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Jones Manoel

Resumo

Jones Manoel, historiador e youtuber pernambucano, foi eleito deputado federal pelo PSOL em 2026, com 249.077 votos. Em 2023, foi expulso do PCB, que o apontou como parte de uma militância "com pouca inserção de luta real na sociedade e com intenso engajamento nas redes sociais". Na saída, acusou a direção do PCB de adotar uma "política reformista" e recusou convites de outros partidos. Em 2026, trocou o PCBR, partido sem registro eleitoral, pelo PSOL, que tem ministros no governo Lula, e aceitou a exigência de apoiar Lula desde o primeiro turno. Por onde passou, deixou crise: o PCB rachou em 2023, e a ala dele formou o PCBR; em 2026, ele saiu do PCBR em briga pelo controle do canal dele no YouTube e pelo voto em Lula, depois de propor ficar calado sobre esse voto até registrar a candidatura. No PSOL, aliados de Guilherme Boulos fizeram ressalvas à entrada dele.

No auge da ofensiva contra Dilma, no fim de 2015, Jones pegou o microfone num ato de rua para pedir "a cabeça do Joaquim Levy" e disse que a luta contra o ajuste era "muito mais importante do que a histeria contra o golpe". Em março de 2016, o PCB, partido dele, declarou que não havia golpe. Depois, Jones passou a culpar o próprio governo Dilma: em 2026, disse que o que tirou dela a "capacidade de manter-se no governo" foi o ajuste fiscal de Joaquim Levy, e não a vingança de Eduardo Cunha. Em 2025, disse que a candidatura de Lula "não vai ser uma candidatura de esquerda", se lançou pré-candidato a presidente e, numa audiência na Câmara, falou em "estelionato eleitoral". Já filiado ao PSOL, publicou em 2026 uma "colinha" de votação sem o número de Lula e, eleito, anunciou que vai trabalhar pela reeleição dele, sem retirar nenhuma crítica. Das 32 acusações dele a Lula e Haddad conferidas nesta página, nenhuma fica de pé: 22 são falsas, três anunciaram o que não aconteceu, seis são distorcidas e uma é desmentida pelos fatos. Em maio de 2026, ele disse que o lulismo "nunca" enfrentaria as bets; em setembro, Lula as proibiu em todo o país. O arcabouço que ele chama de "novo teto de gastos" deixa a despesa crescer acima da inflação, Haddad rejeitou a desvinculação da aposentadoria que Jones lhe atribuiu, e o BPC que Haddad teria tentado destruir chegou em 2025 ao recorde de 6,4 milhões de benefícios.

Quem é

  • 03/10/2022 — candidato a governador: pelo PCB, Jones ficou em 6º lugar na eleição para governador de Pernambuco, com 33.931 votos, 0,69% do total (Folha de Pernambuco, 03/10/2022).
  • 05/10/2026 — deputado federal: eleito pelo PSOL com 249.077 votos, o segundo mais votado de Pernambuco (Diário de Pernambuco, 05/10/2026).

Contra Dilma, antes e depois do golpe

  • 06/12/2015 — "O governo do PT cavou a sua própria sepultura": quatro dias depois de Eduardo Cunha abrir o processo de impeachment de Dilma (Conjur, 02/12/2015), o PCB, partido de Jones, culpou o próprio governo: "O governo do PT cavou a sua própria sepultura". Disse que repudiava as ações pelo impeachment, mas que não participaria "de nenhum movimento com o objetivo de legitimar o governo" (nota do PCB, 06/12/2015; ver o golpe de 2016).
  • Fim de 2015 — "a cabeça do Joaquim Levy" no microfone: em vez de defender o mandato de Dilma, Jones atacou o governo dela num ato de rua. Contou que, nos atos, "o pessoal do PT, do PCdoB" não citava o ajuste fiscal e que, num ato no fim de 2015, pegou o microfone, falou contra o ajuste e pediu "a demissão, a cabeça do Joaquim Levy". Quase brigou com os seguranças da CUT: "o povo ficou puto comigo" (entrevista a Breno Altman, Opera Mundi, 24/07/2020, 1:01:15).
  • Fim de 2015 ou início de 2016 — a "histeria contra o golpe": Jones chamou para a rua dizendo que a luta contra o ajuste fiscal era "muito mais importante do que a histeria contra o golpe". Foi ele mesmo quem contou a frase, em 2020, reclamando que o PCO "pegou esse print" (Opera Mundi, 24/07/2020, 1:02:23). Em 2022, chamou de "montagem" o print com a frase "não entramos na histeria do golpe", mas não negou as palavras: disse que recortaram a legenda que ele pôs num post compartilhado e que trocaram a data, que seria de janeiro de 2016 (Opera Mundi, 21/02/2022, 43:34). Em janeiro, o processo de impeachment já estava aberto havia um mês.
  • 21/03/2016 — "não estamos diante de um golpe": a Comissão Política Nacional do PCB declarou que, "a rigor, não estamos diante de um golpe", e sim de "uma acirrada disputa no campo das contradições interburguesas". A nota se distanciou dos atos de 18 de março, "cujo objetivo principal foi defender Lula, Dilma e os governos petistas de conciliação de classe" (nota do PCB, 21/03/2016).
  • 24/07/2020 — o golpe como "jogo da burguesia": Jones admitiu que via a ameaça de impeachment como "muito mais um jogo da burguesia brasileira para forçar o governo petista a intensificar o processo de ataques" contra a classe trabalhadora, e que defendia "muito mais focar no combate ao ajuste fiscal antipopular do que numa luta contra o golpe". Nos debates, a luta contra o golpe ele "ou não falava ou citava no final protocolar para cumprir o centralismo democrático" (Opera Mundi, 24/07/2020, 1:00:24).
  • 24/07/2020 — a culpa dividida com o PT, e o PCB absolvido: na mesma entrevista, Jones reconheceu "um erro de calibragem política", mas disse que ele "também tem a ver com uma subestimação, uma legitimação do ajuste fiscal dos setores da esquerda que estavam no governo". E livrou o próprio partido: "Meu partido calibrou isso muito melhor do que eu" (Opera Mundi, 24/07/2020, 1:03:07). Não calibrou: em março de 2016, o PCB dizia que não havia golpe (ver o item de 21/03/2016).
  • 24/07/2020 — contra o Lula Livre no sindicato: Jones se dizia contra a prisão de Lula, mas contou que, como militante sindical, lutou contra pôr o Lula Livre na "campanha salarial pelo aumento do salário dos professores": "Não vai, não". Admitiu que "não fui muito animado aos atos pela liberdade do Lula" e, em 2020, mantinha a posição de que o Lula Livre "não é pauta central das esquerdas" (Opera Mundi, 24/07/2020, 58:57).
  • 20/12/2021 — a culpa passa para Dilma e para a frente ampla: Jones disse que "nunca houve enfrentamento por parte do governo Dilma" (TV 247, 20/12/2021, 39:41) e que a frente ampla "não deu resposta nenhuma" à prisão de Lula (TV 247, 20/12/2021, 55:40). Um ano e meio antes, tinha contado que lutou contra o Lula Livre no sindicato.
  • 21/02/2022 — "o governo Dilma não ajudou a resistência": perguntado por Breno Altman sobre 2016, Jones admitiu "um erro de análise", mas jogou a conta no governo Dilma, que "não ajudou a resistência ao golpe" (Opera Mundi, 21/02/2022, 47:15).
  • 07/05/2026 — "Dilma entregou o pré-sal": o canal de Jones publicou o programa Manhã Brasil com esse título. Na descrição, o âncora Mauro Lopes diz que Dilma, em junho de 2015, "na Casa Branca, comunicou a Obama que seu governo estava encerrando com o monopólio da Petrobrás para a exploração do pré-sal" (canal de Jones, 07/05/2026). A história não para de pé. O comunicado conjunto da visita fala de comércio, clima e cooperação em energia, sem uma linha sobre o pré-sal ou a Petrobras (Casa Branca, 30/06/2015). A exclusividade da Petrobras acabou em 1997, no governo FHC, quando a lei abriu a exploração do petróleo, "mediante concessão ou autorização", a outras empresas (Lei 9.478/1997, art. 5º). E a regra que fazia da Petrobras a operadora obrigatória do pré-sal caiu com o projeto do tucano José Serra, o PLS 131/2015. No Senado, ele passou em 24/02/2016 por 40 votos a 26 (Agência Senado, 24/02/2016), sem nenhum voto do PT a favor (FUP, 26/02/2016). Na Câmara, virou o PL 4567/2016 e foi aprovado em 05/10/2016, já no governo Temer, sob obstrução da oposição (Agência Câmara, 09/11/2016), e Temer sancionou a lei em 29/11/2016 (Conjur, 30/11/2016). Ressalva: o governo Dilma participou da negociação. Com o impeachment já aberto, integrantes do governo fecharam com o PSDB e parte do PMDB o texto aprovado no Senado (Agência Senado, 24/02/2016), com a condição de que a Petrobras mantivesse a preferência de ser operadora nos leilões, segundo o Valor (Congresso em Foco, 15/02/2016).
  • 13/05/2026 — o golpe vira culpa do ajuste: num vídeo em que reage a Frederico Krepe, Jones exibiu a avaliação do trabalhista de que "a queda da Dilma e a prisão do Lula [...] salvou o PT", porque Dilma "conseguiu construir pra cima a narrativa de que foi derrubada porque estava enfrentando os poderosos [...] quando na prática não era isso que estava acontecendo". E emendou: "Esse ponto do Fred é muito importante". Disse que se consolidou a ideia de "que Dilma caiu porque era honesta, porque era mulher, porque não quis se render ao Eduardo Cunha", mas que "o que propiciou a desconstrução da popularidade da Dilma e de sua capacidade de manter-se no governo foi o ajuste fiscal tocado pelo Joaquim Levy" (vídeo de Jones, 13/05/2026, 14:00). Jones admite que Dilma "era honesta" e que houve misoginia, mas o processo não nasceu do ajuste: Eduardo Cunha o abriu no dia em que soube que os deputados do PT não iam salvá-lo da cassação (Conjur, 02/12/2015).

Do PCB ao PSOL

  • 08/07/2023 — fora da direção do PCB: Jones foi afastado de todas as instâncias de direção do partido depois de um processo interno sobre críticas que ele fez à falta de uma política de segurança diante de ameaças de morte. Ele acusou a direção nacional de ter adotado "uma política reformista" (CartaCapital, 17/07/2023).
  • 31/07/2023 — expulso do PCB: o partido expulsou Jones, o ex-secretário-geral Ivan Pinheiro e outros três militantes. Segundo a CartaCapital, o PCB os apontou como parte de "uma pequena militância com pouca inserção de luta real na sociedade e com intenso engajamento nas redes sociais". Jones disse que seu objetivo era "derrotar a minoria no partido e recuperar a reconstrução revolucionária do PCB" e recusou convites de outros partidos (CartaCapital, 31/07/2023).
  • 04/09/2024 — o PCB rachado: um ano depois, o Brasil de Fato descreveu o PCB num "momento de fragilidade após sofrer racha no fim de 2023". O crescimento do partido tinha sido "muito influenciado pela figura" de Jones, e "uma ala 'rachou' com o partido e hoje se autodenomina PCBR". Jones saiu com essa ala. Em Pernambuco, o PCB tinha somado 41 mil votos em 2022 e, em 2024, não teve nenhum candidato a vereador (Brasil de Fato, 04/09/2024).
  • 22/01/2026 — o partido sem registro: já no PCBR, Jones explicou que o partido "ainda não possui registro eleitoral" e que por isso abriu diálogo com o PSOL para ser candidato (Bahia Notícias, 22/01/2026).
  • 16/03/2026 — ressalvas no PSOL: a direção nacional do PSOL ia decidir a filiação no início de março, mas adiou o debate. Segundo o Jamildo, setores próximos a Guilherme Boulos manifestaram ressalva, e um interlocutor do partido via na entrada de Jones "uma disputa interna", porque o crescimento dele "poderia ser visto como uma ameaça aos planos" de Boulos (Jamildo, 16/03/2026). O próprio PCBR registrou depois que o processo de filiação "foi bastante turbulento", e atribuiu a turbulência às disputas internas do PSOL (nota do PCBR, 02/05/2026).
  • 27/03/2026 — no PSOL, com Lula desde o 1º turno: o crítico do "reformismo" do PCB entrou no PSOL. A executiva nacional aprovou a filiação por unanimidade (Folha de Pernambuco, 27/03/2026), e entre as exigências acordadas estava "o apoio à candidatura de Lula (PT) desde o 1º turno" (Poder360, 28/03/2026). Em outubro de 2025, o PSOL passou a ter dois ministros no governo Lula: Guilherme Boulos, na Secretaria-Geral da Presidência, e Sônia Guajajara, nos Povos Indígenas (CNN, 21/10/2025).
  • 02/05/2026 — fora do PCBR, em briga pelo canal e pelo voto em Lula: o Comitê Central do PCBR publicou uma nota sobre o "desligamento" de Jones. Contou que tentou pôr o canal Farol Brasil, de Jones, sob "controle partidário" e que ele não aceitou nenhuma forma de "incorporação desse aparelho de comunicação ao Partido". Quando o PSOL reafirmou, em 02/04, que "o apoio a Lula, mesmo que indiretamente, era uma condição mínima", Jones propôs fazer o acordo como "um compromisso pessoal" e manter as críticas ao governo "sem mencionar a questão do voto presidencial, pelo menos até o registro da sua candidatura". Pediu o desligamento na véspera da reunião que avaliaria os termos finais (nota do PCBR, 02/05/2026; Diário 360, 03/05/2026).

As contradições sobre Lula

  • 15/08/2025 — "não vai ser uma candidatura de esquerda": numa entrevista ao canal do jornalista Jamildo Melo, Jones disse: "Neste momento eu gostaria de ser candidato a presidente, porque eu acho que é necessário no cenário eleitoral de 2026 que a gente tenha uma candidatura de esquerda, porque veja, a candidatura de Lula, não vai ser uma candidatura de esquerda" (Esquerda Online, 20/08/2025).
  • 02/09/2025 — "nem petista nem lulista": "Eu não sou petista nem lulista", disse, e se apresentou como pré-candidato à Presidência (IstoÉ, 02/09/2025).
  • 23/09/2025 — "estelionato eleitoral": numa audiência pública na Câmara dos Deputados contra a privatização do metrô do Recife e da Trensurb (Jamildo, 21/09/2025), Jones citou Rui Costa, Haddad e o ministro das Cidades, Jader Filho, e completou: "é também o presidente Lula". Disse que o que fortalece o fascismo é "estelionato eleitoral", "é não cumprir a promessa de campanha", e a plateia terminou gritando "Lula vacilou" (vídeo da audiência, 8:28). Seis meses depois, entrou no PSOL comprometido a apoiar Lula desde o primeiro turno.
  • 05/02/2026 — "parabéns para o governo Lula": num debate com 20 petistas, Jones abriu a rodada dizendo que "o governo Lula 3 estimula privatizações no Brasil" (Spectrum, 05/02/2026, 1:18:48). Minutos depois, corrigindo um petista, admitiu que o programa de desestatização era "onde estava correio, a EBC, que o governo Lula tirou, parabéns para o governo Lula, inclusive é por isso que eu votei naquele homem no segundo turno" (Spectrum, 05/02/2026, 1:22:25). Em abril de 2023, Lula tirou dez estatais da fila de privatização (O Povo, 07/04/2023).
  • 27/03/2026 — o compromisso: sete meses depois de se lançar a presidente, aceitou apoiar Lula desde o primeiro turno como condição para entrar no PSOL (Poder360, 28/03/2026).
  • 21/08/2026 — a "colinha" sem o 13: em plena campanha, publicou uma colinha de votação sem o número de Lula, e seguidores perguntaram se o espaço era para o 22, de Flávio Bolsonaro. Depois da repercussão, falou em "um voto crítico", contra as "políticas neoliberais do governo", e chamou a cobrança de "falsas polêmicas" (Portal de Prefeitura, 21/08/2026).
  • 05/10/2026 — eleito, com Lula e sem recuar: um dia depois do primeiro turno, disse que vai "trabalhar pela derrota do Flávio Bolsonaro e pela garantia da reeleição do presidente Lula", mas que "todas as críticas que eu fiz ao governo Lula foram críticas corretas" (Diário de Pernambuco, 05/10/2026).

Os ataques a Lula e Haddad

Jones ataca o governo Lula e Fernando Haddad quase todo dia. Cada acusação abaixo foi conferida em documento, com o veredito no título. Placar: 32 acusações, nenhuma de pé. 22 são falsas, três anunciaram o que não aconteceu, seis são distorcidas e uma é desmentida pelos fatos.

  • 24/06/2023 e 02/03/2024 — DISTORCIDO — "o PT mantém o legado golpista de Michel Temer": em dois vídeos, Jones disse que Lula "continua o projeto de Temer e Bolsonaro" e que o PT mantém o "legado golpista" de Temer, porque o governo conservou o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), criado por Temer em 2016 (vídeo de Jones, 10:45). O PPI continua, mas o governo tirou estatais da fila de privatizações. Em abril de 2023, Lula excluiu dez delas dos programas de desestatização, entre elas os Correios, a EBC, o Serpro e a Dataprev, como tinha prometido na campanha (O Povo, 07/04/2023). E o teto de gastos de Temer foi substituído pelo arcabouço (ver o item de 15/09/2025).
  • 18/11/2023 — FALSO — "Haddad ataca o Bolsa Família, o Fundeb e o piso da enfermagem": Jones deu esse título a um vídeo sobre a fala de Haddad num evento do BTG (vídeo de Jones, 05:20). Haddad não atacou os três programas. Disse que foram criados sem fonte de financiamento e que "não adianta achar que está fazendo o bem, criando as despesas mais meritórias do mundo de forma insustentável", porque "depois que a conta chegar, essas coisas podem se desfazer" (Metrópoles, 06/11/2023). Os programas seguiram. O Bolsa Família paga no mínimo R$ 600, mais R$ 150 por criança de até 6 anos, e o mínimo passa a R$ 691 em outubro de 2026 (ver a Comparação Bolsonaro x Lula 3). Para o piso da enfermagem, a União repassou R$ 8,3 bilhões a estados e municípios só de janeiro a outubro de 2024 (Brasil 61, 01/11/2024).
  • 11/02/2024 — FALSO — "o governo Lula está privatizando florestas": Jones disse que o governo "privatizou a Chapada dos Guimarães" e que "vende a Chapada dos Guimarães por R$ 900.000" (vídeo de Jones, 05:23 e 15:20). Nada foi vendido. O leilão de 02/02/2024 concedeu por 30 anos os "serviços públicos de apoio à visitação" do parque, com outorga de R$ 926 mil e investimentos estimados em R$ 58 milhões (Agência Infra, 06/02/2024). Nas concessões florestais, a lei de 2006, do primeiro governo Lula, proíbe dar ao concessionário "titularidade imobiliária ou preferência em sua aquisição" (Lei 11.284/2006, art. 16). O decreto de 06/02/2024, que Jones leu no vídeo, tirou da desestatização oito parques nacionais, entre eles os Lençóis Maranhenses, que ele citou no mesmo vídeo como possível alvo, a Serra da Capivara e a Serra da Canastra (Decreto 11.912/2024, art. 2º).
  • 15/04/2024 — FALSO — "o projeto de Haddad para acabar com o SUS e a educação pública": Jones disse que no arcabouço "estava embutido a destruição do mínimo constitucional" da saúde e da educação e, com isso, "a destruição do SUS" (vídeo de Jones, 17:41). O governo deixou as mudanças nos pisos de fora do pacote fiscal (Exame, 28/11/2024), e o piso da saúde subiu para R$ 232,2 bilhões em 2025, R$ 13,7 bilhões a mais que em 2024, com orçamento de R$ 246 bilhões para o Ministério da Saúde (Futuro da Saúde, 08/05/2025).
  • 15/04/2024 — FALSO — "tributar os super-ricos não dá mais dinheiro para saúde e educação": no mesmo vídeo, Jones chamou de "mentira" a ideia de que, tributando os super-ricos, o governo teria "mais dinheiro pra saúde, pra educação", por causa do limite de 2,5% do arcabouço (vídeo de Jones, 13:05). Minutos depois, leu e endossou um texto segundo o qual os pisos "não estão submetidos" a essas travas e crescem junto com a arrecadação (vídeo de Jones, 14:35). É o que diz a Constituição: a União aplica na saúde no mínimo 15% da receita corrente líquida e na educação no mínimo 18% da receita de impostos (Constituição, arts. 198 e 212). Cada real a mais de imposto pago pelos super-ricos aumenta o piso das duas áreas.
  • 05/05/2024 — FALSO — "Haddad defende congelar a aposentadoria": num vídeo com esse título, Jones disse que Haddad, por ter recomendado a leitura de um artigo do economista Bráulio Borges sem fazer "nenhum reparo", "deve concordar integralmente" com ele, inclusive com a ideia de corrigir as aposentadorias só pela inflação (vídeo de Jones, 08:19). Quatro dias depois, Haddad disse ao Estadão que não havia espaço para desvincular as aposentadorias do salário mínimo (Gazeta do Povo, 10/05/2024). Em 12/06/2024, Simone Tebet confirmou que a ideia "não passa pela cabeça do presidente Lula nem da equipe econômica" (O Povo, 12/06/2024), e Lula resumiu em 26/06/2024: "Eu não considero isso gasto" (Folha de Pernambuco, 26/06/2024).
  • 05/05/2024 — FALSO PARA OS REMÉDIOS — a inflação dos idosos: no mesmo vídeo, Jones afirmou que os idosos gastam com "remédios, que normalmente tem uma inflação maior do que o índice de inflação geral", e com "planos de saúde, que historicamente tem um índice de inflação maior" (vídeo de Jones, 11:34). Pelo IPCA, de 2012 a 2025 os remédios subiram 109,0%, menos que o índice geral, de 117,5%, e só ficaram acima dele em 6 dos 14 anos. Os planos de saúde, esses sim, subiram 220,1% (IBGE, 2012 a 2019, e IBGE, 2020 a 2025).
  • 01/06/2024 — NÃO ACONTECEU — a "guerra" contra as universidades: no auge da greve das federais, Jones disse que o governo dava "zero aumento" em 2024 e duvidou do reajuste prometido: "se vai dar mesmo é outra coisa", "eu acho muito difícil esperar que 2025 saia" (vídeo de Jones, 02:17). Saiu. Em 31/12/2024, a MP 1.286 deu aos docentes federais 9% em 2025 e 3,5% em 2026, e o Andes, sindicato que liderou a greve, chamou o reajuste de "conquista da greve de 2024" (Andes, 03/01/2025). No mesmo governo, foram criadas três universidades federais e autorizados 62 novos campi de institutos federais até julho de 2026 (ver a Comparação Bolsonaro x Lula 3).
  • 12/06/2024 — FALSO — "Haddad quer tirar 500 bilhões da saúde e educação": com base num relatório do Tesouro, Jones disse que mudar os pisos podia tirar "até 500 bilhões de reais" da saúde e da educação em nove anos (vídeo de Jones, 04:34). Na véspera do vídeo, Haddad tinha dito sobre as propostas em estudo: "Ninguém tem perda. A gente recompõe" (Poder360, 11/06/2024). O governo deixou os pisos de fora do pacote fiscal (Exame, 28/11/2024), e eles continuaram crescendo com a receita: o da saúde chegou a R$ 232,2 bilhões em 2025 (Futuro da Saúde, 08/05/2025).
  • 22/06/2024 — FALSO — "a missão de Haddad é destruir o SUS" e a DRU: Jones disse que o governo "já decidiu" atacar, "destroçar os pisos constitucionais", e que usaria a Desvinculação de Receitas da União (DRU) para, no meio do ano, "tirar de 20 a 30%" do orçamento aprovado da saúde e da educação (vídeo de Jones, 01:33 e 18:19). A DRU não faz isso. Desde 2016, ela desvincula 30% das contribuições sociais, das CIDEs, das taxas e, desde 2024, das receitas patrimoniais. Não atinge os impostos, sobre os quais se calcula o piso da educação (Constituição, ADCT, art. 76). Quando Jones gravou o vídeo, ela já estava em vigor, prorrogada pela PEC da Transição até o fim de 2024 (Emenda Constitucional 126), e vigora sem interrupção desde 2016, e o piso da saúde subiu em 2025 para R$ 232,2 bilhões, com orçamento da saúde acima dele (Futuro da Saúde, 08/05/2025).
  • 10/07/2024 — FALSO — "o Brasil não fez nada" e o contrato "assinado" com Israel: num vídeo chamado "Governo Lula financia complexo industrial militar de Israel", Jones disse que, depois das críticas de Lula a Israel, o Brasil "não fez concretamente nada" e que o governo "acabou de assinar um contrato de R$ 1 bilhão" com uma empresa israelense (vídeo de Jones, 03:04 e 07:39). O Brasil tinha chamado de volta seu embaixador em Israel em 19/02/2024, depois que Israel declarou Lula "persona non grata" (Poder360, 19/02/2024). Em 29/05/2024, Lula decidiu não mandar substituto e rebaixou a representação brasileira, em protesto contra o governo Netanyahu (Jornal do Comércio, 29/05/2024). O contrato não estava assinado: em maio de 2024, o ministro da Defesa adiou a assinatura, e a compra ficou parada (The Defense Post, 10/10/2024). Até setembro de 2026, nenhum contrato tinha sido assinado e nenhum pagamento feito; a negociação foi retomada em 2026, com a proposta de montar os veículos na Avibras, em Jacareí (Forças Terrestres, 13/09/2026). Em julho de 2025, o governo anunciou que o Brasil entraria na ação da África do Sul que acusa Israel de genocídio na Corte Internacional de Justiça (CNN, 14/07/2025).
  • 16/10/2024 e 19/11/2024 — NÃO ACONTECEU — a taxação dos ricos como "cortina de fumaça": em outubro, Jones disse que "a lógica do governo é manter tudo que está aí de dinheiro pra burguesia e cortar no lombo do pobre" (vídeo de Jones, 13:44). Em novembro, alertou: "cuidado com esse negócio de que o Haddad vai taxar os ricos", que, para ele, tinha "muito cara de cortina de fumaça" (vídeo de Jones, 20:36). Oito dias depois, no mesmo pronunciamento do pacote de gastos, Haddad anunciou a isenção do imposto de renda até R$ 5 mil, compensada pela tributação de quem ganha mais de R$ 50 mil por mês (Exame, 27/11/2024). Virou lei: desde janeiro de 2026, quem ganha até R$ 5 mil por mês não paga imposto de renda, e quem recebe mais de R$ 600 mil por ano tem tributação mínima (Lei 15.270/2025).
  • 05/11/2024 — FALSO — os pisos "atacados": no ICL Notícias, Jones disse que Haddad "está prometendo atacar" o piso nacional da saúde e da educação, conquistado "na Constituição de 88 depois de uma década de luta" (ICL Notícias, 05/11/2024). Haddad prometeu o contrário. Em junho, ao falar das propostas em estudo para os pisos, disse: "Ninguém tem perda. A gente recompõe" (Poder360, 11/06/2024). E cumpriu: a emenda do pacote de gastos, promulgada em 20/12/2024, manteve os percentuais dos pisos de saúde e educação (Agência Senado, 20/12/2024).
  • 26/11/2024 — DISTORCIDO — o governo que "sabota" o fim da escala 6x1: num vídeo curto, Jones disse que, quando a pauta apareceu, "o governo inicialmente sabota via Luiz Marinho", que teria dado "uma declaração contra o fim da escala 6x1", e que "o Lula fica calado" (vídeo de Jones, 0:19). Treze dias antes, Marinho tinha dito que "a jornada 6×1 é cruel", defendido o fim da escala sem redução de salário e afirmado que o governo tinha "grande simpatia" pela proposta, com a ressalva de que entrava "fortemente o papel da negociação, da convenção coletiva" (Jornal de Brasília, 14/11/2024). E o partido que mais assinou a PEC de Erika Hilton foi o PT, com 68 deputados, a bancada inteira (CNN, 12/11/2024).
  • 23/02/2025 — FALSO — "Haddad mentiu" e o BPC "destruído": num vídeo chamado "Fernando Haddad mentiu na entrevista para o ICL", Jones acusou o governo de se propor "a destruir uma das mais importantes políticas sociais do Brasil" e disse que, em 2024, "mais de 300.000 pessoas foram cortadas sim do BPC" (vídeo de Jones, 29:49 e 46:01). Ao anunciar o pacote, Haddad tinha dito qual era o objetivo: "Para garantir que as políticas públicas cheguem a quem realmente necessita, vamos aperfeiçoar os mecanismos de controle, que foram desmontados no período anterior" (Folha de Pernambuco, 27/11/2024). Três dias depois do vídeo, o TCU confirmou o problema: estimou em R$ 5 bilhões por ano o custo dos pagamentos indevidos do BPC, com 6,3% dos beneficiários fora do critério de renda e benefícios pagos a pessoas possivelmente mortas (IstoÉ Dinheiro, 26/02/2025). Os críticos tratam como "meta de corte" os 670 mil cancelamentos de uma nota técnica do MDS, mas eram uma estimativa para o Orçamento de 2025, a partir de quem estava sem Cadastro Único havia mais de dois anos (Exame, 07/08/2024). Os números desmentem a tese de que o governo cortaria até quem tem direito para fechar a conta. Em 2024, o BPC ganhou 582 mil beneficiários, e o pente-fino cortou 33.966 benefícios entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2025, cerca de 14 vezes menos que os 482 mil previstos (Poder360, 27/04/2025). Em 2025, em vez de cair para os 5,9 milhões da estimativa, o BPC chegou ao recorde de 6,4 milhões de benefícios, com despesa de R$ 127,2 bilhões (Capital Aberto, 19/03/2026, com dados da Instituição Fiscal Independente).
  • 30/04/2025 — FALSO — o governo que "não foi para cima" da fraude do INSS: Jones perguntou por que a operação contra a fraude do INSS "foi detonada só em 2025 e não em 2023" e disse que, em dois anos, "o governo não foi para cima" da fraude (vídeo de Jones, 11:32). Quem foi para cima foi o próprio governo. A CGU começou a apurar o caso em 2023, auditou 29 entidades e entrevistou cerca de 1.300 aposentados (Correio Braziliense, 18/09/2026), e foi essa apuração que levou à Operação Sem Desconto, da PF com a CGU, em abril de 2025. Os descontos investigados começaram em 2019, no governo Bolsonaro, e até fevereiro de 2026 4,2 milhões de aposentados tinham recebido de volta R$ 2,9 bilhões (Rádio Senado, 05/02/2026). Mais em Escândalo do INSS.
  • 11/05/2025 — FALSO — "Haddad entrega o Brasil para as big techs": Jones disse que o Redata, o programa para atrair data centers, era "mera isenção fiscal para as big techs", "sem nenhum controle nacional, sem nenhuma preocupação com soberania e dando prioridade aos Estados Unidos" (vídeo de Jones, 24:29). A lei do Redata, sancionada em 15/09/2026, obriga as empresas a destinar ao mercado interno pelo menos 10% da capacidade de processamento e armazenamento de dados, a investir no país 2% do valor dos equipamentos em pesquisa, com 40% disso no Norte, no Nordeste e no Centro-Oeste, e a usar só energia renovável ou de baixa emissão (Agência Câmara, 16/09/2026). A medida provisória de 2025 já previa que essa capacidade pode ser cedida de graça a instituições de pesquisa ou ao poder público (Senado, sumário da MP 1.318/2025). Nem a MP nem a lei dão prioridade a empresas dos Estados Unidos.
  • 08/08/2025 — FALSO — "Haddad negocia a entrega das terras raras": Jones disse que Haddad "aceitou colocar numa mesa de negociação a entrega das terras raras brasileiras" (vídeo de Jones, 06:08). Haddad falou de cooperação, não de entrega: "O Brasil e os Estados Unidos podem fazer um acordo de cooperação para minerais críticos e terras raras", e "uma coisa imposta de fora para dentro não é um acordo" (eixos, 04/08/2025). Quando uma empresa americana comprou a Serra Verde, mineradora de terras raras em Goiás, a venda foi entre duas empresas privadas estrangeiras, sem participação do governo, e as reservas continuam da União (Lupa, 05/05/2026). Em 16/09/2026, Lula sancionou a política nacional de minerais críticos e terras raras, com até R$ 7 bilhões para processar e transformar esses minérios no Brasil, e disse: "Prometeram entregar minerais críticos e terras raras a preço de banana para eles. Nós não permitiremos que a história se repita" (Correio Braziliense, 16/09/2026).
  • Setembro de 2025 — DISTORCIDO — os rios "privatizados": Jones disse que "o PT virou sistema há muito tempo" e que, naquela semana, o governo Lula tinha baixado "um decreto presidencial para privatizar uma porrada de rios" no Norte (trecho exibido pelo Plantão Brasil, 06/09/2025, 1:35). Ninguém vende rio. O decreto de 28/08/2025 incluiu as hidrovias do Madeira, do Tocantins e do Tapajós no programa de concessões (Decreto 12.600/2025), e a concessão transfere a uma empresa "a responsabilidade pela manutenção da navegabilidade" dos rios para o transporte de carga, como a dragagem (CNN, 24/02/2026). Em 23/02/2026, depois de mais de 30 dias de protesto indígena no Tapajós, Lula decidiu revogar o decreto, e Boulos disse que o governo "não passa a boiada, não passa por cima da floresta nem por cima dos povos originários" (Agência iNFRA, 23/02/2026). Os estudos de concessão continuam, com leilão previsto para o primeiro semestre de 2027 (CNN, 24/02/2026).
  • 15/09/2025 — FALSO — o "novo teto de gastos": sobre a crise da Universidade Federal do Vale do São Francisco, Jones disse que a situação era "consequência direta de um novo teto de gastos que está asfixiando as universidades" e da "política de austeridade do governo Lula, tocado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad" (Portal de Prefeitura, 15/09/2025). A comparação com o teto é falsa. O teto de 2016 limitava a despesa federal, por vinte exercícios, ao valor do ano anterior corrigido só pela inflação (Emenda Constitucional 95). O arcabouço de 2023 deixa a despesa crescer de 0,6% a 2,5% ao ano acima da inflação (Lei Complementar 200/2023). Sob o teto, a verba de funcionamento das universidades federais caiu de 5,5 bilhões de reais em 2019 para 3,5 bilhões em 2021. No Lula 3, subiu para 5,2 bilhões em 2023 e 5,0 bilhões em 2024, ainda abaixo de 2019 (SoU_Ciência, via Jornal de Brasília; ver a Comparação Bolsonaro x Lula 3).
  • 23/09/2025 — FALSO — "a menor média de gasto público da história": numa audiência na Câmara contra a privatização do metrô do Recife, Jones disse que, com o arcabouço, a despesa "pode crescer no máximo 2,5% ao ano" e que essa "é a menor média de gasto público da história da Nova República" (vídeo da audiência, 4:17). O teto de Temer era mais apertado: não deixava a despesa crescer nada acima da inflação, enquanto o arcabouço deixa crescer até 2,5% ao ano (ver o item de 15/09/2025). E, no primeiro ano do governo Lula, a despesa total cresceu 12,5% acima da inflação, incluído o pagamento dos precatórios represados pelo limite da PEC dos Precatórios de 2021, que o STF derrubou (Tesouro Nacional, 29/01/2024).
  • 23/09/2025 — FALSO — o socorro ao Rio Grande do Sul barrado pela meta: na mesma audiência, Jones disse que, "quando teve a tragédia no Rio Grande do Sul", o governo "disse que não ia ampliar os gastos públicos para não violar a meta fiscal" (vídeo da audiência, 6:39). Foi o contrário. Em 06/05/2024, Lula mandou ao Congresso o projeto que tirou da meta fiscal os gastos para socorrer o estado (Poder360, 06/05/2024). A União gastou R$ 29 bilhões na reconstrução em 2024, e, "por força de lei, os gastos ficaram fora da meta fiscal" (Jornal de Brasília, 30/01/2025).
  • 23/09/2025 — DISTORCIDO — Rui Costa "forçando" o metrô a parar: na mesma audiência, Jones disse que o ministro Rui Costa "tá forçando a mão" para que o metrô do Recife "pare de vez por falta de investimento", para a população achar que só a privatização resolve (vídeo da audiência, 7:50). O corte de verba veio antes. O investimento federal no metrô caiu de R$ 26,5 milhões em 2016 para R$ 500 mil em 2020, nos governos Temer e Bolsonaro, e no governo Lula o PAC reservou mais de R$ 136 milhões para reparos emergenciais, segundo o ministro das Cidades, Jader Filho (Jamildo, 21/09/2025). Ressalva: o governo Lula manteve o plano de concessão, e o controle do metrô deve passar ao governo de Pernambuco, que fará o leilão (Jamildo).
  • 05/02/2026 — FALSO — a promessa do metrô "no segundo turno": num debate com 20 petistas, Jones disse que o metrô do Recife é o exemplo "mais gritante" de privatização: Lula "prometeu que não iria privatizar em 2022", e "eu estava do lado dele no segundo turno quando ele prometeu" (Spectrum, 05/02/2026, 1:20:44). No ato do segundo turno no Recife, em 14/10/2022, Lula não falou de metrô, nem no discurso no Pátio do Carmo (discurso na íntegra, 14/10/2022) nem na entrevista coletiva do mesmo dia (PT, 14/10/2022). O programa de governo de 2022 também não trata do metrô (Diretrizes do programa de governo, 2022). Nem o sindicato dos metroviários fala em palanque: diz que Lula, ainda pré-candidato, recebeu um manifesto da categoria e "teria se comprometido" a tirar a CBTU do programa de desestatização (Jamildo, 30/05/2025). Quem pôs a CBTU nesse programa foi Bolsonaro, pelo Decreto 9.999, de 03/09/2019, que os petistas Rogério Correia e Bohn Gass tentaram anular (Agência Câmara, 15/01/2020).
  • 05/02/2026 — DISTORCIDO — a "promessa" de acabar com o PPI: no mesmo debate, Jones disse que "era promessa de campanha do presidente Lula acabar com o PPI", o programa de concessões criado por Temer (Spectrum, 05/02/2026, 1:19:16). O programa de governo de 2022 não fala do PPI. O que ele promete é: "Opomo-nos fortemente à privatização, em curso, da Petrobras e da Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA)", e também à da Eletrobras e à dos Correios (Diretrizes do programa de governo, 2022, itens 77 a 79). Petrobras, PPSA e Correios continuam públicas. A Eletrobras já tinha sido privatizada por Bolsonaro em 2022, e a AGU de Lula foi ao STF em 2023 contra a regra que dá à União só 1 dos 10 assentos do conselho da empresa, apesar de ela ter 40% das ações (Times Brasil, 17/02/2025).
  • 24/05/2026 — FALSO — Lula "sancionou a legalização das bets": no vídeo "Lula, Nath Finanças e a praga das bets", Jones endossou a acusação de que o governo "sancionou a aprovação, a legalização das bets feita pelo Congresso Nacional" (vídeo de Jones, 06:50). Quem legalizou as bets foi Michel Temer: a Lei 13.756/2018 criou a modalidade lotérica "denominada apostas de quota fixa" (Lei 13.756/2018, art. 29). O governo Bolsonaro preparou a regulamentação e não a publicou antes de o prazo vencer, em 12/12/2022. O setor funcionou "sem fiscalização e sem pagamento de impostos" até a lei sancionada por Lula em dezembro de 2023 (Aos Fatos, 04/05/2026).
  • 24/05/2026 — FALSO — o governo só reagiu "a partir da virada de 2024 para 2025": no mesmo vídeo, Jones disse que o governo só passou a se dizer contra as bets "a partir da virada de 2024 para 2025, quando o governo Lula viu que seu apoio nas mulheres começou a balançar" (vídeo de Jones, 12:16). A lei de dezembro de 2023 já vedava a participação de menores de 18 anos como apostadores (Lei 14.790/2023, art. 26). Em setembro de 2024, uma portaria da Fazenda antecipou para 1º de outubro o corte entre empresas legais e ilegais, e o governo anunciou a retirada do ar de mais de 500 sites em 11 de outubro. O ministro reforçou ainda a proibição de apostar com cartão de crédito e com o cartão do Bolsa Família (Correio Braziliense, 01/10/2024). Em 17/10/2024, Lula avisou: "Se a regulação der conta, tá resolvido o problema. Se não der conta, eu acabo" (SBT News, 17/10/2024).
  • 24/05/2026 — FALSO — "até hoje", sem usar os instrumentos: Jones disse que, "até hoje", o governo, "embora diga que é contra, não mobiliza os instrumentos que ele tem para enfrentar as bets" (vídeo de Jones, 13:01). Em 2025, a Anatel e a Secretaria de Prêmios e Apostas da Fazenda bloquearam mais de 25 mil sites ilegais de apostas e derrubaram 324 perfis de influenciadores com publicidade ilegal (Convergência Digital, 27/01/2026). No mesmo ano, o governo propôs subir o imposto das bets de 12% para 18%, e o aumento caiu na comissão do Congresso (Reforma Tributária, 07/10/2025). E duas semanas antes do vídeo, em 07/05/2026, o líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta, apresentou o projeto que proíbe os cassinos on-line, como o "jogo do tigrinho" (Congresso em Foco, 07/05/2026).
  • 24/05/2026 — NÃO ACONTECEU — "o lulismo nunca vai fazer isso": Jones disse que Lula deveria ter passado o governo indo "para cima das bets" e concluiu: "o lulismo não fez e nunca vai fazer isso" (vídeo de Jones, 23:43). Na própria entrevista que Jones comentava, Lula tinha dito: "Eu, por mim, proibiria todas" (vídeo de Jones, 03:47). Quatro meses depois, em 25/09/2026, Lula proibiu por medida provisória a exploração, a oferta e a publicidade das bets em todo o país, tanto das apostas esportivas quanto dos jogos on-line (MP 1.394/2026, art. 1º). Mais em Fim das bets.
  • 26/05/2026 — DISTORCIDO — o fim da escala 6x1 sem o PT: num vídeo chamado "Fim da escala 6x1 está ameaçado!", Jones contou que a pauta "apareceu já com peso na eleição de 2022", com as candidaturas da UP e do PCB, e que depois vieram o movimento VAT e a PEC de Erika Hilton, enquanto "o governo Lula ignora a pauta" em 2023 e 2024 (vídeo de Jones, 6:27). Na história dele, falta o PT. A PEC que reduz a jornada de 44 para 36 horas foi apresentada em 2019 pelo petista Reginaldo Lopes (Agência Câmara, 29/01/2020), e foi ela que a Câmara aprovou no dia seguinte ao vídeo, por 472 votos a 22 no primeiro turno, num substitutivo que acaba com a escala 6x1 e junta a PEC de Erika Hilton (Agência Câmara, 27/05/2026). No Senado, a CCJ já tinha aprovado em 11/12/2025 a PEC 148/2015, do petista Paulo Paim (Agência Senado, 08/04/2025), relatada pelo petista Rogério Carvalho, que reduz a jornada para 36 horas e extingue a escala 6x1 (TV Senado, 11/12/2025).
  • 20/07/2026 — FALSO — o Senado "obrigado a votar em até 45 dias": com o Senado em recesso, Jones disse que "foi um erro brutal do governo Lula retirar o regime de urgência para votar logo o fim da escala 6x1", porque "com o regime de urgência, o Senado seria obrigado a votar em até 45 dias" (vídeo de Jones, 0:45). Não seria. O projeto de lei com urgência estava parado na Câmara, trancando a pauta dos deputados, e o prazo é de "45 dias na Câmara, e mais 45 dias no Senado" (Apufsc, 17/06/2026), contados "cada qual sucessivamente" (Constituição, art. 64, § 2º). O relógio do Senado só começaria depois de a Câmara aprovar o projeto. E a PEC que acaba com a escala 6x1, aprovada pela Câmara em maio, não tem regime de urgência. Ao retirar a urgência, o governo avisou que "o fim da escala 6 x1 sem redução de salário é a prioridade do Governo do Brasil neste momento" (Vermelho, 16/06/2026).
  • 2025 e 2026 — DESMENTIDO PELOS FATOS — "não é de esquerda" e "neoliberal": o governo que Jones chama de neoliberal taxou os fundos exclusivos e as aplicações dos mais ricos no exterior (Lei 14.754/2023). Também zerou, a partir de 2026, o imposto de renda de quem ganha até R$ 5 mil por mês e criou uma tributação mínima para quem recebe mais de R$ 600 mil por ano (Lei 15.270/2025). O salário mínimo teve ganho real de 11,8% de 2023 a 2026, contra 1,2% no governo Bolsonaro (ver a Comparação Bolsonaro x Lula 3).

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