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Fila do INSS

Em 3 de setembro de 2026, o governo anunciou que a fila do INSS foi zerada. A redução de 2026 é real e está nos dados oficiais, mas "zerada" é uma definição específica, não a ausência de pedidos pendentes. Esta página reúne a série histórica de 2019 a 2026, o que cada número mede e os contrapontos.

O anúncio de setembro de 2026

O ministro da Previdência, Wolney Queiroz, anunciou no Palácio do Planalto, ao lado de Lula, que a fila foi zerada com base nos dados de agosto de 2026 (Agência Brasil).

O critério não é o de pedidos pendentes igual a zero, e sim o de estoque menor que a entrada de novos pedidos do mês anterior:

"Zerar a fila é quando temos menos gente esperando do que a quantidade de gente que entrou no mês anterior. O que era fila se transforma em fluxo de atendimento." — Wolney Queiroz (Acessa)

No dia do anúncio, o próprio ministério informou que 224 mil pessoas ainda aguardavam resultado de perícia há mais de 45 dias, o prazo legal de resposta.

Série histórica: pedidos pendentes de análise

Data Pedidos pendentes Fonte
jan/2020 2,032 milhões, pico do governo Bolsonaro Poder360
dez/2022 1,09 milhão, fim do governo Bolsonaro Jovem Pan
dez/2023 mais de 1,8 milhão Poder360
nov/2024 1,985 milhão Jornal de Brasília
out/2025 2,86 milhões Poder360
nov/2025 2,96 milhões, com 933 mil pedidos de BPC Jovem Pan
fev/2026 3,128 milhões, maior valor da série iniciada em 2004 Previdenciarista
jun/2026 1,83 milhão INSS
ago/2026 1,282 milhão, menor nível desde 2023 Previdenciarista

O recorde histórico da fila e a maior queda anual da série aconteceram no mesmo governo, com sete meses de diferença.

Esta é a métrica do anúncio, e os critérios divergem entre o TCU e o INSS.

Data Fora do prazo Critério e fonte
jul/2024 menos de 300 mil, 30,5% da fila auditoria do TCU
mai/2026 cerca de 430 mil, 36,7% da fila auditoria do TCU
mai/2026 765 mil resposta do INSS ao TCU
jun/2026 555 mil INSS
jul/2026 486 mil Ministério da Previdência, via Correio Braziliense
ago/2026 286 mil resposta do INSS ao TCU
ago/2026 261 mil painel do INSS, via Previdenciarista

Tempo médio de concessão

O tempo médio de concessão (TMC) mede quanto tempo levou para concluir os pedidos analisados no mês. O prazo legal é de 45 dias.

Data Tempo médio Fonte
dez/2022 76 dias Ministério da Previdência
jan/2023 66 dias Ministério da Previdência
out/2024 38 dias Ministério da Previdência
out/2025 35 dias Poder360
jun/2026 50 dias INSS
ago/2026 34 dias Agência Brasil

A alta para 50 dias em junho de 2026 não significa piora do atendimento: o mutirão concluiu justamente os pedidos mais antigos, o que puxa a média do mês para cima.

Por que a fila cresceu entre 2024 e 2025

  • Greve de 114 dias dos servidores, de julho a novembro de 2024: a fila cresceu 46,6% no período (Agência Brasil).
  • Greve dos peritos médicos, a partir de outubro de 2024: a fila de perícias foi de 576,3 mil pessoas em julho de 2024 para 686 mil em janeiro de 2025 (Gazeta do Povo).
  • Demanda em alta: o INSS recebia 897 mil pedidos por mês em 2023, 1,1 milhão em 2025 e 1,3 milhão em 2026, cerca de 43 mil por dia (Acessa).
  • Falta de pessoal herdada: o INSS perdeu mais de 10 mil servidores por aposentadoria depois de 2018, sem concursos no período (Sinssp, nov/2022). O número de peritos médicos caiu de 5.138 em 2008 para 2.853 em janeiro de 2022 (estudo citado pela CUT).
  • Capacidade operacional insuficiente, segundo auditoria do TCU, que manteve os benefícios previdenciários na Lista de Alto Risco da administração federal em agosto de 2026 (InfoMoney).

O que derrubou a fila em 2026

  • Lei 15.201/2025, sancionada em 10 de setembro de 2025, criou o Programa de Gerenciamento de Benefícios (PGB), que inclui no mutirão os processos parados há mais de 45 dias e paga R$ 68 por processo aos servidores e R$ 75 por perícia aos peritos. O programa vem da MP 1296/25, de abril de 2025, e pode ir até 31 de dezembro de 2026 (Câmara dos Deputados).
  • Redução do prazo de 45 para 30 dias para entrada do processo no PGB (Previdenciarista).
  • Nacionalização da fila, em janeiro de 2026: qualquer agência passou a analisar pedidos de qualquer lugar do país, com mais de 118 mil análises na primeira semana (Secom).
  • Recordes de produção: 890 mil concessões em março de 2026 e 1,658 milhão de análises concluídas em julho de 2026, o maior volume mensal registrado (INSS, Previdenciarista).
  • Reclamações por demora caíram 82% entre janeiro e agosto de 2026 (Acessa).

Os contrapontos

  • As negativas dispararam. Em junho de 2026 houve 938,2 mil indeferimentos contra 792,5 mil concessões. No primeiro semestre, 4,3 milhões de negativas contra 4,2 milhões de concessões, taxa de 50,5%. A média mensal de indeferimentos subiu cerca de 70% em relação a janeiro-maio de 2025, de 395 mil para 668,6 mil. Os dados são do próprio Ministério da Previdência, apresentados no Conselho Nacional de Previdência Social (Correio Braziliense).
  • Qualidade da análise. Advogados previdenciaristas apontam que reduzir a fila e aumentar as negativas ao mesmo tempo levanta dúvidas sobre a qualidade da análise, e que reversões administrativas e judiciais podem comprometer parte do ganho (Correio Braziliense).
  • A espera continua para centenas de milhares. Entre 261 mil e 286 mil pedidos seguiam fora do prazo legal em agosto de 2026, conforme o critério (O Tempo).
  • Fila nunca chega a zero, como reconhece o próprio INSS: com 1,3 milhão de pedidos novos por mês, a meta possível é analisar tudo dentro dos 45 dias (Ministério da Previdência).

Como comparar com o governo Bolsonaro

Os dois indicadores apontam para lados diferentes, e usar só um deles distorce a conta.

  • Pedidos pendentes: o governo Bolsonaro terminou com 1,09 milhão, depois de um pico de 2,03 milhões em janeiro de 2020. O Lula 3 estava em 1,282 milhão em agosto de 2026, depois do recorde de 3,128 milhões em fevereiro. Pelo estoque, o quadro é pior no Lula 3.
  • Tempo de espera: caiu de 76 dias em dezembro de 2022 para 34 dias em agosto de 2026, abaixo do prazo legal. Pelo tempo de resposta, o quadro é melhor no Lula 3.
  • Demanda: o estoque de agosto de 2026 equivale a cerca de um mês de entrada de novos pedidos. A demanda cresceu 45% desde 2023, de 897 mil para 1,3 milhão de pedidos por mês, o que faz o mesmo estoque absoluto significar uma espera menor.

A comparação entra em Comparação Bolsonaro x Lula 3, na seção Previdência.

Notas sobre os números

  • Três métricas diferentes circulam como "fila". Requerimentos iniciais pendentes de análise, que é a série usada nesta página; todos os processos administrativos pendentes, que inclui recursos, revisões e atualizações de cadastro, base dos "5 milhões de processos parados" citados como herança de 2022; e pedidos parados há mais de 45 dias, a métrica do anúncio de 2026. Os três números são muito diferentes entre si.
  • TCU e INSS divergem no corte de 45 dias. Para maio de 2026, o TCU apurou cerca de 430 mil pedidos fora do prazo e o INSS informou 765 mil. A diferença provável está no tratamento dos pedidos que dependem de ação do segurado, 451 mil em junho de 2026.
  • Cuidado com a queda de 86%. Boa parte da imprensa comparou 1,882 milhão de pedidos acima de 45 dias em janeiro de 2026 com 261 mil em agosto. Esse valor de janeiro não fecha com a proporção apurada pelo TCU, de 36,7% da fila em maio, e não foi possível confirmá-lo em fonte oficial.
  • Onde verificar sem intermediários: dados abertos do INSS, com os requerimentos pendentes mês a mês, e o painel de requerimentos.

Ver também

  • Escândalo do INSS: a fraude dos descontos em aposentadorias, investigada pela Operação Sem Desconto