Farsa da Lava Jato¶
Resumo
A Lava Jato, investigação de corrupção na Petrobras, virou, nas mãos do juiz Sergio Moro e do procurador Deltan Dallagnol, o processo que tirou Lula da eleição de 2018. Em 2016, Moro divulgou ilegalmente um grampo de Dilma e Lula, e Dallagnol apresentou Lula num PowerPoint como "comandante" do esquema. A condenação no caso do tríplex, por "atos de ofício indeterminados", levou Lula à prisão e à candidatura barrada, e dias depois da eleição Moro aceitou ser ministro da Justiça de Bolsonaro. No caso do sítio de Atibaia, a juíza substituta Gabriela Hardt condenou Lula com uma sentença que copiou trechos da de Moro, e o relator dos dois casos no TRF-4 era amigo declarado de Moro. Em 2019, a Vaza Jato mostrou Moro orientando os procuradores e sugerindo a eles uma nota à imprensa contra a defesa de Lula. Em 2004, dez anos antes da Lava Jato, Moro tinha escrito que a Operação Mãos Limpas, na Itália, fez "largo uso da imprensa" e que, quando a condenação judicial é difícil, a opinião pública pode ser um "salutar substitutivo", condenando os acusados "ao ostracismo".
Em 2021, o STF anulou as condenações de Lula e declarou Moro parcial. Nenhuma condenação sobreviveu: a Justiça Federal do DF rejeitou a nova denúncia do sítio e declarou prescrito o caso do tríplex. Em 2022, o Comitê de Direitos Humanos da ONU concluiu que Lula não teve julgamento imparcial e que o veto à candidatura foi arbitrário. Em 2023, Toffoli anulou as provas da Odebrecht e chamou a prisão de Lula de "armação". Dallagnol foi condenado a indenizar Lula pelo PowerPoint e teve o mandato de deputado cassado. A força-tarefa ainda tentou criar uma fundação com R$ 2,5 bilhões recuperados da Petrobras, num acordo com o Departamento de Justiça dos EUA, e o STF barrou. Na Itália, a Operação Mãos Limpas, que inspirou a Lava Jato, derrubou os partidos tradicionais e abriu caminho para Berlusconi, o que Moro tinha chamado em 2004 de "símbolo das limitações" da operação. No Brasil, o juiz virou ministro de Bolsonaro e, depois, consultor da empresa americana que administrava a recuperação judicial da Odebrecht.
Os documentos¶
As decisões que contam a história da Lava Jato, em ordem. Sempre que existe, o link vai para a íntegra. Onde o tribunal não publicou o documento fora do processo, o link é para a cópia de um veículo, e o site guarda a sua própria cópia, para o documento não sumir se a página de origem sair do ar. Aqui e no resto da página, o 📄 marca o link que leva à íntegra de um documento: decisão, sentença, lei ou artigo original.
| Data | Documento | O que mostra | Onde ler |
|---|---|---|---|
| 2004 | Artigo de Moro sobre a Operação Mãos Limpas, na Revista CEJ | Dez anos antes da Lava Jato, Moro escreveu que a opinião pública pode ser um "salutar substitutivo" da condenação (ver) | 📄 íntegra, publicada pela Conjur |
| 30/10/2009 | Telegrama da embaixada dos EUA sobre o Projeto Pontes | Moro foi palestrante numa conferência paga pelo Departamento de Estado, que recomendou treinar forças-tarefa em cidades como Curitiba (ver) | 📄 WikiLeaks |
| 28/05/2013 | Acórdão da Segunda Turma do STF no HC 95.518 | Num processo do caso Banestado, Moro mandou monitorar os voos dos advogados de defesa, e o STF chamou as medidas de "abusivas" e mandou o caso ao CNJ (ver) | 📄 acórdão, STF · 📄 cópia no site |
| 22/03 e 13/06/2016 | Decisões de Teori Zavascki na Reclamação 23.457 | A divulgação do grampo de Dilma e Lula comprometeu o sigilo garantido pela Constituição, e é "descabida a invocação do interesse público" (ver) | 📄 decisão final, STF · 📄 cópia no site |
| 10/05/2017 | Transcrição oficial do interrogatório de Lula no caso do tríplex | "Não havia no início e não havia no fim": Lula negou a Moro que quisesse o tríplex e cobrou "algum documento que prove o direito jurídico de propriedade" (ver) | 📄 transcrição, publicada pelo Poder360 · 📄 cópia no site |
| 12/07/2017 | Sentença de Moro no caso do tríplex | Lula condenado por "atos de ofício indeterminados" (ver) | 📄 íntegra, publicada pelo Intercept · 📄 cópia no site |
| 18/07/2017 | Decisão de Moro sobre os embargos da defesa no caso do tríplex | O próprio Moro escreveu que "jamais afirmou" que o dinheiro dos contratos da OAS com a Petrobras pagou vantagem a Lula, e que "não havia essa correlação" (ver) | 📄 trecho transcrito no voto de Gilmar Mendes, STF |
| 24/01/2018 | Julgamento do tríplex no TRF-4 | Condenação confirmada por 3 a 0, em 196 dias, o que tirou Lula da eleição (ver) | Conjur |
| 14/06/2018 | Julgamento do STF sobre a condução coercitiva | A condução para interrogatório, usada contra Lula em 2016, não foi recebida pela Constituição (ver) | STF |
| 06/02 e 01/03/2019 | Sentença de Gabriela Hardt no caso do sítio e a correção dela | A sentença do sítio copiou a de Moro: "onde se lê 'apartamento', deve-se ler 'sítio'" (ver) | a sentença, Conjur · a correção, Conjur · 📄 a sentença de Moro que serviu de "modelo" |
| 09/06/2019 | O começo da Vaza Jato | As mensagens de Moro e dos procuradores, publicadas pelo Intercept (ver) | Intercept |
| 17/09/2019 | Decisão de Alexandre de Moraes sobre a fundação da Lava Jato (ADPF 568) | O acordo da fundação "exorbitou das atribuições que a Constituição Federal delimitou para os membros do Ministério Público" (ver) | 📄 íntegra, publicada pelo Poder360 · 📄 cópia no site |
| 25/08/2020 | Acórdão da Segunda Turma do STF no RHC 144.615 | Moro foi parcial no caso Banestado: atuou "como um parceiro do órgão de acusação", e a condenação do doleiro Paulo Roberto Krug foi anulada (ver) | 📄 acórdão, STF · 📄 cópia no site |
| 08/03/2021 | Decisão de Fachin no HC 193.726 | A vara de Curitiba não podia julgar Lula, e as condenações foram anuladas (ver) | 📄 página do processo, STF, na aba "Decisões" |
| 23/03/2021 | Julgamento da Segunda Turma do STF no HC 164.493 | Moro foi parcial ao condenar Lula, e todas as decisões dele no caso do tríplex foram anuladas (ver) | STF · 📄 acórdão, publicado pela Conjur |
| 24/06/2021 | Decisão de Gilmar Mendes na extensão do HC 164.493 | A parcialidade de Moro vale também para os casos do sítio e do Instituto Lula (ver) | 📄 íntegra, STF · 📄 cópia no site |
| 21/08/2021 | Rejeição da nova denúncia do sítio, na Justiça Federal do DF | As provas vinham de decisões de Moro anuladas pelo STF (ver) | Brasil de Fato |
| 27/01/2022 | Arquivamento do tríplex, na Justiça Federal do DF | Lula já tinha sido absolvido de parte das acusações "por falta de prova suficiente da materialidade" (ver) | 📄 cópia no site |
| 17/03/2022 | Decisão do Comitê de Direitos Humanos da ONU, divulgada em 28/04/2022 | Moro violou o direito de Lula a um tribunal imparcial, e o veto à candidatura foi arbitrário (ver) | 📄 íntegra em inglês, ONU · 📄 cópia no site |
| 22/03/2022 | Condenação de Dallagnol pelo PowerPoint, no STJ | "Abuso de direito" ao apresentar Lula como "comandante" do esquema (ver) | STJ |
| 06/09/2023 | Decisão de Toffoli na Reclamação 43.007 | As provas do acordo da Odebrecht não valem "em qualquer âmbito ou grau de jurisdição" (ver) | STF |
| 04/08/2026 | Afastamento de Gabriela Hardt pelo CNJ | Dois anos de afastamento por homologar o acordo da fundação dos procuradores (ver) | Agência Brasil |
Quem condenou Lula¶
| Caso | Quem condenou | Examinou as provas? | Pena | O que aconteceu depois |
|---|---|---|---|---|
| Tríplex do Guarujá | Sergio Moro, 13ª Vara Federal de Curitiba, 12/07/2017 (📄 sentença) | Sim | 9 anos e 6 meses | Anulada em 2021: Fachin declarou a vara incompetente, e o STF declarou Moro parcial |
| Tríplex do Guarujá | TRF-4, 8ª Turma: João Pedro Gebran Neto (relator), Leandro Paulsen e Victor Laus, 24/01/2018 (Conjur) | Sim | 12 anos e 1 mês | Caiu com a anulação |
| Tríplex do Guarujá | STJ, Quinta Turma: Felix Fischer (relator), Jorge Mussi, Reynaldo Soares da Fonseca e Ribeiro Dantas, 23/04/2019 (STJ) | Não | Reduzida para 8 anos, 10 meses e 20 dias | Caiu com a anulação. Em janeiro de 2022, a Justiça Federal do DF declarou a prescrição e arquivou o caso |
| Sítio de Atibaia | Gabriela Hardt, juíza substituta da 13ª Vara Federal de Curitiba, 06/02/2019 (Conjur) | Sim | 12 anos e 11 meses | Anulada em 2021 por Fachin |
| Sítio de Atibaia | TRF-4, 8ª Turma: Gebran Neto (relator), Paulsen e Carlos Eduardo Thompson Flores, 27/11/2019 (Conjur) | Sim | Aumentada para 17 anos, 1 mês e 10 dias | Caiu com a anulação. Em agosto de 2021, a Justiça Federal do DF rejeitou a nova denúncia |
Só seis juízes examinaram as provas: Moro, Gabriela Hardt e quatro desembargadores da 8ª Turma do TRF-4, Gebran Neto, Leandro Paulsen, Victor Laus e Carlos Eduardo Thompson Flores. Em recurso especial, o STJ não reexamina provas, pela Súmula 7: "a pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial" (📄 STJ). O STF nunca julgou se Lula era culpado: anulou as condenações porque a vara de Curitiba era incompetente (Conjur, 08/03/2021) e porque Moro foi parcial (Agência Brasil, 23/03/2021). Na Justiça Federal do DF, os casos acabaram em denúncia rejeitada e em prescrição, sem julgamento de mérito.
A relação entre os seis juízes¶
- Moro e Hardt: ela era a juíza substituta da vara de Moro e copiou trechos da sentença dele no tríplex para condenar Lula no caso do sítio (Conjur, 01/03/2019). Em 04/08/2026, o CNJ a afastou por dois anos, com redução de salário, por ter homologado o acordo que mandava R$ 2,5 bilhões da Petrobras para uma fundação dos procuradores da Lava Jato (Conjur, 04/08/2026).
- Moro e Gebran: o relator dos dois casos no TRF-4 escreveu nos agradecimentos de um livro de 2008 que encontrou em Moro "um amigo" e que "nossa afinidade e amizade só fizeram crescer" (Jusbrasil, 20/10/2016).
- Thompson Flores e a sentença de Moro: em agosto de 2017, antes da apelação, o então presidente do TRF-4 disse ao Estadão que a sentença de Moro era "tecnicamente irrepreensível". Na mesma entrevista, admitiu: "não li a prova dos autos. Mas o juiz Moro fez exame minucioso e irretocável da prova dos autos" (Conjur, 07/08/2017). Dois anos depois, já na 8ª Turma, ajudou a aumentar a pena do sítio. Em 2024, o CNJ o manteve afastado por fatos apurados na correição da 13ª Vara de Curitiba e do TRF-4 (Conjur, 16/04/2024), e em agosto de 2026 também o puniu, segundo o Metrópoles (Metrópoles, 11/08/2026).
- Moro, Gebran e Thompson Flores no mesmo domingo: em 08/07/2018, o desembargador Rogério Favreto mandou soltar Lula num plantão. Moro, de férias, recusou-se a cumprir a ordem, Gebran decidiu que Lula não podia ser solto, e Thompson Flores, presidente do TRF-4, deu a palavra final para mantê-lo preso (Conjur, 26/12/2018).
- Gebran, Paulsen e Laus: confirmaram a condenação do tríplex por unanimidade, o que impediu os embargos infringentes, o recurso que só cabe contra decisão dividida (Conjur, 24/01/2018). Gebran e Paulsen também julgaram o caso do sítio.
Da condenação ao arquivamento¶
- 10/05/2017 — Lula diante de Moro: no interrogatório do caso do tríplex, Moro perguntou "se havia a intenção desde o início de adquirir um triplex no prédio ao invés de uma unidade simples". Lula respondeu: "Não havia no início e não havia no fim." Diante de um documento sem assinatura, Lula perguntou: "Em 2004, assinado por quem?". Moro respondeu: "Não, esse não está assinado", e Lula concluiu: "Então, se não está assinado, doutor...". Moro leu uma reportagem do Globo de 2010 segundo a qual "A família Lula da Silva deverá ocupar a cobertura triplex com vista para o mar", e Lula lembrou que o jornal tinha feito "530 matérias negativas contra o Lula e só 2 favoráveis". Sobre uma reportagem da Folha, respondeu: "Eu me recuso a responder uma matéria da Folha de São Paulo, que não tem autor, que não tem entrevista, é o achismo". E repetiu: "eu não solicitei, não recebi, não paguei nenhum triplex, e não tenho". Esperava que o Ministério Público apresentasse provas: "eles devem ter pelo menos algum documento que prove o direito jurídico de propriedade pra poder dizer que é meu o apartamento". Sobre os desvios na Petrobras, disse que ninguém sabia, "nem eu, nem o senhor, nem o Ministério Público, nem a Petrobras, nem a imprensa, nem a polícia federal", e cobrou: "Mas o senhor que soltou o Youssef e mandou grampear, o senhor podia saber mais do que eu". Moro: "Não, eu decretei a prisão do Alberto Youssef, é um pouco diferente" (a primeira delação de Youssef, homologada por Moro em 2003, está em O Banestado, o ensaio da Lava Jato) (📄 transcrição oficial da 13ª Vara Federal de Curitiba, publicada pelo Poder360 · 📄 cópia no site).
- 12/07/2017 — condenado por "atos de ofício indeterminados": Moro não apontou um ato concreto de Lula em troca do tríplex. Escreveu que bastava que os pagamentos fossem feitos "em troca de atos de ofício indeterminados, a serem praticados assim que as oportunidades apareçam", admitiu que Lula "provavelmente" "não tinha conhecimento de detalhes" nem se envolvia "diretamente nos acertos", embora concluísse que ele sabia do esquema, e usou reportagens do jornal O Globo de 2010 e 2014 como indício de que o apartamento era de Lula (📄 sentença de Moro, 12/07/2017).
- 18/07/2017 — "não havia essa correlação": no item 880 da sentença, Moro escreveu que os benefícios dados a Lula tinham "origem em créditos decorrentes de contratos da Construtora OAS celebrados em 10/12/2009, considerando aqui somente os contratos do Consórcio CONEST/RNEST", nas obras da refinaria Abreu e Lima, da Petrobras (📄 sentença de Moro, 12/07/2017, p. 198). Seis dias depois, ao rejeitar os embargos da defesa, escreveu o contrário: "Este Juízo jamais afirmou, na sentença ou em lugar algum, que os valores obtidos pela Construtora OAS nos contratos com a Petrobrás foram utilizados para pagamento da vantagem indevida para o ex-Presidente. Aliás, já no curso do processo, este Juízo, ao indeferir desnecessárias perícias requeridas pela Defesa para rastrear a origem dos recursos, já havia deixado claro que não havia essa correlação" (DCM, 18/07/2017). Foi o próprio juiz, portanto, quem negou à defesa a perícia que rastrearia o dinheiro. Em 2021, ao votar pela incompetência de Curitiba, Gilmar Mendes transcreveu a frase, chamou-a de "o trecho mais importante das decisões prolatadas para o equacionamento da questão da competência" e viu nela "uma contradição capital da sentença" (📄 voto de Gilmar Mendes no HC 193.726, STF). Para Ricardo Lewandowski, que também a transcreveu, a justificativa que Moro usou para levar o caso a Curitiba "acaba por mostrar-se completamente destituída de fundamento" (📄 voto de Lewandowski no HC 164.493, STF).
- 24/01/2018 — a apelação mais rápida da Lava Jato: da sentença de Moro ao julgamento no TRF-4, foram 196 dias. Pelos dados do próprio tribunal, a apelação mais rápida da Lava Jato até então tinha levado 204 dias, e a média era de 486 dias. O relator, Gebran Neto, liberou o voto 103 dias depois de o processo chegar ao TRF-4. O tribunal alegou que 48,9% das suas apelações criminais, de todos os tipos, saem em menos de 150 dias (Aos Fatos, 14/12/2017). Segundo o site Justificando, o revisor, Leandro Paulsen, pediu data para o julgamento depois de só seis dias úteis com um processo de dezenas de milhares de páginas e passou o caso de Lula à frente de 257 processos mais antigos que esperavam revisão (Carta Campinas, 25/01/2018).
- 06/02/2019 — o sítio que não era de Lula: Gabriela Hardt condenou Lula por um sítio cuja propriedade o processo nem discutia: para ela, a família frequentar o imóvel equivalia a tê-lo recebido como suborno (Conjur, 06/02/2019).
- 28/02/2019 — a sentença copiada: um laudo pericial achou na sentença do sítio trechos da sentença do tríplex, como "deverão ser descontados os valores confiscados relativamente ao apartamento" (Brasil de Fato, 28/02/2019). Hardt corrigiu o texto e admitiu ter usado como "modelo" o "documento 700003590925 do eproc": "onde se lê 'apartamento', deve-se ler 'sítio'" (Conjur, 01/03/2019). O código é o da sentença de Moro no tríplex, que aparece no rodapé do documento (📄 sentença de Moro, 12/07/2017).
- 23/04/2019 — o STJ corta a pena e não olha a parcialidade: a Quinta Turma manteve a condenação, mas concluiu que o TRF-4 "elevou indevidamente as penas-base do ex-presidente, com motivação genérica" e reduziu a reparação de R$ 16 milhões para R$ 2,4 milhões. Sobre as dúvidas quanto à imparcialidade de Moro e dos procuradores, o relator, Felix Fischer, não entrou no assunto, por entender que não era possível "revolver o conjunto de provas produzidas na ação penal, sob pena de violação da Súmula 7" (STJ, 23/04/2019). Menos de dois anos depois, o STF declarou Moro parcial.
- 13/11/2019 — outra sentença copiada: em outro processo, fora da Lava Jato, o TRF-4 anulou uma sentença de Hardt que copiou "ipsis litteris" as alegações finais do MPF, sem citar a fonte (Conjur, 13/11/2019).
- 27/11/2019 — Gebran elogia a sentença copiada: ao aumentar a pena do sítio para 17 anos, 1 mês e 10 dias, Gebran elogiou a "alentada sentença" de Hardt, que para ele "fez um minucioso trabalho de exame de fatos, provas e das questões jurídicas" (Conjur, 27/11/2019).
- 24/06/2021 — a parcialidade vale para tudo: um dia depois de o plenário do STF confirmar a parcialidade de Moro no tríplex, Gilmar Mendes estendeu a decisão aos casos do sítio de Atibaia e do Instituto Lula e anulou todos os atos de Moro neles, inclusive na fase de investigação (STF, 24/06/2021).
- 21/08/2021 — denúncia do sítio rejeitada: a juíza Pollyana Kelly Martins Alves, da Justiça Federal do DF, rejeitou a nova denúncia do MPF, porque as provas vinham de decisões de Moro anuladas pelo STF: "Não cabe ao Poder Judiciário atuar como investigador nem como acusador" (Brasil de Fato, 22/08/2021).
- 27/01/2022 — tríplex arquivado por falta de provas: a mesma juíza arquivou definitivamente o caso do tríplex. A decisão registra que Lula já tinha sido absolvido de parte das acusações "por falta de prova suficiente da materialidade" — absolvições confirmadas pelo TRF-4 e transitadas em julgado para a acusação, que não recorreu (📄 decisão da juíza Pollyanna Kelly Maciel Medeiros Martins Alves, 27/01/2022 — PDF).
A "Conexão Curitiba", denúncia do deputado Paulo Pimenta em 2017 sobre as relações entre procuradores e juízes dos casos de Lula, está em Mais sobre o tríplex.
Mais sobre o tríplex¶
- TV 247 entrevista Euclides Mance, autor de "Falácias de Moro" – TV 247 (YouTube), 19/01/2018: o autor do livro que aponta as falácias da sentença do tríplex
- O famoso triplex do Guarujá visto por dentro – TV Fórum (YouTube), 16/04/2018: o apartamento que a sentença atribuiu a Lula
- R7 apaga reportagem que mostrava um triplex luxuoso – Brasil 247, 17/04/2018: o portal da Record apagou a reportagem que vendia um tríplex de luxo
- As provas do triplex eram falsas? – Notícias Comentadas (YouTube), 18/04/2018: questiona as provas usadas na condenação
- Advogados conseguiram a prova final da inocência de Lula – YouTube: vídeo sobre a prova da defesa no caso do tríplex · fora do ar em 13/09/2026, vídeo indisponível (404) · buscar cópia no Internet Archive
- Roberto Jefferson defende Lula contra Moro – Pânico, Jovem Pan (YouTube), 26/05/2020: até o acusador do mensalão critica Moro no caso de Lula
- Paulo Pimenta denuncia esquema montado para julgar Lula – PT, 26/09/2017: a "Conexão Curitiba", documento do deputado sobre as relações entre procuradores e juízes da Lava Jato nas três instâncias · fora do ar em 13/09/2026, timeout · buscar cópia no Internet Archive
- Engenheira da OAS diz que Lula não é dono do tríplex – Facebook: nas 122 vezes que foi ao prédio, ela nunca viu Lula e negou que a OAS tenha dito que o apartamento era dele
- Sérgio Moro faz grosserias e discute com advogado de Lula – YouTube: o bate-boca do juiz com a defesa · fora do ar em 13/09/2026, vídeo indisponível (404) · buscar cópia no Internet Archive
- Moro, o autoritário – Facebook: o juiz tenta constranger a defesa de Lula depois que o zelador nega que o tríplex fosse de Lula
Mais sobre o sítio¶
- Dono do sítio de Atibaia conta a verdade sobre a reforma – Gleisi Hoffmann (YouTube), 27/11/2019: o dono do sítio diz em depoimento que a reforma foi paga com dinheiro do pai dele
- MPF reconhece que dono do sítio de Atibaia é Fernando Bittar – Revista Fórum, 27/05/2019: a própria força-tarefa pediu a avaliação do imóvel para venda, o que reforça que ele não é de Lula
Delatores e testemunhas que inocentam Lula¶
- Auditoria internacional inocenta Lula de corrupção na Petrobras – PT no Senado, 30/05/2017: uma auditoria internacional não achou corrupção de Lula na estatal, segundo o PT no Senado
- Testemunhas de acusação inocentam Lula – YouTube: as testemunhas escolhidas pelo MPF não incriminaram Lula · fora do ar em 13/09/2026, vídeo indisponível (404) · buscar cópia no Internet Archive
- Testemunhas de acusação inocentam Lula, parte 1 – YouTube: a primeira parte da série · fora do ar em 13/09/2026, vídeo indisponível (404) · buscar cópia no Internet Archive
- Testemunhas de acusação inocentam Lula, parte 2 – YouTube: a segunda parte da série · fora do ar em 13/09/2026, vídeo indisponível (404) · buscar cópia no Internet Archive
- Testemunhas de acusação inocentam Lula, parte 3 – YouTube: a terceira parte da série · fora do ar em 13/09/2026, vídeo indisponível (404) · buscar cópia no Internet Archive
- Testemunhas de acusação inocentam Lula, parte 4 – YouTube: a quarta parte da série · fora do ar em 13/09/2026, vídeo indisponível (404) · buscar cópia no Internet Archive
- Lula é inocentado por todas as testemunhas de acusação selecionadas pelo MPF – YouTube: nenhuma testemunha de acusação incriminou Lula, segundo o vídeo · fora do ar em 13/09/2026, vídeo indisponível (404) · buscar cópia no Internet Archive
- Isso a Globo não mostra – Analfabeto Político (YouTube), 12/02/2017: diretores da Petrobras inocentando Lula
- O Brasil dos nossos sonhos – Luiz Inácio Lula da Silva – YouTube: vídeo de Lula guardado entre os depoimentos que o inocentam · fora do ar em 13/09/2026, vídeo indisponível (404) · buscar cópia no Internet Archive
- Youssef e Paulo Roberto inocentando Lula, Dilma e Vaccari – Facebook do deputado Jorge Solla: os delatores sem acusação contra os petistas, segundo o vídeo
- Paulo Roberto inocenta Lula – Notícias Comentadas (YouTube), 24/11/2016: o ex-diretor da Petrobras isenta Lula no depoimento
- Cerveró inocenta Lula – YouTube, 01/10/2016: o ex-diretor Nestor Cerveró isenta Lula
- O grampo que a Globo não mostrou – Facebook: o trecho do grampo que ficou fora do noticiário
- "Eu gosto do Lula" – Emílio Odebrecht, Facebook: o dono da Odebrecht negou ter estado em imóveis de Lula e disse confiar nele
Juristas e líderes contra a condenação¶
- Entenda a absurda perseguição política contra Lula – Facebook de Lula, 04/09/2018: vídeo que resume a perseguição judicial a Lula
- Lula inocente: entenda a decisão da ONU – Notícias Comentadas (YouTube), 05/09/2018: a ONU reafirmou o direito de Lula de ser candidato (eleições 2018)
- Sentença contra Lula será estudada como exemplo de má justiça – RBA, 07/2018: um eurodeputado sobre a sentença do tríplex
- Processo "é muito constrangedor para o Brasil", diz advogado de Lula na ONU – Justificando, 30/01/2018: Geoffrey Robertson, advogado de Lula no Comitê de Direitos Humanos · fora do ar em 13/09/2026, domínio não existe · buscar cópia no Internet Archive
- Baltasar Garzón: "O Direito está sendo usado para fins de perseguição política" – El País, 14/10/2019: o ex-juiz espanhol sobre a perseguição pelo Direito no Brasil e no mundo
- Chomsky: Lula é o preso político mais importante do mundo – Carta Maior: o linguista americano sobre a prisão de Lula · fora do ar em 13/09/2026, domínio não existe · buscar cópia no Internet Archive
- Luigi Ferrajoli condena abusos da Lava Jato – TV 247 (YouTube), 20/04/2017: o jurista italiano sobre os abusos da operação
- "Mudei de opinião a respeito da Lava Jato" – Bresser-Pereira, Facebook: o economista, um dos fundadores do PSDB, passou a ver na operação "abuso de direito" e "judicialização da política" (entrevista completa)
- Alexandre Rosa mostra como age o juiz Sergio Moro – YouTube, 03/08/2015: o professor de Direito e juiz analisa os métodos de Moro
Lula fora da eleição de 2018¶
- 24/01/2018 — a condenação que tirou Lula da eleição: o TRF-4 confirmou por unanimidade a condenação de Lula por Moro no caso do tríplex e aumentou a pena para 12 anos e 1 mês (Poder360, 30/01/2018).
- 04/04/2018 — preso por um voto: o STF negou o habeas corpus de Lula por 6 a 5 (Agência Brasil, 05/04/2018), e Lula foi preso em 07/04/2018 (Conjur, 08/11/2019).
- 31/08/2018 — contra a ONU: o TSE barrou a candidatura de Lula por 6 a 1, com base na Lei da Ficha Limpa. Só Edson Fachin votou a favor, com base na recomendação da ONU (Poder360, 01/09/2018).
- 28/09/2018 — a censura: a nove dias do primeiro turno, Luiz Fux proibiu Lula de dar entrevista, inclusive a publicação de uma entrevista já feita (CUT, 01/10/2018).
- 01/11/2018 — Moro no governo Bolsonaro: dias depois da eleição, Moro aceitou o convite de Bolsonaro para ser ministro da Justiça e deixou 22 anos de magistratura (Conjur, 01/11/2018).
A prisão e a solidariedade¶
- Em 6 meses, Lula recebe 572 visitas na sede da PF – Estado de Minas, 18/11/2018: o volume de visitas a Lula na prisão
- Oito meses de uma prisão política: relembre quem já visitou Lula – site de Lula: os visitantes dos primeiros oito meses · fora do ar em 13/09/2026, 404 · buscar cópia no Internet Archive
- Quem visitou Lula na prisão – Jornalistas Livres: catadores, sem-terra, um Nobel e ex-presidentes entre os visitantes
- 1 ano de prisão política: líderes mundiais visitam Lula em Curitiba – PT, 11/04/2019: os líderes estrangeiros que foram a Curitiba
- Uma vigília como nunca antes se viu na história deste país – RBA, 04/2019: a vigília pela liberdade de Lula
- Lula completa 500 dias preso negando-se a solicitar semiaberto – Poder360, 20/08/2019: Lula recusou pedir o regime semiaberto
- Lula recebe carta do Papa Francisco: "A verdade vencerá a mentira" – RBA, 05/2019: a solidariedade do papa
- Pepe Mujica se manifesta contra prisão de Lula – Poder360 (YouTube), 27/10/2019: o ex-presidente uruguaio contra a prisão
- Chomsky compara a prisão de Assange à de Lula e Gramsci – Blog do Esmael, 12/04/2019: Chomsky põe Lula ao lado de presos políticos
- Líder da esquerda francesa diz que Lula é vítima dos EUA – Brasil 247, 02/11/2018: a esquerda francesa vê os EUA por trás da prisão
Dois pesos, duas medidas¶
- Juíza Carolina Lebbos proíbe médico de Lula de visitá-lo na prisão – Pragmatismo Político, 26/04/2018: a juíza da execução barrou até os exames de rotina
- Juíza proíbe entrada de médico de Lula na cadeia – Sul21, 04/2018: a mesma decisão, noticiada pelo Sul21
- Para o STF, Sarney merece foro privilegiado; Lula, não – El País, 27/02/2017: dois pesos no foro privilegiado
- Gilmar Mendes confessa que lei para Lula é diferente – Facebook: Gilmar sobre o tratamento dado a Lula, segundo o vídeo
A Lava Jato desmontada¶
- 15/03/2019 — a fundação barrada: a pedido da procuradora-geral Raquel Dodge, na ADPF 568, Alexandre de Moraes suspendeu o acordo que a força-tarefa assinou com a Petrobras em 23/01/2019 e a juíza Gabriela Hardt homologou: dos R$ 2,57 bilhões da multa que a Petrobras pagou nos EUA, metade iria para um fundo gerido por uma fundação (Poder360, 15/03/2019). Para ele, os procuradores "exorbitaram das atribuições" constitucionais, porque decidir o destino da receita pública cabe ao Congresso (Conjur, 15/03/2019).
- 17/09/2019 — o dinheiro vai para a educação e a Amazônia: Moraes homologou o acordo que destinou R$ 1,6 bilhão à educação e R$ 1,06 bilhão à Amazônia Legal e encerrou a ADPF 568 (Migalhas, 17/09/2019).
- 09/06/2019 — a Vaza Jato: o Intercept começou a publicar mensagens mostrando que Moro orientava os procuradores e cobrava eficiência da força-tarefa (Conjur, 28/12/2019).
- 08/11/2019 — 580 dias preso: um dia depois de o STF derrubar a prisão em segunda instância, Lula foi solto, depois de 580 dias (Conjur, 08/11/2019).
- 28/12/2020 — as mensagens da Spoofing: Ricardo Lewandowski garantiu à defesa de Lula acesso às conversas entre Moro e os procuradores apreendidas na Operação Spoofing (Conjur, 22/01/2021).
- 08/03/2021 — condenações anuladas: Fachin declarou a vara de Curitiba incompetente para julgar Lula e anulou as condenações do tríplex e do sítio de Atibaia. Lula recuperou os direitos políticos (Conjur, 08/03/2021).
- 23/03/2021 — Moro parcial: a Segunda Turma do STF declarou, por 3 a 2, que Moro foi parcial ao condenar Lula (Agência Brasil, 23/03/2021).
- 28/04/2022 — a ONU: o Comitê de Direitos Humanos concluiu que Moro violou o direito de Lula a um tribunal imparcial e que o veto à candidatura em 2018 foi arbitrário (ACNUDH, 04/2022).
- 16/05/2023 — Dallagnol cassado: o TSE cassou por unanimidade o mandato de deputado de Dallagnol. Ele tinha deixado o Ministério Público para escapar de 15 procedimentos no CNMP, o que o tribunal considerou "fraude à lei" (Conjur, 16/05/2023).
- 06/09/2023 — "armação": Toffoli declarou imprestáveis as provas do acordo de leniência da Odebrecht e chamou a prisão de Lula de "um dos maiores erros judiciários da história do país" e de "armação" (CNN, 06/09/2023).
- 04/08/2026 — a "Fundação Dallagnol" punida: o CNJ afastou por dois anos, com salário reduzido, a juíza Gabriela Hardt, que homologou o acordo da fundação que "seria gerida por integrantes da força-tarefa". Ao votar, o presidente do CNJ e do STF, Fachin, disse que "os fins não justificam os meios" (Agência Brasil, 04/08/2026).
Moro, Dallagnol e o grampo¶
- 16/03/2016 — o grampo de Dilma e Lula: Moro divulgou uma conversa entre Dilma e Lula gravada depois que ele próprio tinha mandado suspender as interceptações. Em 22/03, Teori Zavascki declarou a divulgação "ilegal e inconstitucional" e mandou as investigações sobre Lula para o STF (Conjur, 22/03/2016). Moro pediu "respeitosas escusas" ao STF em 29/03 (Agência Brasil, 29/03/2016).
- 22/04/2016 — "In Fux we trust": num chat da força-tarefa, Dallagnol contou a Moro que o ministro Luiz Fux prometera apoio, e Moro respondeu com a frase. As mensagens registram o relato de Dallagnol (Migalhas, 12/06/2019).
- Setembro de 2016 — o PowerPoint: numa entrevista coletiva, Dallagnol apresentou Lula como "maestro" e "comandante" do esquema. Em 22/03/2022, o STJ o condenou a pagar R$ 75 mil a Lula por danos morais, por "abuso de direito" e por imputar fatos que não estavam na denúncia (STJ, 22/03/2022).
Moro e a imprensa¶
Dez anos antes da Lava Jato, Moro já tinha escrito o roteiro: usar a imprensa para pôr a opinião pública do lado do juiz (📄 artigo de Moro, 2004). Na Lava Jato, foi premiado pelo Globo, aplaudido de pé por executivos de editoras e sugeriu aos procuradores uma nota contra a defesa de Lula. A lei manda o contrário: o juiz imparcial "busca nas provas a verdade dos fatos" (📄 Código de Ética da Magistratura Nacional, art. 8º), e não no apoio da opinião pública (ver O que a lei manda).
- 2004 — o manual: num artigo sobre a Operação Mãos Limpas, Moro escreveu que os responsáveis pela operação italiana "fizeram largo uso da imprensa" e citou, com aprovação, um autor segundo o qual a investigação "vazava como uma peneira" e os vazamentos "serviram a um propósito útil". Para Moro, a publicidade "garantiu o apoio da opinião pública às ações judiciais", e, como a condenação exige prova, "a opinião pública pode constituir um salutar substitutivo", condenando os acusados "ao ostracismo". O próprio texto admitia o "risco de divulgação prematura" caso as suspeitas não se confirmassem (📄 artigo de Moro, Revista CEJ, jul./set. 2004).
- 24/01/2015 — personalidade do ano do Globo: o jornal O Globo, da família Marinho, escolheu Moro para o prêmio "Faz Diferença" de personalidade do ano de 2014, o mesmo título que tinha dado a Joaquim Barbosa na época do julgamento do mensalão (GGN, 24/01/2015).
- 03/09/2015 — "na verdade sou juiz": entrevistado no Exame Fórum, da Editora Abril, pelo diretor de redação do site da Veja, Moro pediu que a opinião pública apoiasse "a continuidade dessa investigação" (11:11) e negou comandar a Lava Jato: "eu não tenho uma estratégia de investigação porque na verdade sou juiz", "quem tem estratégia lá de investigação é polícia, Ministério Público" (18:02). O entrevistador encerrou parabenizando-o pelo "trabalho extraordinário" (Veja, 03/09/2015). Quatro anos depois, a Vaza Jato mostrou Moro orientando os procuradores e cobrando eficiência da força-tarefa (Conjur, 28/12/2019).
- 23/11/2015 — aplaudido de pé pelos editores de revistas: no fórum da Associação Nacional de Editores de Revistas, apresentado por um executivo da Abril como alguém que estava "resgatando a dignidade do país", Moro defendeu que a Justiça passe as informações aos jornalistas, porque isso "é um contributo para o avanço das investigações". Disse que, nos processos contra figuras poderosas, o juiz "precisa de apoio da opinião pública" e que "no período eleitoral mais se justifica a divulgação de determinadas informações". Foi entrevistado no palco por Frederic Kachar, diretor-geral do Infoglobo e da Editora Globo, que falou numa "via de mão dupla" entre Justiça e jornalistas, e aplaudido de pé, segundo o relato de CartaCapital, que estava na plateia (CartaCapital, 23/11/2015). No mesmo evento, criticou a nova lei do direito de resposta, que para ele não deve ser "instrumento de censura" (Jornal da Gazeta, 24/11/2015). Três anos depois, soltou a delação de Palocci seis dias antes do primeiro turno (Conjur, 04/02/2021; ver Eleições 2018).
- 16/03/2016 — o grampo "nas sombras": ao divulgar o grampo de Dilma e Lula, Moro escreveu que "a democracia em uma sociedade livre exige que os governados saibam o que fazem os governantes, mesmo quando estes buscam agir protegidos pelas sombras" (JB, 16/03/2016). Teori Zavascki declarou a divulgação "ilegal e inconstitucional" (Conjur, 22/03/2016).
- 30/03/2016 — "Esse é o papel dos senhores": duas semanas depois de divulgar o grampo, numa palestra em São Paulo, Moro disse que os casos de "graves crimes de corrupção e figuras públicas poderosas só podem ir adiante se contarem com o apoio da opinião pública e da sociedade civil organizada. Esse é o papel dos senhores" (Migalhas, 30/03/2016; Conjur, 11/08/2019). Para a desembargadora Simone Schreiber, do TRF-2, autora de uma tese sobre a publicidade opressiva de julgamentos criminais, "o juiz Sérgio Moro claramente recorreu à imprensa e à opinião pública" (Conjur, 11/08/2019).
- 06/12/2016 — as risadas com Aécio: na premiação Brasileiros do Ano, da revista IstoÉ, Moro foi fotografado rindo e conversando com Aécio Neves (Notícias ao Minuto, 07/12/2016), o candidato que Dilma derrotou em 2014 (ver Eleições 2014).
- Janeiro a maio de 2017 — Lula contra, Moro neutro: num estudo do Manchetômetro, da Uerj, sobre O Globo, a Folha e o Estadão, 79% das notícias sobre Lula foram contrárias a ele, e 79% das notícias sobre Moro foram neutras. A Conjur lembra que a imprensa passou a tratar Moro como antagonista de Lula, "muito embora o antagonista do réu num processo seja a acusação, e não o juiz" (Conjur, 11/08/2019).
- 10/05/2017 — a nota sugerida pelo juiz: horas depois de interrogar Lula, Moro escreveu ao procurador Carlos Fernando dos Santos Lima: "Talvez vcs devessem amanhã editar uma nota esclarecendo as contradições do depoimento com o resto das provas ou com o depoimento anterior dele" (Observatório da Imprensa, 23/07/2019). Segundo o Intercept, os procuradores acataram, e a nota pautou a imprensa (Intercept, 14/06/2019).
- 24/10/2017 — os "serial killers": três meses depois de condenar Lula, num fórum do Estadão sobre a Mãos Limpas (TV Brasil, 24/10/2017), Moro defendeu as prisões preventivas dizendo que "a corrupção é um fenômeno serial" e comparou os casos aos "serial killers" dos filmes, "guardadas as devidas proporções" (Globoplay, 24/10/2017).
O que a lei manda¶
- 1979 — o juiz não opina na imprensa: a Lei Orgânica da Magistratura proíbe o juiz de "manifestar, por qualquer meio de comunicação, opinião sobre processo pendente de julgamento, seu ou de outrem" (📄 Lei Complementar 35/1979, art. 36, III).
- 2008 — o juiz decide pela prova: o Código de Processo Penal manda o juiz formar "sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório judicial" (📄 Código de Processo Penal, art. 155). No mesmo ano, o Código de Ética da Magistratura, do CNJ, definiu que "o magistrado imparcial é aquele que busca nas provas a verdade dos fatos, com objetividade e fundamento, mantendo ao longo de todo o processo uma distância equivalente das partes". Diante da imprensa, o juiz deve "abster-se de emitir opinião sobre processo pendente de julgamento" e evitar "a busca injustificada e desmesurada por reconhecimento social, mormente a autopromoção" (📄 Código de Ética da Magistratura Nacional, arts. 8º, 12 e 13).
- 18/09/2013 — o STF contra o clamor das ruas: no voto que admitiu os embargos infringentes do mensalão, Celso de Mello afirmou que juízes "não podem deixar contaminar-se por juízos paralelos resultantes de manifestações da opinião pública que objetivem condicionar a manifestação de juízes e tribunais", porque isso negaria aos acusados "o direito fundamental a um julgamento justo" (Conjur, 18/09/2013). Em 2016, Moro dizia que os casos contra figuras poderosas só avançam "se contarem com o apoio da opinião pública" (ver acima).
Mais links sobre Moro e a imprensa¶
- Cascione, advogado, explica a dobradinha criminosa entre Moro e Globo – O Cafezinho (Facebook): o advogado aponta a parceria entre o juiz e a emissora
- Edson DK: a Folha de S.Paulo mentiu – Facebook: vídeo que contesta uma reportagem da Folha
- Globo, Shell, Exxon, Itaú, PSDB, Estadão: os patrocinadores do evento de Sergio Moro – Plantão Brasil: quem pagou o evento que teve o juiz como atração · fora do ar em 13/09/2026, 404 · buscar cópia no Internet Archive
- Cafezinho: prêmio da Globo a juízes é propina – Brasil 247: a crítica aos prêmios da Globo a juízes · fora do ar em 13/09/2026, 404 · buscar cópia no Internet Archive
Quem é Moro¶
O que a Justiça já declarou ilegal¶
Moro nunca foi punido por esses atos. Em 2016, a Corte Especial do TRF-4 arquivou por 13 votos a 1 a representação contra ele pelo grampo de Dilma e Lula, com o argumento de que a Lava Jato era um "caso inédito (único, excepcional)", com "situações inéditas, que escaparão ao regramento genérico, destinado aos casos comuns". O único voto contra, de Rogério Favreto, apontou a "imparcialidade duvidosa do magistrado" (Conjur, 23/09/2016). Em 2018, Moro deixou a magistratura para ser ministro de Bolsonaro. Mas os atos dele foram derrubados um a um:
- O grampo de Dilma e Lula (16/03/2016): por unanimidade, o plenário do STF considerou irregular "a divulgação pública das conversações do modo como se operou" e "descabida a invocação do interesse público" (Rcl 23.457), seguindo Teori Zavascki (Conjur, 23/09/2016).
- A condução coercitiva de Lula (04/03/2016): em 14/06/2018, o STF declarou que a condução coercitiva de investigado para interrogatório não foi recebida pela Constituição e que quem desobedecer pode responder "nos âmbitos disciplinar, civil e penal" (STF, 14/06/2018). A ordem de Moro está em Lawfare.
- O grampo dos advogados de Lula (2016): 25 advogados do escritório que defendia Lula tiveram conversas gravadas, e Moro disse ao STF que não sabia, mas a Telefônica tinha avisado a vara dele duas vezes (ver a lista de vítimas).
- A delação de Palocci (04/08/2020): o STF tirou a delação da ação contra Lula, e Lewandowski disse que Moro a juntou "com o intuito de gerar, ao que tudo indica, 1 fato político" (Poder360, 04/08/2020).
- Parcial no caso Banestado (25/08/2020): a Segunda Turma do STF anulou uma condenação dada por Moro no caso Banestado "por violação à imparcialidade do julgador". Para Gilmar Mendes, ele atuou "como um parceiro do órgão de acusação" (ver O Banestado, o ensaio da Lava Jato).
- Incompetente e parcial (2021): em março de 2021, o STF declarou que a vara de Moro não podia julgar Lula (Conjur, 08/03/2021) e que Moro foi parcial (Agência Brasil, 23/03/2021). Em 2022, o Comitê de Direitos Humanos da ONU concluiu que Lula não teve um tribunal imparcial (ACNUDH, 04/2022).
O Banestado, o ensaio da Lava Jato¶
Uma década antes da Lava Jato, Curitiba já tinha feito uma operação com o mesmo juiz, os mesmos procuradores e o mesmo delator. O caso Banestado investigou a evasão de divisas dos anos 1990 pelas contas CC5, que pode ter chegado a US$ 30 bilhões, segundo o Estadão (Gazeta do Povo, 29/09/2014). O juiz era Moro, titular da 2ª Vara Federal Criminal de Curitiba, e na força-tarefa do MPF estavam Deltan Dallagnol (Gazeta do Povo, 23/02/2011) e Carlos Fernando dos Santos Lima (Estadão, via Exame, 18/03/2019). O escândalo dos anos FHC está em Escândalos de corrupção.
- 16/12/2003 — a primeira delação de Youssef: Moro homologou o acordo de delação do doleiro Alberto Youssef e, na mesma audiência, interrogou-o sobre outros investigados. O procedimento só foi distribuído à vara dele em 22/01/2004, "quase 1 (um) mês após a homologação do acordo", segundo o voto de Gilmar Mendes no STF. Para Ricardo Lewandowski, as perguntas "diziam respeito ao objeto da ação penal e não à espontaneidade ou voluntariedade da colaboração", e Moro "subscreveu ambos os termos de acordo", o de Youssef e o de um ex-diretor de câmbio do banco, assinado em 03/03/2004 (📄 acórdão do RHC 144.615, STF · 📄 cópia no site).
- 02/08/2004 — as condenações: Moro condenou ex-diretores e ex-gerentes do Banestado por evasão de divisas e gestão fraudulenta. Em 2013, o STJ extinguiu por prescrição a punição de sete deles, e outros três foram beneficiados em parte (Gazeta do Povo, 23/04/2013).
- 28/05/2013 — "monitoramento dos patronos da defesa": num processo das contas CC5, Moro mandou prender de novo um réu cujas prisões anteriores tinham sido derrubadas por tribunais superiores, e mandou a polícia monitorar os voos dos advogados dele. A Segunda Turma do STF escreveu que "revelam-se abusivas as reiterações de prisões desconstituídas por instâncias superiores e as medidas excessivas tomadas para sua efetivação, principalmente o monitoramento dos patronos da defesa, sendo passíveis inclusive de sanção administrativa". Gilmar chamou de "teratológica" a decisão de monitorar os voos, mas a maioria entendeu que os excessos não provavam parcialidade e manteve Moro no caso. Celso de Mello, vencido, viu no "gravíssimo episódio do monitoramento dos Advogados" uma "séria ofensa ao dever de imparcialidade judicial". O STF mandou o caso à Corregedoria do TRF-4 e ao CNJ (📄 acórdão do HC 95.518, STF · 📄 cópia no site), e o CNJ arquivou a apuração (Estadão, via Jornal do Comércio, 26/03/2016).
- 2014 — Youssef de novo: o acordo de 2003 foi rescindido porque Youssef voltou a operar no câmbio ilegal (Estado de Minas, 29/11/2014). Preso na Lava Jato, ele ganhou uma segunda delação, assinada com o MPF e homologada no STF por Teori Zavascki. Numa sentença da Lava Jato, o próprio Moro escreveu que Youssef era "um criminoso profissional", que "[t]eve sua grande chance de abandonar o mundo do crime com o acordo de colaboração premiada, mas a desperdiçou". Em 27/08/2015, o plenário do STF manteve a nova delação: o descumprimento do acordo anterior, "homologado por aquele juízo federal", não contaminava "a priori" os futuros (📄 acórdão do HC 127.483, STF).
- 25/08/2020 — parcial no Banestado: a Segunda Turma do STF anulou a condenação do doleiro Paulo Roberto Krug, dada por Moro, "por violação à imparcialidade do julgador". Para Gilmar, as audiências de 2003 e 2004 mostram que Moro "ultrapassou em muito a função de mero homologador dos acordos e atuou verdadeiramente como um parceiro do órgão de acusação na produção de provas". Lewandowski disse que "coisas muito estranhas aconteceram em Curitiba, naquela Vara Federal". Encerrada a instrução e entregues os memoriais, Moro mandou juntar ao processo, sem pedido da acusação, documentos que depois usou na condenação: "Isso, no mínimo, é inusitado. Isso é heterodoxo", disse Lewandowski, para quem a medida "visou suprir a deficiência probatória da acusação". Fachin e Cármen Lúcia votaram contra, e, com Celso de Mello de licença médica, o empate favoreceu o réu. Os recursos contra a decisão foram rejeitados em 2021 (📄 acórdão do RHC 144.615, STF · 📄 cópia no site).
A família e o PSDB¶
- Moro em foto com candidato do PSDB – Facebook: o juiz posando com um candidato tucano
- Sérgio Moro é casado com advogada do PSDB – O Cafezinho, 05/12/2014: a ligação da mulher do juiz com o PSDB, segundo o blog
- O problema da foto de Sérgio Moro com João Doria – DCM, 28/09/2015: o juiz posando com o tucano, na análise de Paulo Nogueira
- Moro trabalhou para advogado do PSDB que desviou 500 milhões da prefeitura de Maringá – Plantão Brasil: o passado profissional do juiz, segundo o site · fora do ar em 13/09/2026, domínio não existe · buscar cópia no Internet Archive
- Máfia das falências – Plantão Brasil: o caso ligado à mulher de Moro, segundo o site · fora do ar em 13/09/2026, domínio não existe · buscar cópia no Internet Archive
- Esposa do juiz Sérgio Moro e a "máfia das falências" – blog Emanuel Cancella, 06/2016: a acusação contra Rosangela Moro, segundo o blog
- Informante da Lava Jato é suplente de Dias, parente de Moro e dono da Globo no Paraná – Plantão Brasil: as relações por trás de um informante da operação, segundo o site · fora do ar em 13/09/2026, domínio não existe · buscar cópia no Internet Archive
- Primo da mulher de Moro é preso em investigação da qual o juiz abriu mão – Carta Maior: Moro disse desconhecer o parentesco: "Se tiver parentesco, é muito distante" · fora do ar em 13/09/2026, domínio não existe · buscar cópia no Internet Archive
- Escritório de doleiro alegou sigilo para negar à Receita informações sobre contrato com Rosângela Moro – GGN, via DCM, 04/09/2017: a relação entre o escritório de um doleiro e a mulher do juiz, segundo o DCM
O juiz¶
- Moro faz discurso neoliberal para milionários – blog Os Amigos do Presidente Lula, 03/2016: o juiz elogiou especuladores e ignorou a redução da pobreza, segundo o blog
- Moro é investigado no STF e no CNJ desde 2005 – blog Portal Veritas, 07/2016: os procedimentos contra o juiz, segundo o blog · fora do ar em 13/09/2026, 404 · buscar cópia no Internet Archive
- Confrontado por Paulo Pimenta, Moro se recusa a responder: "Não vou comentar" – YouTube: o juiz fugiu da pergunta do deputado · fora do ar em 13/09/2026, vídeo indisponível (403) · buscar cópia no Internet Archive
- Moro é maçom grau 33 – Facebook, 14/05/2017: o post diz que Moro ajudou no golpe que pôs Temer no poder e desempregou milhões ao ignorar os acordos de leniência
- Melhor e Mais Justo: Lava Jato – Rede TVT (YouTube), 20/08/2015: programa da TVT sobre a operação, primeira de três partes
- Moro deve ser afastado da Lava Jato após farsa contra cunhada de Vaccari – Blog da Cidadania, 04/2015: o blog pede o afastamento de Moro depois do caso da cunhada de Vaccari
- Hashtag contra Moro é a 1ª nos trending topics do Twitter – DCM, 16/04/2015: a reação nas redes contra o juiz
- Moro deve ser afastado da Lava Jato após farsa contra cunhada de Vaccari – Blog da Cidadania, 23/04/2015: o pedido de afastamento depois do caso da cunhada de Vaccari
Os métodos da força-tarefa¶
O método completo, passo a passo, está na página Lawfare.
- Você sabe o que é lawfare? – Facebook: vídeo que explica o conceito
A PF, os grampos e os delegados¶
- "O que diz o delegado que denunciou os grampeadores do Youssef" – Facebook: o delegado que acusou colegas da Lava Jato de grampear a cela do doleiro
- Mário Fanton denuncia delegados da PF que investigam a Lava Jato – Facebook: o delegado da PF que acusou colegas da operação
- Delegado da PF processa União por ter sofrido perseguição da "lava jato" – Plantão Brasil, 07/07/2020: numa ação de 125 páginas, Fanton acusa delegados e procuradores da força-tarefa de Curitiba de falsa perícia, fraude processual, prevaricação, falso testemunho e denunciação caluniosa nos 71 dias em que trabalhou com eles, em 2015
- "O que diz o delegado que denunciou os grampeadores do Youssef" – Facebook, 28/09/2015: o delegado que acusou colegas da Lava Jato de grampear a cela do doleiro
- Delegados da PF vão calar em CPI. É medo do seu colega Fanton? – Tijolaço, 28/09/2015: os delegados da Lava Jato se preparavam para não falar na CPI da Petrobras, segundo o Valor · fora do ar em 10/10/2026, o domínio tijolaco.net responde 502 · buscar cópia no Internet Archive
- Delegados deixaram digitais: achavam que o golpe ia dar certo – Viomundo, 14/11/2014: na campanha de 2014, delegados da Lava Jato elogiaram Aécio e atacaram Lula e Dilma nas redes, como revelou o Estadão (ver Eleições 2014)
- O depoimento que vai anular a Lava Jato – Luíz Müller Blog, 22/09/2015: o depoimento do analista de inteligência da PF Dalmey Fernando a Moro sobre o grampo ilegal na cela de Youssef
- Lava Jato: delegado da PF denuncia adulteração de provas – blog Correntes da Escravidão, 08/2015: um delegado da PF denuncia adulteração de provas na operação, segundo o blog
- Delegado da Polícia Federal fez manipulação grotesca para incriminar Lula – Carta Maior, 13/09/2015: a investigação policial usada para fins partidários, segundo a Carta Maior · fora do ar em 13/09/2026, domínio não existe · buscar cópia no Internet Archive
- Quanto vale a honra de José Carlos Cosenza? – Brasil 247 (Facebook), 19/11/2014: o diretor da Petrobras foi citado por erro da PF e massacrado nas manchetes; o delegado que admitiu o erro tinha chamado Lula de "anta" nas redes (link curto do Brasil 247)
- E o grampo na cela do Youssef? Vamos apurar, Dr. Moro? – Conversa Afiada: a cobrança pela investigação do grampo ilegal
Conduções, prisões e delações¶
- Sérgio Moro mentiu ao afirmar que acolheu coercitiva de Lula a pedido do MPF? – Pragmatismo Político, 05/03/2016: a origem do pedido de condução coercitiva posta em dúvida
- Réu preso 7 meses por Moro é absolvido em 2ª instância – O Cafezinho, 23/09/2015: a prisão preventiva que não resistiu ao recurso
- Advogado da Camargo Corrêa diz que prisões preventivas são usadas como tortura – Jus.com.br, 15/06/2015: a prisão como pressão para arrancar delações, segundo a defesa
- Delação de Palocci evidencia métodos de tortura da operação – Brasil de Fato, 27/04/2018: Palocci só fechou acordo depois de mais de um ano preso em Curitiba
- Novo juiz da Lava Jato compara delação premiada a pau de arara – Linkis: um juiz da operação compara a delação à tortura da ditadura, segundo o título
O reitor Cancellier¶
A história do reitor está na página Lawfare.
- Delegada Érika Marena, amiga de Moro na Lava Jato, é exonerada do Ministério da Justiça – Revista Fórum, 26/06/2020: a delegada da operação que levou o reitor Cancellier à prisão
- Sem provas, PF encerra inquérito que levou reitor Cancellier ao suicídio – Abrasco: o inquérito terminou sem provas contra o reitor, segundo a Abrasco · fora do ar em 13/09/2026, 404 · buscar cópia no Internet Archive
- MPF denuncia filho de reitor que se matou sem provar o que ele fez – Conjur, 12/07/2019: a denúncia contra o filho de Cancellier, sem apontar o ato ilegal
- Qual é a responsabilidade dos repórteres no suicídio do reitor da UFSC? – Observatório da Imprensa, 23/10/2017: o papel da imprensa no caso
- O suicídio do reitor para quem prisão foi ultraje e sentença de morte – El País, 04/10/2017: o reitor fez da morte um protesto contra quem o investigava
- Suicídio de reitor da UFSC completa um ano sem responsabilizações – Brasil de Fato, 02/10/2018: a comunidade acadêmica criticou os investigadores e passou a ser processada
O precedente italiano¶
A Lava Jato se inspirou na Operação Mãos Limpas, que Moro estudou num artigo de 2004 (📄 artigo de Moro, Revista CEJ, jul./set. 2004). Não é preciso provar um plano: os fatos mostram que a Lava Jato repetiu o método da operação italiana e chegou a um resultado parecido com o que o próprio Moro tinha chamado de "símbolo das limitações" dela.
| Mãos Limpas (Itália) | Lava Jato (Brasil) | |
|---|---|---|
| Os partidos atingidos | Os partidos que dominavam a Itália desde o pós-guerra entraram em colapso: nas eleições italianas de 1994, a Democracia Cristã caiu para 11,1% dos votos e o Partido Socialista, para 2,2% (📄 artigo de Moro, 2004) | O PT, que governou até o impeachment de Dilma, perdeu 60% das prefeituras em 2016 (CartaCapital, 03/10/2016), mas não sumiu: em 2018, elegeu a maior bancada da Câmara (Agência Câmara, 08/10/2018) e levou Haddad ao segundo turno, com 44,87% dos votos (Wikipedia), e em 2022 voltou ao governo com Lula (ver Eleições 2022). Quem desabou em 2018 foram PSDB e MDB: Geraldo Alckmin teve 4,76% dos votos, e Henrique Meirelles, 1,20% (Wikipedia) |
| Quem ocupou o espaço | Silvio Berlusconi, "magnata da mídia e um dos investigados", que, nas palavras de Moro, "ingressou na política em decorrência do vácuo de lideranças provocado pela ação judicial" (📄 artigo de Moro, 2004) | Bolsonaro, eleito com Lula preso e barrado pelo TSE (Poder360, 01/09/2018), num governo de orçamento secreto, pastores do MEC e joias (ver Corrupção no governo Bolsonaro) |
| O magistrado na política | O promotor Antonio Di Pietro, da acusação, deixou a magistratura em 1995 e virou ministro em 1996 no governo de Romano Prodi (Treccani), que naquele ano derrotou Berlusconi na eleição (Wikipedia). Di Pietro foi para o lado que venceu o beneficiado pela operação | Moro fez o caminho oposto: o juiz, que deveria ser imparcial, foi sondado para o ministério ainda na campanha, segundo o vice eleito, Hamilton Mourão (Gazeta do Povo, 01/11/2018), e virou ministro da Justiça do candidato que se beneficiou da prisão de Lula (Conjur, 01/11/2018). Saiu em 2020 acusando Bolsonaro de querer trocar o comando da PF por "preocupações com inquéritos no Supremo" (Conjur, 24/04/2020) |
| Como terminou | Com a reação dos políticos: o governo Berlusconi aboliu a prisão preventiva para corrupção em 1994, e a medida caiu diante dos protestos (📄 artigo de Moro, 2004). Depois vieram anistias parciais e a descriminalização do caixa dois, e 40% dos casos acabaram sem decisão de mérito, segundo Moro (Veja, 03/09/2015) | Com as ilegalidades da própria operação: o STF anulou as condenações de Lula porque Curitiba não era o juízo competente e declarou Moro parcial (ver A Lava Jato desmontada) |
| A corrupção | Em 2017, juízes da Mãos Limpas vieram a um fórum no Brasil explicar por que a corrupção não caiu na Itália, mesmo com mais de 1.300 condenações (TV Brasil, 24/10/2017). Um ano antes, o ex-juiz Gherardo Colombo, da equipe da Mãos Limpas, já tinha dito que acreditava que "hoje a corrupção não seja menos espalhada do que então" (entrevista ao Estadão, reproduzida pelo IHU, 29/03/2016) | Em 2024, a PF indiciou Bolsonaro por peculato, lavagem de dinheiro e associação criminosa pela venda de presentes de autoridades estrangeiras, que deveriam ficar no acervo da Presidência (Migalhas, 05/07/2024) |
- 2004 — o aviso de Moro: no artigo sobre a Mãos Limpas, Moro escreveu que Berlusconi no cargo de primeiro-ministro era "um símbolo das limitações da operação mani pulite" e que "não deixa de ser um paradoxo" ele ter chegado ao poder "mesmo após a operação" (📄 artigo de Moro, Revista CEJ, jul./set. 2004).
- 28/09/2018 — "pode eleger o Haddad": quando Lewandowski autorizou uma entrevista de Lula à Folha, procuradores da Lava Jato discutiram nos chats como barrá-la, porque, nas palavras deles, ela "pode eleger o Haddad" ou permitir a "volta do PT". A procuradora Laura Tessler escreveu: "Que piada!!! Revoltante!!! Lá vai o cara fazer palanque na cadeia" (Potiguar Notícias, 09/06/2019; Intercept, 09/06/2019). No mesmo dia, Fux proibiu a entrevista (ver Eleições 2018).
Delatores, réus e testemunhas¶
O que se publicou sobre Youssef, Palocci, Barusco, Cerveró, Vaccari e os outros delatores, réus e testemunhas da operação está em Delatores da Lava Jato.
A Lava Jato, o PSDB, FHC e Cunha¶
- PT pede que investigações da Lava Jato se estendam ao governo FHC – Viomundo, 12/02/2015: o partido pediu que a investigação alcançasse também o governo tucano
- Janio de Freitas: quem fatiou o Banestado? – Facebook: Moro e a imprensa reclamaram do fatiamento da Lava Jato pelo STF, mas os mesmos procuradores e Moro fatiaram o caso Banestado (link original: goo.gl/m1qVAM)
- Moro nega acesso a doações de empresas para institutos de FHC, Sarney e Itamar – Estadão, 17/02/2017: o juiz negou o pedido de acesso às doações para os institutos de outros ex-presidentes
- Moro tentou poupar Cunha – Plantão Brasil: o tratamento dado a Eduardo Cunha, segundo o site · fora do ar em 13/09/2026, domínio não existe · buscar cópia no Internet Archive
- Moro orientou Lava Jato a evitar apreensão de celular de Eduardo Cunha – Opera Mundi (Facebook), 12/06/2019: nas mensagens, o ex-juiz orienta Deltan Dallagnol a não pedir a apreensão do celular de Cunha um dia antes da prisão dele, segundo o Opera Mundi
A refinaria Abreu e Lima (PSDB/PP/PSB)¶
- Paulo Roberto afirma que pagou propina ao ex-presidente do PSDB para esvaziar CPI – Petronotícias, 17/10/2014: Paulo Roberto Costa disse que Sérgio Guerra, então presidente do PSDB, recebeu dinheiro para esvaziar a CPI da Petrobras de 2009
- PSDB citado nas propinas da Petrobras pelo fim de CPI – Verdade Sem Manipulação (Facebook): vídeo sobre a acusação contra o PSDB
- Abreu e Lima: o julgamento sem políticos – Facebook: segundo o post, no maior desvio da Lava Jato, de R$ 16 bilhões na refinaria, os envolvidos eram PSDB, PP e PSB, e Moro culpou mortos e julgou o caso em segredo em 22/04/2015, sem citar políticos (📄 a sentença, via GGN)
A Lava Jato e os Estados Unidos¶
Antes da Lava Jato, Moro passou por programas do governo americano. Durante a operação, foi celebrado nos EUA, e, depois de deixar o governo Bolsonaro, foi trabalhar para uma consultoria americana que administrava a recuperação judicial da Odebrecht, empresa cujos casos ele tinha julgado. A cooperação do FBI com a força-tarefa, por fora do Ministério da Justiça, está na página Lawfare.
- 1998 — Harvard: Moro estudou num programa de intercâmbio da Harvard Law School (Universidade de Notre Dame, 02/10/2017).
- 2007 — convidado do Departamento de Estado: participou do programa de visitantes internacionais do Departamento de Estado dos EUA, em que conheceu as agências e instituições americanas que previnem e combatem a lavagem de dinheiro (Universidade de Notre Dame, 02/10/2017).
- 04 a 09/10/2009 — palestrante no Projeto Pontes: num telegrama de 30/10/2009, a embaixada americana relatou uma conferência sobre crimes financeiros no Rio, paga pelo Departamento de Estado, com juízes e procuradores federais de todos os estados e mais de 50 policiais federais. Moro foi um dos palestrantes e discutiu "the 15 most common issues he sees in money laundering cases", as 15 questões mais comuns que ele via nos casos de lavagem. Os participantes pediram mais treinamento, e o telegrama recomenda que ele seja de longo prazo e acompanhe a formação de forças-tarefa, em São Paulo, Campo Grande ou Curitiba (📄 telegrama 09BRASILIA1282, WikiLeaks). Curitiba viria a ser a sede da Lava Jato.
- 21/04/2016 — entre os 100 da Time: a revista americana pôs Moro na lista das cem pessoas mais influentes do mundo, o único brasileiro dela, como o juiz de "um escândalo de corrupção tão grande capaz de derrubar um presidente" (Congresso em Foco, 21/04/2016). Quatro dias antes, a Câmara tinha autorizado, por 367 votos a 137, o processo de impeachment de Dilma (Agência Câmara, 17/04/2016; ver Golpes contra governos eleitos).
- 02/10/2017 — premiado nos EUA: três meses depois de condenar Lula, Moro recebeu o Notre Dame Award, da universidade católica americana (Universidade de Notre Dame, 02/10/2017).
- Dezembro de 2020 a novembro de 2021 — a consultoria americana da Odebrecht: fora do Ministério da Justiça, Moro foi contratado pela Alvarez & Marsal, "uma empresa de consultoria norte-americana", nas palavras dele, que era a administradora judicial da recuperação da Odebrecht. Em onze meses, recebeu US$ 645 mil, com um bônus de contratação de US$ 150 mil, e saiu para disputar a Presidência pelo Podemos (Bloomberg Línea, 28/01/2022). O Ministério Público junto ao TCU pediu a suspensão dos pagamentos da Odebrecht à consultoria, pelo risco de conflito de interesses de quem julgou a empresa e passou a ganhar, "ainda que indiretamente, com o processo de recuperação judicial" (Poder360, 09/02/2021).
Mais links sobre a Lava Jato e os EUA¶
- "Os americanos não querem que divulguemos as coisas", disse Dallagnol sobre conluio com os EUA – Revista Fórum, 12/03/2020: em 05/10/2015, avisado de que a imprensa falava da visita de pelo menos 15 pessoas do Departamento de Justiça dos EUA, Dallagnol respondeu assim a um assessor, segundo as mensagens da Vaza Jato publicadas pelo Intercept
- Lava Jato: tudo começou em junho de 2013 – GGN, 09/03/2016: o GGN reconstitui a origem da operação
- A geopolítica da Lava Jato – Outras Palavras: os interesses internacionais por trás da operação · fora do ar em 13/09/2026, 404 · buscar cópia no Internet Archive
- Defesa de Lula aponta relação da Lava Jato com os EUA – Pragmatismo Político, 24/11/2016: a defesa liga a operação aos Estados Unidos
- Lava Jato e a indústria do compliance – TV GGN (YouTube), 13/02/2020: episódio da série Lava Jato Lado B sobre a influência dos EUA na operação
- Aparece o primeiro fato concreto de ligação da Lava Jato com os EUA – Carta Campinas, 23/11/2016: o primeiro indício de ligação da operação com os Estados Unidos, segundo o site
- 📄 Telegrama 09BRASILIA1282 – WikiLeaks, 2009: Moro como palestrante numa conferência paga pelo Departamento de Estado, que recomendou treinar forças-tarefa em cidades como Curitiba (ver acima)
- Moro tem mira certa: Petrobras e programa nuclear – Conversa Afiada, 28/07/2015: a operação atingia justamente a Petrobras e o programa nuclear, segundo o blog
- Moro entrega dados sigilosos da Petrobras à Inglaterra – Plantão Brasil, 06/12/2016: dados da estatal repassados a um país sede de concorrentes, segundo o site
O custo para o país¶
- Lava Jato destrói empresas nacionais e gera desemprego – YouTube: o efeito da operação sobre as empresas brasileiras e o emprego · fora do ar em 13/09/2026, vídeo indisponível (404) · buscar cópia no Internet Archive
- Destruição a jato (documentário) – YouTube: o estrago da operação na economia · fora do ar em 13/09/2026, vídeo indisponível (403) · buscar cópia no Internet Archive
- Lava Jato torra a riqueza e os empregos – Reinaldo Azevedo, UOL, 17/06/2019: a recuperação judicial da Odebrecht como retrato do custo da operação
- Lava Jato afeta 51 mil empresas e 500 mil empregos – Exame, 07/05/2015: o tamanho do estrago na cadeia de fornecedores
- O Dr. Moro fez diferença: 250 mil operários desempregados – Tijolaço: os empregos perdidos com a operação, segundo o blog · fora do ar em 10/10/2026, o domínio tijolaco.net responde 502 · buscar cópia no Internet Archive
- O Dr. Moro fez diferença: 250 mil operários desempregados – Tijolaço: a mesma postagem, em outro endereço do blog · fora do ar em 10/10/2026, o domínio tijolaco.net responde 502 · buscar cópia no Internet Archive
- Números da Lava Jato – Facebook: um balanço da operação
Ver também¶
- Delatores da Lava Jato: Youssef, Palocci, Barusco, Cerveró, Vaccari e os outros delatores, réus e testemunhas
- Lawfare: o método da Lava Jato, passo a passo, e o mesmo roteiro na América Latina
- Farsa do Mensalão do PT
- Cristiano Zanin: o advogado de Lula que provou a parcialidade de Moro
- Teori Zavascki: declarou ilegal o grampo de Dilma e Lula
- Edson Fachin: anulou as condenações de Lula
- Dias Toffoli: anulou as provas da Odebrecht
- Ricardo Lewandowski: deu à defesa de Lula as mensagens da Spoofing
- Luiz Fux: o "In Fux we trust"
- Petrobras
- Escândalos de corrupção