 2020 a 2022 no outro, então não há total comparável. Os dados de trabalho do IBGE, na seção Trabalho e renda, não têm essa quebra.
Fies: adesão cai 94% em 11 anos – O Tempo: o MEC não publica o total de novos contratos de 2022, então não há comparação direta. Segundo o ministério, foram 732.645 em 2014 e 43.827 em 2024. A queda vem de 2015 e se aprofundou com a reforma de 2017, no governo Temer, que criou o Novo Fies.
Número de famílias assentadas cresce 612% com Lula – Poder360: o governo diz ter incluído 50.592 famílias na reforma agrária em 2023, contra 7.105 em 2022, e 71 mil em 2024. O próprio MST contesta: segundo o movimento, boa parte é regularização de famílias que já estavam no lote (Repórter Brasil). Com o dado contestado até por aliados, o indicador ficou de fora.
Participação da indústria de transformação no PIB – IBGE: em valores correntes, subiu de 10,5% para 13,1% no governo Bolsonaro e caiu para 11,8% no Lula 3, por efeito de preços. A preços constantes (IBGE), a participação caiu nos dois governos.
PIB e inflação: média simples das taxas anuais de cada governo. Em 2020, a pandemia derrubou o PIB (−3,3%).
Ícones: comparam onde cada governo deixou o indicador e o ritmo de mudança por ano. ✅ quando o Lula 3 foi melhor nos dois critérios, ⚠️ quando foi pior nos dois, e ➖ quando os critérios divergem ou o ritmo difere menos de 10%. Médias e valores únicos são comparados diretamente. 🏆 marca o indicador que bateu o recorde da série histórica no Lula 3, com a fonte na própria linha ou na nota. Recordes negativos, como o pico da fila do INSS em fevereiro de 2026 e os feminicídios, estão registrados no texto das linhas.
Trabalho e renda: PNAD Contínua, do IBGE, no trimestre de outubro a dezembro de 2018, 2022 e 2025. A renda está corrigida pela inflação, e a carteira assinada conta os empregados do setor privado, sem os domésticos. O desemprego leva ✅ porque o Lula 3 terminou em nível mais baixo (5,1% vs. 7,9%) e alcançou o recorde histórico da série, mesmo que o ritmo de queda anual tenha sido parecido nos dois governos.
Recordes: em junho de 2026, eram 39,4 milhões de empregados com carteira e 103,1 milhões de pessoas trabalhando, os maiores números da série iniciada em 2012. A subutilização estava em 12,9%, a menor da série. A menor informalidade (36,6%) foi no 2º trimestre de 2020, na pandemia.
Salário mínimo: reajuste de cada ano descontada a inflação (INPC) do ano anterior, com dados do Banco Central (INPC). O mínimo foi de R$ 998 (2019) a R$ 1.212 (2022) e de R$ 1.320 (2023) a R$ 1.621 (2026).
Cesta básica: salário mínimo em vigor em cada mês dividido pelo custo da cesta básica do DIEESE na cidade de São Paulo, a capital de referência da entidade, na média do ano, como faz o próprio DIEESE (nota técnica). Os valores mensais saem da consulta por cidade da Pesquisa Nacional da Cesta Básica. A cesta custou em média R$ 444,49 em 2018, R$ 762,23 em 2022, R$ 864,55 em 2025 e R$ 905,90 de janeiro a setembro de 2026. A projeção de 1,93 cesta para 2026, divulgada em dezembro de 2025, usava a cesta de novembro (R$ 841,23), mas a cesta subiu no ano e chegou a R$ 965,47 em junho (Capital News, 26/12/2025).
Dólar: cotação de venda (Ptax) no último dia útil de cada ano. Chegou a 6,19 reais no fim de 2024 e estava em 5,17 em 14/09/2026.
Dívida e Selic: o Banco Central é autônomo desde 2021 (Lei Complementar 179). Roberto Campos Neto, indicado por Bolsonaro, presidiu o banco até dezembro de 2024, e Gabriel Galípolo, indicado por Lula, assumiu em janeiro de 2025 (Poder360). Em 2025, os juros da dívida foram o gasto que mais cresceu, por causa da Selic alta (Tesouro Nacional). A dívida foi de 82,6% do PIB em julho de 2026, e a Selic, de 14% em setembro.
Carga tributária: tributos do governo federal, dos estados e dos municípios em % do PIB, no boletim do Tesouro de 2025, com a série revista em 2026, quando o FGTS e o Sistema S deixaram de contar como tributo. Segundo o Tesouro, a alta de 2025 veio sobretudo do imposto de renda retido na fonte, com a expansão da massa salarial, do IOF e das contribuições ao INSS, com mais empregos formais e a volta gradual da contribuição sobre a folha. Os impostos sobre consumo ficaram em 13,8% do PIB em 2025, contra 13,2% em 2022 e 14,2% em 2018. Os impostos criados e aumentados estão em Os impostos do Lula 3.
Imposto de Renda: faixa isenta da tabela mensal. A Lei 15.270/2025 isenta quem ganha até R$ 5 mil por mês a partir de 2026, com desconto até R$ 7.350, e 10 milhões de pessoas deixam de pagar (Diario de Pernambuco, 26/11/2025). Bolsonaro prometeu isentar quem ganhasse até cinco salários mínimos, e Paulo Guedes admitiu em 2021 que a promessa não foi cumprida (Jovem Pan, 17/12/2021).
Resultado primário: receitas menos despesas, sem contar os juros, do setor público consolidado, que reúne União, estados, municípios e estatais, em % do PIB no acumulado do ano. Em 2022, o resultado teve a ajuda do limite ao pagamento de precatórios. Em 2023, o governo pagou 92,4 bilhões de reais em precatórios atrasados e antecipados (ver Por que a dívida subiu).
Renda por pessoa nas famílias: soma dos rendimentos de todos os moradores, de todas as fontes, dividida pelo número de moradores, na PNAD Contínua anual do IBGE, em reais de 2025.
Safra de grãos: a safra 2021/22 foi a última colhida no governo Bolsonaro, e a 2022/23, a primeira do Lula 3. A série até 2023/24 é a da Conab de agosto de 2024. As safras 2024/25 e 2025/26 são do levantamento de setembro de 2026, em que a 2025/26 ainda é previsão.
Taxa de investimento: formação bruta de capital fixo dividida pelo PIB, a preços correntes. O número do governo Bolsonaro é o oficial, mas foi inflado por uma mudança contábil. Plataformas de petróleo que já operavam no Brasil estavam registradas em subsidiárias da Petrobras no exterior, para ter isenção de impostos. Com o regime aduaneiro Repetro-Sped, de 2018, elas passaram a ser nacionalizadas, e cada nacionalização entrou nas contas como importação de bem de capital, que conta como investimento. No caso das plataformas que já operavam aqui, isso virou investimento sem que nenhum equipamento novo chegasse (FGV, via Estado de Minas, 15/06/2020). O Banco Central registrou que essas "importações fictas" ajudaram a elevar o investimento em 2020, mas que, mesmo sem elas, o investimento do início de 2021 estava mais de 15% acima da média de 2019 (Banco Central). Não há cálculo oficial de quanto a taxa anual foi inflada, por isso a tabela usa o número do IBGE sem ajuste.
Investimento estrangeiro e balança comercial: média dos saldos anuais. Os 77,7 bilhões de dólares de investimento estrangeiro em 2025 foram o maior valor desde 2018 (Poder360).
Bolsa: pontos no último pregão de cada ano. Em dólares, o Ibovespa caiu 7,3% no governo Bolsonaro e subiu 39,2% no Lula 3. Em 2025, teve a maior alta anual desde 2016.
Empresas: boletins do Mapa de Empresas, do governo federal. As médias usam só anos fechados (2019 a 2022 e 2023 a 2024), porque o boletim anual de 2025 ainda não saiu. Os dados de 2019 vêm do gráfico histórico do boletim de 2024: 3,17 milhões de aberturas e 1,20 milhão de fechamentos.
Fechamento de empresa não é só negócio que quebrou: cancelamentos de CNPJ entram na conta. O próprio boletim lembra que o pico de 2018 veio do cancelamento de ofício de MEIs inadimplentes ou sem declaração anual. Os fechamentos vêm subindo desde 2020: 1,08 milhão (2020), 1,46 milhão (2021), 1,71 milhão (2022), 2,17 milhões (2023) e 2,44 milhões (2024). As aberturas também bateram recorde em 2024, com 4,25 milhões, e o saldo do ano ficou positivo em 1,82 milhão de empresas (Mapa de Empresas, 2024). Abrir e fechar faz parte do mesmo movimento. Os MEIs foram 73,4% das empresas abertas em 2024 e são o tipo que mais fecha: 29% em até cinco anos, contra 21,6% das microempresas e 17% das pequenas (Sebrae). Na pandemia, metade de quem começava um negócio o fazia por necessidade: entre os empreendedores iniciais, essa parcela saltou de 37,5% em 2019 para 50,4% em 2020, segundo a pesquisa GEM (Agência Sebrae), e caiu para 38,6% em 2023 (Fenacon). O maior salto dos fechamentos foi em 2023 (+25,7%) (Mapa de Empresas, 2023), no mesmo período em que o emprego com carteira voltou a bater recorde, mas os boletins não medem quantos desses fechamentos foram de quem trocou o negócio por um emprego. O indicador que mostra o tamanho da base de empresas é o de empresas ativas, que chegou a 24,2 milhões.
Indústria: variação acumulada da produção física (PIM-PF) nos anos de cada governo.
Venda de carros: emplacamentos de automóveis e comerciais leves (picapes e furgões), da Fenabrave. Em 2019, as vendas subiram 7,65%, para 2,65 milhões (Agência Estado, via Notícias Agrícolas, 02/01/2020). A queda veio com a pandemia, em 2020, e o mercado não se recuperou até o fim do governo: em 2022, segundo a consultoria Bright, citada pela AutoData, pesaram a falta de semicondutores, a crise logística e a alta dos juros e dos preços. No Lula 3, a alta de 2024 foi de 14,02% (Agência Brasil, 08/01/2025), e 2025 fechou com 2.549.462 unidades.
Infraestrutura: estimativas da Inter.B Consultoria para energia, telecomunicações, saneamento e transportes, com previsão de 2,19% do PIB em 2025. Em reais, o investimento subiu de 233,4 bilhões (2022) para 243,4 bilhões (2023) e 266,8 bilhões (2024), e a parte pública foi de 69,4 para 78,6 bilhões. A proporção do PIB caiu porque o PIB cresceu mais e porque o investimento em telecomunicações caiu de 38,5 para 28,2 bilhões. Segundo a Inter.B, a queda veio em grande medida da recuperação judicial da Oi, que respondia por cerca de 20% do investimento privado do setor na década passada, e da redução dos aportes da V.tal depois do pico de 2021 e 2022 (Inter.B). Sem telecomunicações, a proporção subiu de 1,94% para 2,03% do PIB (cálculo com os dados da Inter.B). O salto do saneamento reflete o novo marco legal de 2020. Em aeroportos, o governo Bolsonaro concedeu mais, e o governo Lula herdou o setor quase todo privatizado (Jornal de Brasília).
Fome: o relatório da ONU de 2025 usa a média de 2022 a 2024, que inclui o último ano do governo Bolsonaro.
Gini: vai de 0 a 1, e quanto menor, menos desigual é a renda. A série do IBGE começa em 2012.
Bolsa Família: o benefício mínimo é o valor garantido a cada família. No fim de 2018, o Bolsa Família atendia 14,1 milhões de famílias. O Auxílio Brasil chegou a 21,6 milhões em dezembro de 2022, com valor médio de R$ 607,14 (Agência Brasil). No Lula 3, o número caiu para 18,71 milhões em dezembro de 2025 (Poder360), depois de um pente-fino que cancelou 3,7 milhões de benefícios irregulares em um ano (Correio Braziliense). O Poder360 chamou esse pente-fino de "tímido" e registrou que, até o fim de 2024, 1,6 milhão de famílias de uma só pessoa tinham deixado o programa (Poder360). O resultado que o programa busca, a queda da pobreza, está na linha de extrema pobreza. O reajuste de 15,04% que leva o mínimo a R$ 691 foi anunciado pelo MDS em 17/09/2026.
IDHM: Radar IDHM, do PNUD Brasil com a Fundação João Pinheiro e o IBGE, calculado com a PNAD Contínua desde 2012. Vai de 0 a 1, e a faixa "muito alto" começa em 0,800. É uma faixa do índice, não a classificação de país desenvolvido. Nas dimensões, de 2018 a 2022 e depois até 2024, a renda foi de 0,741 para 0,745 e 0,760, a longevidade de 0,850 para 0,841 e 0,860, e a educação de 0,744 para 0,780 e 0,798, no mesmo ritmo por ano nos dois governos. A perda pela desigualdade é quanto o índice cai quando se descontam as desigualdades dentro de cada dimensão.
IDH global: o índice da ONU usa outros indicadores e não se compara com o IDHM. No relatório de 2025, o Brasil tem 0,774 (2018), 0,780 (2022) e 0,786 (2023), em 84º lugar e na faixa "alto" (PNUD). O PNUD recalcula a série a cada relatório, então posições de edições diferentes não se comparam.
Expectativa de vida: a pandemia derrubou o indicador em 2020 e 2021, e ele voltou a subir a partir de 2022.
Vacinação: os dados de 2024 vão até 1º de outubro daquele ano.
Analfabetismo: o IBGE não divulgou a taxa de 2020 e 2021.
Tempo integral: indicador 6A do Plano Nacional de Educação, que conta os alunos da rede pública com jornada de 7 horas diárias ou mais. Desde 2022, o Censo Escolar registra à parte as horas dos itinerários formativos do novo ensino médio. O Programa Escola em Tempo Integral foi criado em 2023 (Lei 14.640). No ensino médio público, a parcela em tempo integral foi de 10,5% (2018) para 20,4% (2022) e 26,8% (2025) (Inep, 2022).
Pé-de-Meia: paga 200 reais por mês de frequência e 1.000 reais por ano concluído a alunos do ensino médio público de famílias do CadÚnico, com parte do dinheiro guardada até o fim do curso. Os 5,6 milhões atendidos são cerca de 54% dos alunos do ensino médio público.
Enem: em 2025, alunos da 3ª série de escolas públicas e participantes do Pé-de-Meia ficaram isentos da taxa de inscrição.
Prouni: o MEC divulga a oferta anual até 2022 (421 mil em 2018, 414 mil em 2019, 420 mil em 2020, 298 mil em 2021 e 473 mil em 2022). Do governo Lula, a tabela usa a oferta do 1º semestre de 2026, a última divulgada. Sozinha, ela supera qualquer ano inteiro do governo Bolsonaro.
Universidades federais: verba discricionária liquidada, que paga água, luz, limpeza, vigilância e bolsas, sem os benefícios de servidores, corrigida pela inflação pelo centro de estudos SoU_Ciência. Não entra o valor de 2018. O investimento em obras e equipamentos ficou em 162 milhões de reais em 2024, o segundo menor desde 2000; o menor foi o de 2021.
Universidades: nos dois governos, as universidades novas saíram de estruturas que já existiam. A do Norte do Tocantins veio de campi da Federal do Tocantins; a da Fronteira Norte, do campus de Oiapoque da Federal do Amapá; e as de Ciência e Inovação, dos Cefets, que já davam graduação, mestrado e doutorado. As 5 que começaram a funcionar em 2019 também vieram de projetos enviados pelo governo Dilma em 2016. Além das universidades, o MEC contou 18 novos campi universitários criados desde 2023 (MEC).
Institutos federais: os campi autorizados no governo Bolsonaro são os informados pela Setec, do MEC, ao Aos Fatos em agosto de 2022. No Lula 3, os 111 novos campi fazem parte do Novo PAC. Autorizar o funcionamento não é o mesmo que inaugurar: parte dos campi ainda está em obras.
FNDCT: principal fundo de financiamento da ciência no país. A medida provisória 1.136, de agosto de 2022, fixou em R$ 5,555 bilhões o limite para aquele ano (Câmara). Em 2023, o fundo foi liberado por inteiro, e o orçamento foi usado integralmente (Anprotec).
Cultura: a Lei Paulo Gustavo destinou R$ 3,86 bilhões ao setor cultural afetado pela pandemia, e a Aldir Blanc 2, R$ 3 bilhões por ano. A medida provisória 1.135/2022 transformou a obrigação de pagar em autorização (Poder360). Contraponto: em 2024, os R$ 3 bilhões previstos para a Política Nacional Aldir Blanc não foram executados no ano, por mudanças de regras e atraso no primeiro ciclo, repassado entre novembro de 2023 e março de 2024 (TCU).
Turismo: chegadas de turistas internacionais, medidas pela Embratur com a Polícia Federal. O recorde anterior a 2025 era o de 2024, com 6,77 milhões, então nenhum ano do governo Bolsonaro passou desse número. A pandemia derrubou as viagens em 2020 e 2021.
Moradia: a Faixa 1 atende as famílias de menor renda, com maior subsídio. Os contratos dessa faixa foram retomados em fevereiro de 2024, após cinco anos parados.
Previdência: requerimentos iniciais pendentes de análise, que é uma das três métricas chamadas de "fila". A demanda cresceu 45% no período, de 897 mil pedidos por mês em 2023 para 1,3 milhão em 2026, então o mesmo estoque absoluto significa uma espera menor. O anúncio de fila zerada, em setembro de 2026, usa outro critério: estoque menor que a entrada mensal de novos pedidos. A queda da fila em 2026 veio junto com alta de cerca de 70% nos indeferimentos. A série completa, os critérios e os contrapontos estão em Fila do INSS.
Obras: percentual do Painel de Obras Paralisadas do TCU. Segundo o tribunal, o quadro de 2023 reflete falhas de coordenação e planejamento do governo entre 2019 e 2022. Em 2025, 22% das obras iniciadas entre abril de 2024 e abril de 2025 já estavam paradas.
Segurança: dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), que revisa números de anos anteriores. O policiamento cabe principalmente aos estados.
Armas de CACs: acervo de armas registradas por caçadores, atiradores e colecionadores, com dados do Exército obtidos pelos institutos Sou da Paz e Igarapé. O decreto 11.615, de julho de 2023, restabeleceu limites derrubados no governo Bolsonaro, mas não mexeu no acervo existente, e o programa de recompra não saiu do papel. Por isso o acervo continua crescendo, só que bem mais devagar.
Feminicídios: dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que revisa os anos anteriores. O número é pior no Lula 3, mas cresceu mais devagar: 39 casos a mais por ano, contra 57 no governo Bolsonaro. Pela regra dos ícones, isso dá ➖. Todos os anos do Lula 3 bateram recorde, ao mesmo tempo em que as mortes violentas em geral caíram (ver a linha de mortes violentas, em Segurança pública). Em 2025, 44,4% das mulheres assassinadas foram vítimas de feminicídio, a maior proporção desde que o crime entrou no Código Penal, em 2015 (CNN).
Penas: o feminicídio entrou no Código Penal em 2015, no governo Dilma, como forma de homicídio qualificado (Lei 13.104/2015). A Lei 14.994/2024 veio de projeto da senadora Margareth Buzetti (PSD-MT), sancionado sem vetos por Lula, e também aumentou as penas de lesão corporal, ameaça e crimes contra a honra cometidos contra a mulher (Agência Senado, 10/10/2024). Contra o crime organizado, os dois governos sancionaram leis que endureceram as penas, por isso a linha leva ➖. A Lei Antifacção foi enviada pelo governo ao Congresso em novembro de 2025 e sancionada com dois vetos em 24/03/2026 (Conjur, 24/03/2026).
Terras indígenas: a homologação é a etapa final da demarcação, feita por decreto do presidente. Bolsonaro foi o único presidente desde a redemocratização que não avançou em nenhuma fase da demarcação (A Pública). O ritmo do Lula 3 é o menor dos três mandatos dele (Metrópoles).
Queimadas: focos de calor detectados pelo satélite de referência do Inpe, de 1º de janeiro a 31 de dezembro (em 2025, até 23 de dezembro). Os números mudam muito com o clima: em 2024, a seca extrema levou ao maior número desde 2010; em 2025, com mais chuva, a queda foi de 51,8% (Poder360). O governo Bolsonaro teve 197,6 mil focos em 2019, 222,8 mil em 2020, 184,1 mil em 2021 e 200,8 mil em 2022 (Inpe).
Leis anticorrupção: as seis leis listadas foram criadas ou sancionadas por Lula 1 e 2 ou por Dilma. A CGU foi criada por lei em 2003. O Portal da Transparência foi regulamentado em 2005. A Ficha Limpa veio de iniciativa popular com 1,3 milhão de assinaturas e foi sancionada por Lula em 2010 — a mesma lei que o TSE usou para barrar a candidatura dele em 2018. A Lei Anticorrupção é de 2013; antes dela, só era possível punir a pessoa física, não a empresa. A Lei das organizações criminosas, também de 2013, regulou a delação premiada, que a Lava Jato usaria a partir de 2014. No Lula 3, todos esses órgãos foram restaurados ou reforçados. O detalhamento está em Combate à corrupção.
CGU: a Controladoria-Geral da União foi criada no governo Lula 1 (2003). No governo Bolsonaro, foi subordinada à Casa Civil pela MP 870/2019, perdendo status de ministério autônomo. No governo Lula 3, voltou a ser ministério independente (Jusbrasil).
Orçamento secreto: as emendas de relator (RP9) foram criadas pelo Congresso em 2019 e implementadas em 2020, durante o governo Bolsonaro. O mecanismo concentrava o poder nas mãos de Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara, que distribuía os recursos como moeda de troca para garantir maioria. O STF declarou o mecanismo inconstitucional na ADPF 854, em dezembro de 2022 (STF). No governo Lula 3, Flávio Dino passou a exigir plano de trabalho, conta bancária exclusiva e prestação de contas para todas as modalidades de emenda, e em 2026 começou a aplicar multas a estados e municípios que não cumpriram as exigências.